VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

27

de

outubro

VERTICALIZAR, PARA QUEM?

Um fator que pouca gente percebe e que nos últimos anos toma conta de Joinville é a pressão pela verticalização das nossas construções em bairros tradicionais, especialmente para fins de moradia de médio e alto padrões, motivadas pelo grande apelo da qualidade ambiental e urbana que estes sítios sugerem. O propósito é usar este predicado como apelo de venda para novos empreendimentos imobiliários.

 

A qualidade destes locais foi conquistada ao longo de décadas, mantendo as áreas residenciais unifamiliares com o predominío de jardins arborizados e floridos (que nos conferiram o tíltulo de "Cidade das Flores") e de uma certa vida pacata, característica dos lugares bucólicos. Se permitidas as alterações propostas, iremos transformar estes locais num amontoado de construções, sintetizadas por prédios de apartamentos que eliminarão as qualidades dos bairros mais bucólicos.

 

A cada nova construção, áreas verdes serão suprimidas, edificações antigas serão demolidas, eliminar-se-ão os jardins, as árvores, a condição de insolação e a permeabilidade do solo. Após serem ocupados e descaracterizados da qualidade que hoje dispõe, os especuladores buscarão outro  novo território, até que eles se acabem. 

 

Sem a menor cerimônia, a memória e a ambiência dos bairros residenciais de Joinville vem sendo destruídas. A preservação deste equilíbrio muito sensível entre áreas construídas, áreas verdes, áreas de passeios com sombreamento e a tranquilidade peculiar nestes sitios, são absolutamente necessários em qualquer cidade do mundo.

 

O processo de ocupação indiscrimanda de áreas residenciais para atender a interesses imobiliários fazem, há muito, Joinville perder suas referências da memória da construção urbana formadora da nossa identidade. Rapidamente, a nossa memória vai sendo demolida por conta de novas construções, num modelo de reprodução volumétrica rudimentar, carente de soluções inovadoras e sustentáveis que apenas se diferenciam  pelo revestimento externo, sem agregar valor, salvo aos que especulam. Já a questão ambiental é ainda mais preocupante, pois sem qualquer estudo que avalie os impactos deste modelo de ocupação sobre o terrítório urbano, não se o resultado, por exemplo, da mudança da dinâmica dos ventos que refrescam a cidade, da redução de insolação direta que é necessária para manter a vida.

 

O nosso modelo de ocupação urbana suprime grande parte da massa vegetal, que é praticamente toda privada, onde o poder público colabora com a supressão de árvores em vias urbanas. Adicionalmente, geramos maior aquecimento, maior poluição, provocada por uma nova horda de automóveis e, o excesso de concreto aprisiona o mormaço.

 

Este contexto segue ignorado pelo poder público, sempre muito displiscente com as nossas heranças culturais, arquitetônicas, ambientais e sociais, formadores da nossa identidade. Ao aceitar verticalizar áreas da cidade que apresentam singela harmonia entre o ambiente natural e o construído, o poder público colabora com o aumento da segregação socio-espacial, reduzindo as possibilidades de maior coesão social, característica que é relevante nos bairros residenciais unifamiliarres.

 

Dispomos de uma porção significativa do território urbano passível de verticalização, especialmente nas chamadas "áreas frias" próximas ao centro histórico e aos eixos viários, que deveriam ser ocupados, pois hoje estão em franca depreciação ou sob o domínio de especuladores. Sem políticas públicas para estes locais, geramos uma perda significativa de qualidade de vida urbana. São milhões de metros quadrados de terrenos baldios ou subutilizados, já passíveis de verticalização, que o "não-planejamento" ignora. 

 

Ao adotar o mesmo discurso  do segmento imobiliário especulativo, que ameja maiores lucros sem retribuir com qualquer medida compensatória ou mitigadoras para os grande probelmas urbanos, o poder público transparece como agente de um balcão de negócios. O modelo praticado em Joinville, sempre muito afeito a atender com extrema eficácia o poder econômico e especulativo, nos destituí de um modelo de desenvolvimento sadio e durável. Insistem em investir somente na cidade formal, na parte dita “moderna” e oficial (shoppings-centers, infra-estrutura para empreendimentos privados ou edifícios destinados às classes mais abastadas, nas vias para os automóveis, etc.) sendo ineficiente  na parte informal, que necessita de postos de saúde, escola, melhoria nas habitações, saneamento, passieos pavimentados para caminhar, arborização para se proteger, transporte eficiente e barato para se deslocar, geração de oportunidades de emprego e renda para se manter, etc.

 

Cito aqui dois exemplos explícitos: O primeiro quando o Poder Público asfaltou 2 km de vias, que a rigor já estavam pavimentadas, no entorno de um grande supermercado próximo ao cemitério municipal atendendo aos interesses do grande empreendedor e seus clientes enquanto com este mesmo recurso seria possível edificar 45 habitações dignas,  um posto de saúde ou uma nova creche. O segundo quando o mesmo poder público acelerou um porcesso de alteração de socemanto para atender um shopping center, sem estudos mais apurados e sem qualquer medida compensatória ou mitigadora.

 

Estas ações demonstram a inexistência de um planejamento reconhecido e, se suporta num discurso equivocado de que a infra-estrutura disponível (qual infra-estrutura?) é suficiente para justificar a verticalização, ignorando fatores históricos, ambientais ou padrões de ocupação urbana que deveriam pressupor maior coesão social. Seguimos apenas gerando maior segregação (separação) espacial e, a famigerada verticalização dos bairros residenciais, demonstra que não dispomos de controle da dinâmica ocupacional urbana com parâmetros de avaliação reconhecidos sobre a falta de espaços disponíveis à moradia ou aos empreendimentos comerciais. Enfim, nosso modelo de urbanismo é clientelista e enfadonho.

 

É impossível esperar que uma sociedade como a nossa, radicalmente desigual e autoritária, baseada em relações de privilégio e arbitrariedade, possa produzir cidades que não tenham essas características”. (MARICATO, 2001, p. 51)

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21

de

outubro

AEROPARK - UMA PROVOCAÇÃO SADIA

Nas décadas de oitenta e noventa, mas aindo hoje, algumas cidades alemãs projetaram complexos industriais ou de eventos em áreas onde haviam antigos e ultrapassados aeroportos. O empreendimento mais conhecido é onde hoje funciona a Messe München, ou a Feira de Munique na Baviera. Um antigo aeroporto foi transfomado num grande complexo de exposições, convenções, prestação de serviços, hotelaria de negócios e um complexo para empresas de desenvolvimento tecnológico.

MESSE MUNICH (área onde havia um aeródromo)

Inspirado nesta lembrança e nas recentes polêmicas que envolvem o aeroporto de Joinville, faço então uma provocação dentro da atual lógica presente nesta importante cidade do Nordeste de Santa Catarina, onde de alguns anos para cá reina o espírito superlativo-megalomaníaco, cuja proposta seria transformar o atual aeródromo num parque tecnológico, local onde poderia, sem muitos investimentos em aterros e infra-estrutura, ser implantado o desejado campus da UFSC, talvez também o da PUC ou ainda outros que aqui vierem a se instalar. Ali poderíamos sonhar com outras grandes obras como um complexo esportivo, uma arena (de verdade), um centro e convenções (de verdade), uma área para encubar empresas de desenvolvimento tecnológico, um moderno hospital universitário, áreas de hospedagem para estudantes e visitantes, etc., etc., etc..

Certamente deste empreendimento teríamos melhores dividendos econômicos e sociais além de transformar aquela nobre e mal aproveitada região num grande centro de inteligência acoplada ao distrito industrial, grande centro produtor, consumidor e promotor de desenvolvimento tecnológico. Como parte da recompensa não haveria a necessidade de derrubar 130 mil metros quadrados de mata nativa além de uma expressiva contribuição para reduzir o "Custo Brasil", eliminando o desperdício de recursos para manter um aeroporto que não funciona, está mal localizado dentre outros problemas.

Poderíamos em contrapartida pensar num eficiente sistema de transporte até o aeroporto de Curitiba ou mesmo Navegantes, bastando para isto perder um pouco da empáfia e do bairrismo de querer ter um aeroporto próprio quando ele se mostra desnecessário, resultado da sua inegável inoperância e falta de confiabilidade.

Hoje, as grandes e modernas metrópoles do mundo têm seus aeroportos às margens da cidade, noutros municípios, distantes cerca de trinta minutos ou uma hora, nos horários de pico. É o tempo que levamos ao aeroporto de São José dos Pinhais ou de Navegantes, quase o mesmo tempo que levam os curitibanos e blumenauenses para chegar aos mesmos aeroportos. Em contrapartida teríamos algo em que nos orgulhar, um pólo tecnológico de primeiro mundo.

Pelo sim ou pelo não, nada custa incentivar nossas mentes brihantes a conjecturar sobre esta idéia que alguns terão por piada, outros como provocação e poucos como uma conveniente possibilidade. Eis então alguns rabiscos.

AEROPORTO JOINVILLE

PROPOSTA DE OCUPAÇÃO

PARQUE TECNOLÓGICO - AEROPARK (nome de sugestão)

imaginando a proposta…

18

de

setembro

ROTATÓRIAS

Capa do Material distribuído em Vitória-ES

 

Porque não usamos em Joinville as rotatórias para resolver os vários problemas dos nossos entroncamentos viários? Boa Pergunta, não é? O que é uma rotatória afinal? Como diria Bob Charp, é simplesmente uma maneira inteligente de evitar: um cruzamento; um semáforo e um obstáculo natural à velocidade se existirem várias ao longo de uma avenida.

 

Aproveito para citar que parte dos cruzamentos mais importantes das cidades planejadas brasileiras usa largamente as rotatórias, como é o caso de Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Londrina e Maringá. Em Vitória, as mini-rotatórias tem um jardim que embeleza a área central.

 

Ouvi de alguns leigos que nas rotatórias os ônibus e caminhões tem dificuldade para conversão. Como resposta, indico visitar a Itajaí, cidade próxima onde os mais importantes entroncamentos da cidade foram resolvidos com rotatórias, lembrando que em alguns deles trafegam aproximadamente 3,5 mil caminhões de transporte de contêineres por dia. 

Importante ainda é destacar que nas rotatórias são baixos os índices de acidentes já que elas diminuem a velocidade do transito sem a necessidade de interrupção do fluxo como fazem os semáforos ou o desconforto de quebra molas (tachões).  Rotatórias permitem conversões sem problemas de conflitos com fluxos contrários e, nas horas de pouco transito, principalmente à noite, o motorista não tem que esperar o sinal abrir, pois é à hora apropriada para assaltos. Veja outras informações importantes sobre as rotatórias:

  

- Na França existem 30.000 rotatórias, um terço de todas as existentes no mundo; As rotatórias diminuem a emissão de poluentes em 42% (já que você não precisa ficar parado e arrancar novamente); As rotatórias poupam 760.000 litros de gasolina, somente no estado da Virginia. Em Kansas, as rotatórias diminuíram o tempo de engarrafamento no trânsito em 65%, em média.

 

Mini-rotatória - Vitória/ES

 

Rotatória ou a mini-rotatória é uma solução barata, que requer baixa manutenção, reduz a poluição e ainda poupa energia. Nada mais eficiente e verde do que uma rotatória.

 

Mini-rotatória - Belo Horizonte

 As poucas rotatórias que dispomos precisam ser revistas e adequadas a uma nova geometria que permita condições de segurança ao pedestre e aos ciclistas, geralmente são resolvidas com farta sinalização horizontal, vertical e programas educativos de trânsito. 

 

Onde colocá-las? Eu poderia indicar muitos lugares em Joinville para implantar a rotatória como uma opção para solução do trânsito, mas tem gente sendo paga com dinheiro público para fazer isto. O que não pode é ficar do jeito que está, onde o semáforo virou alternativa única, menos para o trânsito.

4

de

setembro

IDÉIAS 2 - AINDA SONHANDO

Seguem mais algumas imagens que fiz na linha de propor idéias para Joinville. São todas (inclusive as anteriores) ilustrativas, montagens que servem para ativar o imaginário, para angariar adeptos ou críticos porém num único propósito de oferecer idéias para uma cidade que encontra-se tão carente, especialmente de rpopostas diferentes, distantes da mesmice em que estamos mergulhados. Vão ter outras…aos poucos vou ocupando este espaço para reproduzi-las e, talvez, de outros que se proponham a fazer o mesmo, ou diferente.

Na linha de tirar prédios que enfeiam nossa cidade (o do INSS, da antiga delegacia de polícia, da secretaria de educação, abrindo espaço para esquipamentos públicos e para um novo sistema de transportes é que se colocam estas idéias. Lá onde hoje está o terminal podem ser propostas muitas coisas boas para nossa cidade.

Estou, neste momento, na linha da gentrificação do centro histórico da cidade, correndo alguns riscos mas, certamente, menores que os atuais.

 vista de uma nova área central

Vista Geral

Vista da proposta de passarela em frente a Prefeitura

Vista da proposta de uma estação de transbordo e da uma ponte para o binário da Beira Rio

Vista da estação de transbordo - um olhar da passarela proposta para ligar o Paço Municipal a Área Central

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3

de

setembro

ALGUMAS IDÉIAS

 

ALGUMAS IDÉIAS PASSAM PELA MINHA CABEÇA SOBRE COMO QUALIFICAR O CENTRO E, AO MESMO TEMPO OFERECER EFICIÊNCIA NO TRANSPORTE URBANO. POR EXEMPLO:

  • PROPONHO RETIRAR AQUELE PRÉDIO VERDE DO INSS QUE FICA NO CAMINHO DO RIO CACHOEIRA;
  • PROPONHO RETIRAR O ANTIGO PRÉDIO DA CADEIA PÚBLICA
  • PROPONHO RETIRAR O PRÉDIO DA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO;
  • PROPONHO INCORPORAR O TERRENO DA SOCIEDADE CRUZEIRO.

ENTÃO O QUE FAZER:

  • AMPLIAR A PONTE DA 9 DE MARÇO QUE CAUSA UM FORTE ESTRANGULAMENTO DO RIO CACHOEIRA E COM ISTO REDUZIMOS A COTA DE ENCHENTE NA ÁREA CENTRAL EM 50 CM.
  • IMPLANTAR UMA ESTAÇÃO DE TRANSPORTE AO LONGO DA BEIRA RIO ONDE ANTES ESTAVAM OS PRÉDIOS QUE SUGIRO DEMOLIR;
  • FAZER UM ESPAÇO CIDADÃO QUE IRÁ DE ONDE HOJE ESTA O TERMINAL CENTRAL ATÉ A PREFEITURA JUNTAMENTE COM UMA BELA PASSARELA SOBRE O RIO.

TEM MAIS, MAS VAMOS DE LEVE…

HOJE

COM AS MUDANÇAS (percebam que os prédios que falei sumiram)

UMA NOVA ESTAÇÃO DE PASSAGEIROS O TEATRO MUNICIPAL (sonho meu) E A PASSARELA

A NOVA ESTAÇÃO DE PASSAGEIROS

COMO FAZER? - AÍ JA É DEMAIS…..MAS EU TENHO UMA SOLUÇÃO

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1

de

setembro

IMAGENS DE JOINVILLE - ANTIGAS

Palacete Niemeyer - 1905

Vista Centro Joinville - Praça Lauro Muller

Vista Rua do Principe em frente a Praça Lauro Muller

Inauguração da Lojas Millium - Rua do Príncipe - Década de 70

Rua do Príncipe - Década de 60

Terminal Urbano - Década de 70

31

de

agosto

TERMINAL OU NÃO TERMINAL - EIS A QUESTÃO!

 

 

As informações que circulam sobre o terminal central estão mais para a defesa de interesses do que pensar o bem estar de Joinville. Ao longo dos últimos 10 anos nosso sistema de transporte perdeu passageiros muito acima das cidades de seu porte. “Pseudo-verdades" levadas ao público me levam a pensar que estamos no caminho da inviabilidade do sistema de transporte tendo por base os dados do número de passageiros e dos investimentos realizados nos últimos 6 anos. Sofremos do mau hábito de manipular informações que induzem usuários e comerciantes a pensarem que serão prejudicados com mudanças estruturais.

Um sistema de transporte eficiente é importante para qualquer cidade, para qualquer economia no mundo, sendo hoje uma peça chave na sustentabilidade das cidades. A eficiência de um sistema de transporte passa por um complexo planejamento de serviços, equipamentos e tecnologias que atendam aos mais diversos desejos de viagem, tipologias de passageiros e estratégias de ordenação urbana. Deve ser pensado com inteligência e de forma participativa, transformando-se num forte vetor de desenvolvimento e justiça social.  No nosso modelo de transporte público passageiros não são proprietários, são servidos por terceiros, mediante concessão pública, uma concessão que deveria estar sob o atento planejamento, gestão e controle do poder público.

 As controvérsias ou defesas de interesses recentes mostram que o serviço precisa urgentemente de um novo marco regulatório. Entre elas coloca-se o terminal central, edificado há mais de 30 anos que funciona como principal regulador da divisão operacional e num eficiente meio para a divisão da receita. A retirada do terminal central não visa eliminar o serviço de transporte público para esta área da cidade, ao contrário, a defesa desta proposta vem no sentido de qualificar a área central oferecendo aos usuários melhores opções de deslocamento direto e, principalmente, novas motivações para se deslocar ao centro. Sendo verdade que 60% dos usuários do terminal tem como destino o centro, é certo que eles se distribuem num raio superior a 1,5 Km, mas obrigados ao confinamento num único espaço. E como ficam os demais 40% que são forçados a passar pelo centro sem necessidade? Poderíamos reduzir os ônibus na área central em 40%? Talvez, mas é curioso como esta informação não é tratada, podendo explicar o crescimento de motos e carros de passeio na cidade. 

 

O centro fica abandonado 12 horas ao dia por falta de atrativos qualificados. Somos induzidos a pensar que a saída do terminal irá prejudicar o comércio, o mesmo que cerra suas portas de aço após as 19 horas, tornando o espaço ainda mais inóspito. Isto é apenas a ponta deste iceberg em que os donos do pedaço resistem em debater.

 

 

Em Tempo:

 

 

Carta encaminha por mim ao Jornal Notícias do Dia - não publicada.

 

Centro de Joinville

 

Se um terminal de ônibus é o principal sustentáculo ao comércio de uma cidade, Balneário Camboriú estaria falida. Exagero? Talvez, mas façamos uma viagem até Londrina, Maringá, Blumenau, Itajaí, Florianópolis, Ribeirão Preto, Uberlândia, Jaraguá do Sul e outras cidades do porte de Joinville para saber se no centro delas o terminal determina a vitalidade ou a qualidade do comércio. Não! O sistema de transporte é um serviço urbano importante para atender os desejos de viagem, também como instrumento ao ordenamento do território, podendo ter papel qualificador. Toda área central depende do transporte público, mas nunca de um terminal de ônibus, até porque não existem pesquisas e informações, com base científica,  que possam assegurar afirmações que se colocam no debate da qualificação do centro. Estas afirmações são, no mínimo, tendenciosa ou desestruturada. Passeios, iluminação, paisagismo, áreas cidadãs, prédios restaurados, salas de arte estão desconsideradas? Que tal um debate, um pouco além do monólogo!

26

de

agosto

A Cidade e Seus Modos

A redefinição de modos de viagem nas cidades tornou-se uma questão fundamental para a próxima década. A cidade precisa fazer esta leitura de forma rápida para entender e adaptar-se às novas formas de mobilidade eficientes e confortáveis. Os modos de transporte do século XXI serão peças fundamentais nas estratégias do desenvolvimento urbano. A crise do petróleo deixou de ser o golpe da elevação de preços e passou a ser o golpe para o mito, de que o carro é a solução, da elevação do status quo à geração de empregos ou ainda como pilar da economia.

 

Agir rapidamente para recuperar o tempo perdido nas cidades brasileiras é muito mais do que semântica, é a mais importante estratégia de mudança que poderá garantir um desenvolvimento durável, sustentável e com alto nível de competitividade.

 

Estar num meio de transporte é o cotidiano para quase a totalidade das pessoas. Se de bicicleta, ônibus, trem ou até mesmo avião, cada um desses meios de transporte corresponde a uma classe de distância, usuários variados e finalidades distintas de viagens. O sistema de ônibus deve ser repensado, renovado, utilizando veículos mais confortáveis, limpos, silenciosos e eficientes. Os centros urbanos poderão ser pensados para serem acessados por pequenos ônibus, híbridos ou elétricos, gratuitos buscando e (re)conquistando um novo público. O número de passageiros por qualquer sistema coletivo deverá aumentar em detrimento do transporte individual por carro. O sistema de transporte precisa pensar conexões entre as várias modais e tipos de viagens, sejam elas locais, regionais ou intermunicipais.

 

Precisamos debater o reencontro da cidade com modais que foram esquecidas, fazendo uma releitura para reavivar uma história de amor entre a cidade e a bicicleta, o trem, o barco ou quem sabe o bonde, que já fez parte do mapa de muitas cidades no transporte público. Vivemos um flagelo com cerca de milhares de novos veículos todos os meses - incluindo os 4×4 (para que?) – que entopem as áreas centrais e as ruas das cidades, um flagelo que tem subsídio do governo, ou melhor, um flagelo pago por todos.

 

Não são apresentadas soluções que se estendam para além do trânsito de veículos em sistemas viários desarticulados e mal planejados. Não é possível identificar planos para os pedestres ou para as bicicletas que proponham reduzir custos de deslocamento e redução para manutenção da infraestrutura.

 

Para além do lado lúdico e ambientalmente correto, não nos é permitido imaginar uma cidade sem poluição, com poupança significativa de tempos, melhorando a saúde da população – a mesma que interpreta a cidade do futuro em sua dimensão multicultural. A cidade, para continuar habitável, respirável e competitiva deverá inverter suas prioridades. Intervindo nos modos de viajar, implantando novas rotas para a multimodalidade sem ficar refém do automóvel, será a maneira da cidade fazer a sua revolução cultural.

 

Esta crônica foi inspirada a partir da minha cidade.

25

de

agosto

OFÍCIO AO MINISTÉRIO PÚBLICO

Recebi no início deste mês uma correspondência do Minsitério Público Federal dando conta que irá arquivar um processo administrativo que investigou possíveis irregularidades na mudança de zoneamento da área central de Joinville para atender ao projeto do novo prédio para a Justiça do Trabalho.

Para lembrar, a Câmara de Veradores fez uma audiência pública em 2 de agosto de 2007 para debater a pretensa da mudança de zoneamento em favor da Justiça do Trabalho. Este projeto de lei veio da Prefeitura, passou pela Comissão de Urbanismo da Câmara e foi para a audiência com direito a ampla defesa pelo IPPUJ e pela Justiça do Trabalho. A proposta foi colocada de forma simples  como se esta nova repartição pública não fosse gerar nenhum inconveniente ou problema de mobilidade naquele já confuso território da cidade. A propósito, fazem 2 anos que o assunto tramitou e só agora temos uma definição. Êta justiça brasileira!!!!!

Nós, cidadãos pagamos impostos para pagar os salários de juizes, promotores, procuradores, vereadores, administradores e toda ordem de funcionários do público para termos esta injustificada morosidade e desleixo. Mas diga isto a eles para ver o que te acontece!

Como de praxe, as audiências públicas não foram devidamente divulgadas, sem informação e sem publicidade ampla deste ato público e os seus objetivos. Não obstante a isto, a audiência tratava da proposta de mudança de zoneamento e, a Justiça do Trabalho já havia contratado o projeto e já havia desenvolvido a proposta sob uma norma que ainda não existia. O M.P. achou que isto não configura irreguaridade e propê o arquivamento.

Aqui em Joinville parece mesmo que estas coisas não tem importância. É só ir lá na Prefeitura, ser importante ou influente, ter dinheiro ou ser empresário que as coisas acontecem rapidamente. Vamos listar:

Shopping Center - Posto Temático- Campus no Alagado - Cemitério Vertical - Justiça do Trabalho, etc…etc…etc.

Não vejo o Ministério Público Federal de Joinville atuante como em outras cidades, especialmente quanto ao rigor na aplicação das leis que regem as políticas urbanas de ordenamento, de gestão democrática, de publicidade ampla dos atos públicos, etc. Assim foi nas leis que alteram indiscriminadamente o nosso zoneamento sem a possibilidade de defesa ou posição prévia da sociedade. Assim foi com o Conselho da Cidade que teve deslizes legais na sua formulação, na audiência pública que convocou a discussão de sua regulamentação e na Conferência da Ciadde que, por falta de ampla divulgação, não permitiu a representação da sociedade plural, espaço que lhe deveria ser garantido por lei. Que pena!

O Procurador da República deu-me 10 dias para manifestar algo sobre a decisão do arquivamento, decisão esta que, ao meu ver, é frágil, sem o habitual rigor o M.P. e  sem uma razoável sustentação legal.

Segue o ofício de resposta ao M.P., a quem interesar esta chatice.

oficio-da-justica-do-trabalho

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17

de

agosto

BONS TEMPOS

Em fevereiro de 1983 fui à Prefeitura de Joinville ter uma conversa com o Dílson Brüske que era o secretário de planejamento. Havia um ano que tinha me formado em arquitetura e urbanismo no Rio de Janeiro e, por um convite do Anselmo Moraes e José Carlos Vieira para trabalhar na Habit, voltei para minha cidade natal.

 

Na conversa com o Dílson, falei sobre meu desejo em trabalhar com planejamento urbano, colocando-me á disposição para um eventual chamado. Duas semanas depois o Brüske me chamou e disse: “O Seu Freitag quer conversar com você. Ele quer alguém que faça projetos para buscar dinheiro em Brasília, mas antes você vai fazer um curso no Rio de Janeiro, no IBAM.” Fui em seguida ao gabinete do prefeito para numa breve conversa com ele, o Prefeito. Ao sair, o Seu Freitag, com um misto de deboche e sisudez disparou: “quando o senhor voltar do curso espero que o cabelo esteja cortado.” (eu ainda tinha cabelo e comprido). Saí do gabinete direto para o exame médico ingressando na Prefeitura. Naquela época não havia concurso, a contratação era regida pela CLT. (era bom e não sabíamos).

 

Um ano depois, após concluir o curso de pós-graduação, retornei a Joinville assumindo a Divisão de Desenvolvimento Econômico e Social. Era o único arquiteto da prefeitura naquele momento. Dois meses depois, o Vieira era convidado para ser o secretário de planejamento no lugar do Dílson Brüske. Iniciou então um dos mais raros e bem sucedidos períodos para o planejamento da cidade. A foto retrata a equipe no início do ano de 1984. Naum Santana (geógrafo), José Carlos Vieira (secretário), Eliana Araujo (arquiteta), Eduardo Schroeder (arquiteto), eu Sérgio Gollnick, e o saudoso Alídio Poll (desenhista). Bons tempos.

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