VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

23

de

outubro

O BOM EXEMPLO DE BLUMENAU

Um novo jeito de enfrentar o trânsito
 
Matéria na Folha de Blumenau publicada na edição 317, no dia 24-09-2009

 A garoa fina que caiu na manhã do dia 22 de setembro não foi suficiente para cancelar a inauguração das estações de bicicletas para aluguel em Blumenau. Pouco mais de 20 ciclistas, entre eles o prefeito João Paulo Kleinübing, o vice Rufinus Seibt, vereadores e secretários municipais participaram do passeio inaugural do sistema, o primeiro instalado em uma cidade da região Sul e segundo do País – apenas o Rio de Janeiro tem o projeto, implantado em dezembro de 2008.

A data para a inauguração da locação de bicicletas foi especialmente escolhida, 22 de setembro é o “Dia Mundial Sem Carro”. O grupo de ciclistas percorreu um trecho de 6,5 quilômetros, saindo da Prefeitura, passando pelo Galegão, Furb e retornando à Prefeitura pelas ciclofaixas que integram o sistema na região central, em pouco mais de 30 minutos. Em cada ponto, parava para verificar a condição das estações.

Em meio ao percurso, uma série de acenos e palavras de incentivo. “As pessoas foram muito receptivas e mostraram simpatia à ideia. Tem tudo para dar certo”, entusiasma o prefeito, garantindo que 130 pessoas já se cadastraram para utilizar as bicicletas.

Ampliação

O secretário de Planejamento Urbano, Walfredo Balistieri, informa que o Município aguarda a liberação do empréstimo de R$ 45 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com quatro anos de carência e seis para o pagamento, destes, aproximadamente R$ 2,5 milhões serão aplicados no sistema cicloviário, que deve saltar dos 12 quilômetros integrados para pouco mais de 40 quilômetros. “Nossa intenção é chegar aos 40 quilômetros ainda no próximo ano, integrando ao atual sistema às faixas já instaladas na Vila Nova, Água Verde, Velha e demais bairros da redondeza”, revela, apostando no aumento do número de estações de bicicletas de aluguel na cidade. A expectativa da Prefeitura é concluir o traçado até 2012.

Como Funciona

Cadastro e Compra

• O cadastro deve ser preenchido no site www.mobilicidade.com.br
• Os planos e os valores dos créditos variam de diário (R$10,00), por três dias (15,00), semestral (R$ 50,00) e anual (R$ 100,00).
• A compra só pode ser feita a partir de terça-feira (2)

Uso da bicicleta

• Numa das seis estações instaladas – Terminais da Proeb e da Fonte, Shopping Neumarkt, Ginásio do Galegão, Prefeitura e Furb - o usuário deve solicitar a liberação da bicicleta escolhida, ligando do celular para o número 4052-0210.
• Após fornecer a senha cadastrada e identificar a bicicleta escolhida, o veículo é liberado.
• Os primeiros 30 minutos de uso são gratuitos. Passados 60 minutos, são descontados R$ 3,00 de crédito. Aos 90 minutos, o valor sobe para R$ 7,00. Para 120 minutos, o desconto é de R$ 11,00. Acima de 150 minutos, o custo é de R$ 15,00.
• Por meio do celular, é possível consultar o saldo e verificar a estação mais próxima a qualquer momento, ligando para 4052-0210.
• No final do processo, o usuário pode devolver a bicicleta em qualquer uma das seis estações, que vão operar das 6h às 22h.
• As bicicletas são feitas de alumínio e produzidas no Brasil. A altura do assento é ajustável e possui câmbio de seis marchas

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21

de

outubro

YIKE BIKE - Legal Mas Precisa de Calçada.

Neste momento onde se buscam uma revolução na tecnologia para a mobilidade urbana surge a Yike Bike, um produto de design australiano movida a eletricidade que amplia as opções disponíveis para aqueles que se recusam ainda a pedalar mas que estão sensibilizados com a necessidade de descongestionar as cidades.

clique e assista o vídeo:  yikebike

 

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19

de

outubro

SEMAFORIZAÇÃO - JOINVILLE

SEGUINDO A LINHA DAS FANTÁSTICAS SOLUÇÕES ADOTADAS PELO IPPUJ PARA RESOLVER OS GRAVES PROBLEMAS DE MOBILIDADE URBANA, EM ESPECIAL PARA O CAÓTICO TRÂNSITO DA CIDADE DE JOINVILLE, CUJA SOLUÇÃO É SEMPRE AS FAMOSAS "SINALEIRAS" OU SEMÁFOROS, PARECE QUE FOI DESENVOLVIDA UMA NOVA TECNOLOGIA QUE DEVERÁ RESOLVER TODOS OS PROBLEMAS DO TRÂNSITO LOCAL. SE NÃO FUNCIONAR, PELO MENOS TEREMOS UMA BOA SOLUÇÃO PARA A DECORAÇÃO DE NATAL.

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16

de

outubro

JUAREZ MACHADO EM “BICICLETANDO”.

CAPTEI ESTA POSTAGEM NO BLOG AO QUAL REPRODUZO:

http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/2008/09/25/juarez-machado-apoia-a-bicicletada-de-curitiba/


O artista plástico Juarez Machado por meio de uma carta (em anexo),afirma que, se não estivesse em Paris, estaria presente à inauguração do bicicletário do Museu Oscar Niemeyer, que ocorreu no dia 27 de setembro de 2008

Carta de Juarez Machado:

“Sou completamente, de todo o meu coração, a favor da Bicicletada. (pessoalmente prefiro o nome bicicletando, mais romântico).

Nascido em Joinville, passei toda a minha infância e adolescência em cima de uma bicicleta. Foi e ainda é o grande tema de meus desenhos, pinturas e esculturas. Quando me falta inspiração, desenho uma bicicleta. Tornou-se para mim um símbolo de tempo, de prazer e de amor. Minha relação com ela é de namorado, a bicicleta para mim é feminina. Tem curvas, elegância e beleza de uma jóia no fino pescoço de uma dama.

 Depois cresci, tive vários automóveis. A maioria, conversíveis e com rodas raiadas.  Talvez tenha tentado não trair completamente a minha relação com a bicicleta em troca do carro. Porém, ao mesmo tempo tinha as minhas bicicletas tanto no Brasil como em Paris.

 Quando fiz 60 anos prometi a mim mesmo um especial presente de aniversário. Peguei as chaves do carro, fui (a pé) até a casa de um amigo e dei o carro de presente ao seu filho que faria 18 anos em alguns dias. Voltei para casa feliz e rasguei a minha carteira de motorista.

 Penso que foi uma atitude bastante sabia de um senhor de meia-idade (quantas pessoas você conhece com 120 anos?). Penso também que deveria ser lei a carteira de motorista perder a validade com 65 anos de idade. Bem como ser recolhido todo automóvel com mais de 10 anos. A fábrica que compre o ferro velho.

Agora tem a lei seca. Muito bem, mas nunca vi um bêbado a pé atropelar alguém e matá-lo. O que mata é o carro e não o bom vinho. Bem, deixa pra lá. Voltamos a falar da querida bicicleta, o máximo que pode acontecer é você cair e quebrar os dentes.

 Faz muito tempo que não tenho mais carro, já beirando os meus 68 anos de idade, tenho duas preciosidades de bicicleta. Uma que a própria Caloi desenhou para mim. Esta está no meu apto. em Copacabana. Saio com ela todos os dias.

 A outra, uma pérola, que uso em Paris. As duas só me dão alegrias. Outro dia, subi pedalando até o alto de Montmartre, Basilica de Sacre-Coeur. O ponto mais alto de Paris. Gostaria de lá ter uma placa dizendo: Aqui, em 2008, chegou pedalando o primeiro brasileiro - Juarez Machado. Dando início ao novo tempo da inteligência humana”. Falo isto porque lá já tem uma placa que diz: “Aqui, no ano de 1800 e qualquer coisa, chegou nesta colina numa máquina movida a petróleo – o Monsieur Peugeot. Dando início à indústria automobilística francesa”.

 Bem, acho que já falei o bastante da minha paixão pela bicicleta, sem falar das centenas de miniaturas que tenho em minha coleção.

 Obrigado, fica aqui o meu abraço e até breve,

Juarez Machado”.

 

5

de

outubro

BLUMENAU NA VANGUARDA

CLIQUE ABAIXO E VEJA:

http://www.mobilicidade.com.br:80/

22

de

setembro

CIDADE SEM MEU CARRO

Tudo começou em 1998 na França. Observando o sucesso deste evento, outros países introduziram também esta proposta para mudança de comportamento das pessoas nos seus deslocamentos urbanos. Este ano, mais de 1900 cidades ao redor do mundo irão comemorar oficialmente este dia propondo à população deixar o carro em casa. Estima-se que 14 milhões de automóveis deixarão de circular economizando 430 milhões de litros de combustíveis fósseis (gasolina, óleo diesel e gas) deixando de colocar na atmosfera 18 mil de toneladas de CO2.

 

Mas qual é o objetivo da: A CIDADE SEM MEU CARRO! ?

É simples: 22 de setembro de cada ano (algumas cidades as datas são outras), a maioria das cidades participantes proíbem os automobilistas circularem em determinadas ruas da cidade. Ao mesmo tempo é feito um convite para todos os cidadãos que não usem seu carro neste dia.

 

Mas se temos que ir à escola, ao trabalho ou em outro lugar? Exatamente! É o dia perfeito para incentivar a utilização para os modos de transporte alternativos, ou seja, o caminhar, o ciclismo, o transporte coletivo, etc. 

Muitas cidades disponibilizam transporte público gratuíto, como é o caso de Quebec no Canadá, ou ofertas especiais nas modalidades de transporte coletivos ou não poluentes como as bicicletas de aluguel.

 

Então, na verdade, o principal objetivo deste dia é a luta contra a poluição atmosférica, contra o ruído mas também incentivar formas mais saudáveis para se deslocar nas cidades, evitando o stress e contribuir para uma saúde melhor. Além disso, é explicar às pessoas que se todos fizerem a sua parte, será possível obter uma melhor qualidade de vida nas cidades. 

Participe, não apenas hoje!

 

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18

de

setembro

ROTATÓRIAS

Capa do Material distribuído em Vitória-ES

 

Porque não usamos em Joinville as rotatórias para resolver os vários problemas dos nossos entroncamentos viários? Boa Pergunta, não é? O que é uma rotatória afinal? Como diria Bob Charp, é simplesmente uma maneira inteligente de evitar: um cruzamento; um semáforo e um obstáculo natural à velocidade se existirem várias ao longo de uma avenida.

 

Aproveito para citar que parte dos cruzamentos mais importantes das cidades planejadas brasileiras usa largamente as rotatórias, como é o caso de Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Londrina e Maringá. Em Vitória, as mini-rotatórias tem um jardim que embeleza a área central.

 

Ouvi de alguns leigos que nas rotatórias os ônibus e caminhões tem dificuldade para conversão. Como resposta, indico visitar a Itajaí, cidade próxima onde os mais importantes entroncamentos da cidade foram resolvidos com rotatórias, lembrando que em alguns deles trafegam aproximadamente 3,5 mil caminhões de transporte de contêineres por dia. 

Importante ainda é destacar que nas rotatórias são baixos os índices de acidentes já que elas diminuem a velocidade do transito sem a necessidade de interrupção do fluxo como fazem os semáforos ou o desconforto de quebra molas (tachões).  Rotatórias permitem conversões sem problemas de conflitos com fluxos contrários e, nas horas de pouco transito, principalmente à noite, o motorista não tem que esperar o sinal abrir, pois é à hora apropriada para assaltos. Veja outras informações importantes sobre as rotatórias:

  

- Na França existem 30.000 rotatórias, um terço de todas as existentes no mundo; As rotatórias diminuem a emissão de poluentes em 42% (já que você não precisa ficar parado e arrancar novamente); As rotatórias poupam 760.000 litros de gasolina, somente no estado da Virginia. Em Kansas, as rotatórias diminuíram o tempo de engarrafamento no trânsito em 65%, em média.

 

Mini-rotatória - Vitória/ES

 

Rotatória ou a mini-rotatória é uma solução barata, que requer baixa manutenção, reduz a poluição e ainda poupa energia. Nada mais eficiente e verde do que uma rotatória.

 

Mini-rotatória - Belo Horizonte

 As poucas rotatórias que dispomos precisam ser revistas e adequadas a uma nova geometria que permita condições de segurança ao pedestre e aos ciclistas, geralmente são resolvidas com farta sinalização horizontal, vertical e programas educativos de trânsito. 

 

Onde colocá-las? Eu poderia indicar muitos lugares em Joinville para implantar a rotatória como uma opção para solução do trânsito, mas tem gente sendo paga com dinheiro público para fazer isto. O que não pode é ficar do jeito que está, onde o semáforo virou alternativa única, menos para o trânsito.

26

de

agosto

A Cidade e Seus Modos

A redefinição de modos de viagem nas cidades tornou-se uma questão fundamental para a próxima década. A cidade precisa fazer esta leitura de forma rápida para entender e adaptar-se às novas formas de mobilidade eficientes e confortáveis. Os modos de transporte do século XXI serão peças fundamentais nas estratégias do desenvolvimento urbano. A crise do petróleo deixou de ser o golpe da elevação de preços e passou a ser o golpe para o mito, de que o carro é a solução, da elevação do status quo à geração de empregos ou ainda como pilar da economia.

 

Agir rapidamente para recuperar o tempo perdido nas cidades brasileiras é muito mais do que semântica, é a mais importante estratégia de mudança que poderá garantir um desenvolvimento durável, sustentável e com alto nível de competitividade.

 

Estar num meio de transporte é o cotidiano para quase a totalidade das pessoas. Se de bicicleta, ônibus, trem ou até mesmo avião, cada um desses meios de transporte corresponde a uma classe de distância, usuários variados e finalidades distintas de viagens. O sistema de ônibus deve ser repensado, renovado, utilizando veículos mais confortáveis, limpos, silenciosos e eficientes. Os centros urbanos poderão ser pensados para serem acessados por pequenos ônibus, híbridos ou elétricos, gratuitos buscando e (re)conquistando um novo público. O número de passageiros por qualquer sistema coletivo deverá aumentar em detrimento do transporte individual por carro. O sistema de transporte precisa pensar conexões entre as várias modais e tipos de viagens, sejam elas locais, regionais ou intermunicipais.

 

Precisamos debater o reencontro da cidade com modais que foram esquecidas, fazendo uma releitura para reavivar uma história de amor entre a cidade e a bicicleta, o trem, o barco ou quem sabe o bonde, que já fez parte do mapa de muitas cidades no transporte público. Vivemos um flagelo com cerca de milhares de novos veículos todos os meses - incluindo os 4×4 (para que?) – que entopem as áreas centrais e as ruas das cidades, um flagelo que tem subsídio do governo, ou melhor, um flagelo pago por todos.

 

Não são apresentadas soluções que se estendam para além do trânsito de veículos em sistemas viários desarticulados e mal planejados. Não é possível identificar planos para os pedestres ou para as bicicletas que proponham reduzir custos de deslocamento e redução para manutenção da infraestrutura.

 

Para além do lado lúdico e ambientalmente correto, não nos é permitido imaginar uma cidade sem poluição, com poupança significativa de tempos, melhorando a saúde da população – a mesma que interpreta a cidade do futuro em sua dimensão multicultural. A cidade, para continuar habitável, respirável e competitiva deverá inverter suas prioridades. Intervindo nos modos de viajar, implantando novas rotas para a multimodalidade sem ficar refém do automóvel, será a maneira da cidade fazer a sua revolução cultural.

 

Esta crônica foi inspirada a partir da minha cidade.

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