VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

22

de

outubro

MUDANÇA

Fiz uma mudança no título do blog de URBANIDADES para VIVER URBANAMENTE por conta de que vários blogs com o mesmo nome ou título.

O objetivo não é ser diferente, mas diferenciar para facilitar aos amigos que acessam e acompanham o blog.

Sem mudar a linha do conteúdo proposto, a mudança vem no sentido de melhorar, aperfeiçoar e facilitar a leitura e o acesso.

Sérgio Gollnick

 

22

de

setembro

CÁLCULO DA ECO-MOBILIDADE

 

Partindo de modelos utilizados na Europa e adaptados a nossa realidade, apresento um cálculo da eco-mobilidade onde se pode comparar custos e resultantes ambientais de variadas modais de transporte. A simulação é para 10 km num sentido único.

22

de

setembro

ARMAGEDON - O FILME

18

de

setembro

MINHA GERAÇÃO NÃO ESTA NO PODER

Nasci em 58. No final dos anos setenta, início dos anos oitenta, estávamos entretidos em discutir política ainda sob os resquícios de domínio da ditadura militar. Minha geração foi às ruas pelas “Diretas Já” com o entusiasmo e as incertezas tipicamente adolescentes. Participamos de movimentos, passeatas exuberantes, questionando tudo e construindo muito pouco ou quase nada daquele futuro imaginário inadiável.  Aos nossos olhos o futuro veio sendo construído por aqueles a quem contestamos, sem mudar quase nada daquilo que mais condenamos.


A minha geração respirou o novo ar da liberdade sem verdadeiramente conhecer de perto a repressão ao pensar, safando-se de lutas armadas ou da guerra, sendo porém a vítima da bala perdida. A minha geração surfava na praia e fazia luaus à luz da fogueira, cantando a paixão, o tempo, andando pelos campos e pelas cidades, sem barreiras, quase sem limites, experimentando quase tudo o que havia para experimentar. Não compreendemos nossas diferenças, porque nascemos e vivemos nossa adolescência num momento onde a cidadania estava indigente.

 

A minha geração envelheceu e rendeu-se. Somos protagonistas do “tudo por dinheiro”, da fama como caminho mais fácil à realização plena, nem que desnudando-se na capa de revista. Folheamos as págunas a procura do um novo seio de silicone, do botox ou da nova separação. Passamos a ser avalistas do óbvio, da filosofia de resultados e de um incomodo silêncio.

 

A minha geração silencia como alguém que se entregou, esquecendo-se do que questionava, aceitando quase tudo como o estado natural das coisas, num conformismo irritante. Rendemo-nos às imbecilidades produzidas pelos realitys shows ou pelas promoções nos shoppings centers, como para aliviar a consciência perante tantas injustiças, corrupção e falta de ética.

 

A minha geração envelheceu antes de amadurecer e não tomou o poder para mudar o mundo como desejava. Porque a minha geração não está no poder? Porque não há nada de especial na minha geração.

17

de

agosto

TREM LEVE do INT

Este projeto revolucionário do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), no Rio de Janeiro, mostra que devemos buscar novas soluções, acima de tudo sustentáveis, para o transporte urbano:

acesse: http://planetainteligente.terra.com.br/noticias_integra_trem.php

2

de

agosto

NATIVOS x EXÓTICOS I

4

de

julho

CINCO ESTAÇÕES

Há cinco estações no Brasil: o inverno, a primavera, o verão, o outono e a corrupção. Com efeito, desde a chegada dos portugueses ao Brasil, corrupção talvez seja a palavra-chave da nossa história. Espoliação, fraudes, uso indevido do erário público, roubo das nossas riquezas, abusos de poder e impunidade sintetizam a nossa história política, que corrompe valores éticos e morais da sociedade ao qual, espelhando-se nos governantes, faz deste país num território onde imperam as condutas criminosas, os privilégios indecentes, a injustiça social constituindo-se cada vez mais como fatos consumados revelados pela incapacidade de indignação da sociedade.

 

Nossa história política é pobre porque nela são breves os lampejos de decência que podem nos servir de exemplo.

 

Contra a corrupção raramente se insurgem as poucas consciências lúcidas neste Brasil contemporâneo. Não existem mais instituições livres das amarras dos corruptores, sinal claro de que elas encontram-se num estado falimentar consumado. Neste contexto é absurdamente visível a legalização de imoralidades nos três poderes da república, cada vez mais envoltos em fatos e atos de corrupção e desmandos, desvendando um irreparável descrédito da classe política e da justiça.

 

Encontramo-nos num momento crucial para a história deste país, chegando ao momento de perguntar se aqueles que dirigem nossas instituições e, em especial os políticos, são ou não brasileiros. Chegou o momento de perguntar aos milhões de brasileiros se eles reconhecem algum direito à dignidade, ao respeito, a justiça e ao gozo da cidadania plena.  Devemos nos perguntar se desejamos mesmo ser governados por criminosos que se utilizam das posições de poder neste constante jogo do tráfico de influência para a prática de atos ilegais em benefício próprio e de poucos, contrários aos interesses da sociedade.

 

Em tempo, a palavra corrupção deriva de corruptus que, numa primeira acepção, significa quebrado em pedaços e, numa segunda acepção, apodrecido, pútrido. Logo, o Brasil está podre, num estado permanente negativo quando as boas prática republicanas e de justiça social.

 

A corrupção é a nossa maior força destruidora do bem comum dificultando a evolução da sociedade rumo a uma consciência política plena e espiritualizada. Se desejamos um lugar respeitável para o Brasil precisamos eliminar a nossa quinta estação. Significa que precisamos de uma profunda reforma política, de uma nova constituição moralizadora e inovadora tarefa que não poderá ser delegada aos criminosos, corruptos e corruptores que tomaram de assalto as nossas instituições.

1

de

junho

Consumidor-Espectador

(…) Baudrillard diz-nos que a felicidade deve ser mensurável para que se torne veículo do mito igualitário na sociedade capitalista e, assim, a noção de igualdade possa ser compreendida numa outra perspectiva. É por detrás desse mito que conservamos o sentimento de respeito à individualidade. O código exige-nos a visibilidade e credibilidade dos critérios que legitimam este sentimento, critérios quantificáveis para o próprio indivíduo e para o outro, sendo este o parâmetro principal em que se projeta o consumidor-espectador ao individualizar-se no mundo do consumo.

Este mito de igualdade é notado como tal dado que o sentimento de satisfação não é, nunca, homogeneo. Os grupos que se formam são igualitários enquanto se considere a sua totalidade, ou seja, a sua cultura, sendo heterogeneos no sentido em que os critérios de igualdade e felicidade são subjetivos.

O indivíduo identifica-se culturalmente com mercadorias que representem um determinado grupo e cujas características de igualdade e felicidade ele reverte à mercadoria em si, como valor intrínseco e, portanto, universal e para todos. Essa é a comparação com o outro, a lógica do fetiche.

Dependendo da configuração imaginária com que dota o seu objeto fetiche, tal como num sistema de crenças, o feiticista dota-o de um valor inequívoco de realidade para o desejo. A indústria cultural atribui ao objeto atributos estéticos e discursivos indicativos de um sentido de valor ao mesmo tempo que coloca o feiticista e a mercadoria na mesma alegoria pois que nem um nem outro têm atributos naturais.

A ação de propaganda ao serviço do capitalismo encobre a ação de mais-valia, fazendo ressaltar os ideais de felicidade e satisfação de que dotou os produtos. Esta é a mistificação que enaltece o valor-de-satisfação em detrimento do valor-de-uso. (…)

 

O Consumidor-Espectador e a sua Dimensão de Mundo: o Código como Realidade“, de Dinaldo Almendra,

13

de

maio

LEITURAS

transporte público joinville

9

de

maio

DICOTOMIAS URBANAS

 

No estudo da sociologia e do urbanismo existem algumas constatações que são importantes e servem de referência para a tarefa de planejar uma cidade. O cidadão tem basicamente dois ambientes em que desenvolve a sua vida. Uma parte dela se dá no espaço público, comum a todos e a outra no espaço privado, do seu estrito domínio. A linha que separa o público do privado é muito tênue, em geral separados por linhas, muros, paredes ou barreiras. Na ótica do urbanismo, em geral, apenas a parte do espaço público é abordado de forma mais enfática, técnica e estruturantes deixando ao espaço privado apenas algumas regras de ocupação espacial.

 

O espaço público, por sua vez, apresenta uma dicotomia similar ao da vida privada ou pessoal. Um indivíduo normal tem necessidade de relações de comunicação ou interação com outros indivíduos e, outras vezes deseja o isolamento. Assim, o cidadão, no espaço público, exerce ou necessita de espaços de interação e comunicação como expressão das relações sociais e, por outro lado, deseja espaços para a tranqüilidade, o silencio, o relaxamento, o contato com a natureza que o conduz ao isolamento.

 

Quando uma cidade se torna muito compacta, densificada ou excessivamente multifuncional corre alguns riscos de cercear o cidadão destes desejos. O modelo, fruto de pressões especulativas ou de políticas mal interpretadas, pode determinar mudanças neste conceito. A tendência atual do urbanismo reavalia a dispersão da ocupação territorial urbana com propostas e estratégias novas voltadas a definir melhor as identidades de determinados sítios, oportunizando os pontos positivos destas situações fortalecendo as oportunidades das relações sociais em conjunto com a necessidade de isolamento. Por algum tempo as soluções para a ocupação urbana propunham o crescimento ocupacional em área mais ou menos centrais, com usos para atividades eminentemente terciárias, tendo como resultante uma forte migração interna na medida em que as atividades econômicas afujentam os residentes, destituindo estes lugares de suas identidades.

 

Se a cidade se produz e se sustenta de relações sócio-econômicas, se faz necessário entender melhor, no seu planejamento, como os negócios controlam o desenvolvimento territorial e impactam nas relações das pessoas entre si e com o meio em que vivem. Desta compreensão será mais fácil definir as proporções entre a edificação e o espaço público que resultem num equilíbrio para a qualidade de vida. É necessário regular ou corrigir a compactação ou a dispersão da ocupação urbana e, isto pressupõe muitas análises. Delas devem-se extrair as formulas que evitem os excessos negativos que podem gerar más disfunções ou o desvirtuamento da lógica do desenvolvimento sustentável.

 

Quais são as regras ou fórmulas para a correção das disfunções urbanas que devem ser tomadas ou ainda, onde estão os pontos de equilíbrio entre a cidade compacta e a cidade dispersa? No ambiente privado isto se reproduz entre a proporção de áreas íntimas e as áreas de lazer ou sociais. Nas cidades, esta proporção deve ser detectada segundo suas particularidades ambientais e características morfológicas adequadas ao espaço necessário para a cidade desenvolver suas atividades econômicas, às edificações e aqueles espaços ditos verdes e livres.

 

Observa-se em geral que a compactação do tecido urbano reflete em déficit de espaços verdes e livres, representados por aqueles que estão num raio não superior a 250 metros do local de moradia. Na cidade compacta os automóveis e as demandas por áreas de carga e descarga ocupam de 60 a 70% do espaço público, produzindo uma incrível dispersão de energia resultante do tráfego, poluição sonora e atmosférica, geração de acidentes e um resultado paisagístico sempre duvidoso. Percebe-se nestes lugares que o espaço urbano público passa por um profundo constrangimento produzido pelos usos e funções da compactação.

 

A especulação imobiliária, por sua vez, exerce grande responsabilidade nesta redução dos espaços de relação social e de relação com o meio ambiente. A tranqüilidade, o verde, os espaços públicos de sociabilidade dão lugar aos ambientes edificados, cada vez mais fortificados e cada vez artificiais, transbordando suas disfunções para o espaço residual que é público.

 

Se a cidade e quem nela vive deseja reconquistar seu equilíbrio e melhor relação de interação social x privacidade, deve se preocupar em produzir um modelo de reconquistar o equilíbrio dos espaços públicos e privados, num foco de ampliar o benefício social, econômico e ambiental. Deve prever a ampliação dos espaços de relações sociais, de relação com a natureza, com a tranqüilidade (segurança). Isto significa estabelecer um maior equilíbrio na relação do espaço comum com os espaços construídos e seus usos. As soluções recentes na vanguarda do urbanismo, preocupam-se com a imagem da cidade, especialmente no resgate e na definição das identidades e o modelo de cidade futura se fará, em parte, repensando os usos, qualificando as atividades econômicas para priorizar a qualificação da vida e do meio ambiente.

 

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