VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

14

de

outubro

PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO - LEGADO COMUM A TODOS

Reproduzo parte do Manifesto de Amsterdam (outubro de 1975) onde mil delegados de 25 Países Europeus (ministros, arquitetos, urbanistas, eleitos locais, funcionários e representantes de associações) definiram os princípios da preservação e conservação para o patrimônio arquitetônico, manifesto este que foi adotado pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa, em 26 de setembro de 1975. 

 Assim, a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu, realizado em Amsterdã, de 21 a 25 de outubro de 1975. 

Dos considerandos:

 

(…) 

 

Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico, expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia, é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete, por consequência, a solidariedade efetiva dos Estados europeus;

 

Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende, em grande parte, de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físico-territorial e nos planos urbanos

 

(…)

 

O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual, cultural, econômico e social de valores insubstituíveis

  • Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias;
  • Qualquer diminuição desse capital é, portanto, mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada, mesmo por criações de alta qualidade;
  • Por outro lado, a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade;
  • Longe de ser um luxo para a coletividade, a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias.

A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades

  • Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades;
  • No passado, eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais;
  • Podem facilitar, de novo, uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações.

O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante

  • Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações;
  • Ora, a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. Importa, portanto, conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações;
  • A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e, especialmente pelas gerações jovens, que por eles serão responsáveis no futuro.

Esse patrimônio está em perigo

  • Ele está ameaçado pela ignorância, pela antiguidade, pela degradação sob todas as formas, pelo abandono;
  • Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação;
  • A tecnologia contemporânea, mal aplicada, destrói as antigas estruturas;
  • As restaurações abusivas são nefastas;
  • Afinal e principalmente, a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. 

    Eis alguns exemplos

NORMANDIA 1944 e 2008

  


Poderíamos apreender muito com uma simples leitura deste Manifesto, que na síntese estabelece enunciados e critérios que são universais para a preservação da cultura e da história de um povo através de sua arquitetura.

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30

de

setembro

CIDADE SENSUAL - PRIMEIROS ENSAIOS

A cultura urbana em que o homem instalou no século XX tomou uma nova dimensão neste novo século. cidades gigantes, com mais de dez milhões de habitantes estão espalhadas por todos os continentes. Metade da população mundial vive nas cidades, uma proporção que está em constante crescimento e que nos obriga a considerar outro ou, um novo modo de vida urbano. Esse crescimento desenfreado certamente não é sem conseqüências: ele causa problemas sociais e de funcionamento numa escala nunca antes vista, ameaçando não apenas os recursos do nosso planeta, mas também a vida coletiva nas cidades.

 

As grandes cidades de hoje vem sendo um produto da “International Planning” e soluções genéricas, onde a tecnologia é onipresente. São concebidas como uma infra-estrutura, um universo artificial, cheio de potencial, mas também cheio de restrições que o homem deveria o deve se adaptar mais do que se beneficiar.

 

A oposição nostálgica entre a cidade e a nação deixou de ser pertinente, a grande cidade de hoje passa a ser pensada num panorama nacional e global, conciliando-se com a natureza artificial e tentando reconciliar-se com o ambiente natural para se tornar um mundo harmonioso em que a tecnologia serve ao homem e não o inverso.

Dentro de novas vertentes de pensamento do urbanismo surge um novo conceito, de forma superior, que é a “Cidade Sensual”, numa abordagem do desenvolvimento sustentável como prioridade. Isto não tem haver apenas com a redução do consumo de energia ou de materiais, mas parte da idéia de criar um mundo urbano diferente onde as possibilidades tecnológicas, que nos parecem ser ilimitadas pela constante inovação e criação, venham a ser revertidas para uma mudança de postura da sociedade. É provável que as questões meramente técnicas do uso de combustíveis, do aquecimento, das energias renováveis, etc. - serão reguladas pela técnica em si. A questão é como será viver nas  cidades com todas estas inovações se o conjunto do tecido social ainda é arcaico ou insurgente quanto a distribuição do conhecimento e dos benefícios oriundo destas inovações marcada pelas restrições de setores corporativos ou políticos de domínio absoluto. A qualidade do mundo para se viver está em jogo - e não a sua apenas a sobrevivência.

 

A Arquitetura e Urbanismo podem, portanto, assumir um importante papel de vanguarda nesta tarefa de distribuir as inovações tecnológicas, especialmente para os setores ou segmentos sociais que estão normalmente à margem destes benefícios. O conforto, no sentido humano, tem haver com arquitetura pois é sinônimo de iluminação, climatização, ambientação, mobilidade, etc. Mas a cidade sensual náo será apenas isto.

 

A hiperfuncioalidade expressa em muitos projetos ou criações motiva, na arquitetura, no urbanismo e na engenharia, o desenvolvimento de hipertecnologias, que muitas vezes vão além da realidade palpável, e são o ponto de partida dos limites de qualquer projeto.

 

O “International Planning” passou a ser uma espécie de  estilo comum a todos os países e a todos os autores, virando um programa conceitual, utilizando as formidáveis tecnologias que transpassam fronteiras mas que, muitas vezes descaracterizam traços culturais, condicionante que não pode ser desprezada na harmonização das cidades e suas identidades.

 

Até onde este conceito genérico pode opor-se a uma cidade contemporânea em harmonia com a natureza, com o clima, com uma vida em comunidade, com a mudança das estações, com a memória da passagem do tempo. Os conceitos genéricos devem ser substituídos por uma visão mais contextual?

 

A inovação deve ter como foco o enfrentamento dos desafios sociais de uma nova natureza. A cidade tem resultados funcionais do crescimento excessivo com sérios riscos de explosão social. Todo mundo entende que, para desfrutar da cidade exige-se vsualizar seu público, um stand coletivo, íntimo que se misturam de maneira sutil a outros,  multiplicando-se várias vezes, criando uma dinâmica de novos marcos memoriais.

 

Para nós arquitetos e urbanistas, pensar sobre a cidade e sobre as mais variadas constatações leva-nos a explorar territórios híbridos de uma renovação radical dos padrões de desenho e soluções.

A idéia da concepção de uma cidade sensual pretende ilustrar a possibilidade de construir uma paisagem urbana dentro de uma experiência sensorial, relacionada com quem nela habita, de forma mais completa, onde o resultado venha a ser totalmente perceptível e oportunizada por aqueles que nela vivem.

25

de

julho

GENIALIDADE DE LINA BO BARDI

ANHANGABAÚ TOBOGÃ

Este projeto foi feito pela equipe de Lina Bo Bardi para o concurso de projetos para o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em 1981. Segue o memorial descritivo da proposta:

 J’aime mieux New York!

C’est hideux, mais c’est Ioyal,

C’est la cite du ‘hard-labour’…

 Le Corbusier - La Ville Radieuse

O vale verde do Anhangabaú pode voltar, devolvido aos homens, libertados dos “perigosos inimigos”: os carros. Os pedestres na terra, os transportes em cima. Uma grande estrutura tubular de aço protendido acompanhará o vale do começo da 9 de Julho até a Senador Queiróz, passando por cima do Viaduto do Chá e do Santa Ifigênia, Numa seqüência ondulada. Quatro pistas (sobrepostas em dois planos para carros e ônibus e duas passagens – serviços e emergências para pedestres. Largura total: 9 metros.

A estrutura seguirá como um antigo aqueduto, em baixo o rio de pedestres, as árvores, o verde. Idéia básica da estrutura: transparência e leveza – a protensão o permite. Os suportes verticais tubulares em chapa, serão como velhas árvores tropicais – árvores de aço – lembrando um “pé-de-louco”, a gameleira brava brasileira. As grandes luzes entre os suportes e a grande altura da estrutura darão, no chão, a impressão de árvores isoladas. Idéia fundamental: dar ao ferro/aço a liberdade natural e não e não-simétrica da natureza, contra o esquematismo abstrato-regular. É preciso um suporte? É um cipó, uma ancora? São raízes. É a liberdade rigosrosamente controlada e calculada da natureza, obediência absoluta às “leis que mandam”, nada de “arbitrário”, mas, como na natureza, o máximo de “fantasia”. O piso das pistas será em chapa vazada, isto é, transparente. A estrutura horizontal: treliças protendidas em alguns trechos, com grandes cabos de aço.

Liberando aos pedestres, o vale volta a viver. A passagem subterrânea (São João) será transformada em lago, lembrança do antigo rio do vale; o valho pesadelo das enchentes periódicas se transformará em alegria. Praça das Bandeiras é verde: já é parque. O correio será mantido: futuro centro de “correios populares”: (cartas, recados, dinheiro, enviados por meio de conterrâneos e parentes da Bahia. Pernambuco, Paraíba…: vai-e-vem de notícias, fora dos meios oficiais). Pontos de ônibus descentralizados: pontos de encontros de conhecidos esperando o mesmo transporte. Valorização dos “prédios”: Light, Mappin, Korngold, Palanti. Os velhos e os pequenos prédios, memórias de São Paulo, serão mantidos e recuperados, nada será destruído. No topo do enorme Zarzur, uma choperia-restaurante: um elevador externo panorâmico de vidro e aço levará os clientes até o topo. Voltará o grande Café da Esplanada do Teatro Municipal, centro de reunião ao ar livre, nas tardes ensolaradas e nas noites de concertos. Um enorme gramado, como um campo de futebol, percorrido por caminhos “naturais”, isto é, aqueles escolhidos pelos transeuntes como mais rápidos e orgânicos, chegará até os pés dos grandes prédios. Sombras de árvores frondosas: tipuanas, seringueiras… palmeiras. Nada de grupinhos baixos, “esconderijos perigosos”. Nada de paisagismo abstrato, (galerias de artes pífias, “recantos poéticos” logo transformados em “pissoirs”). Nada de “abrigos” e “taturanas” esparsas – chuva e sol. Bancos de pedras debaixo das árvores e muitos vendedores: picocas, sorvetes, churrasquinhos, livros velhos e jornais novos, cataventos, brinquedos caseiros… será permitido pisar na grama (a grama será logo reposta quando estragada). Um exército de limpadores tirará cada segunda-feira (como nas maiores cidades do mundo) os restos de pique-niques e os papéis e plásticos jogados fora.

Numa cidade que só oferece a seus habitantes que nunca tiveram “carro” ou “sítio”, como diversão aos domingos, o espetáculo de saída-chegada dos aviões em Congonhas, ou os campos do Ibirapuera, o Anhangabaú devolvido ao povo será o parque central da cidade, parque urbano, com estrutura protendida e árvores de aço. Tour Eiffel para cidadão e turistas, montanha russa para ônibus cheios de crianças. O trânsito da região será em parte desviado, há espaços “parasitas” para isto (estacionamentos a esmo, etc, etc,). O metrô, quando pronto, mudará radicalmente a atual situação viária.

É um projeto caro.

Mas os sonhos são sempre a verdadeira realidade: Central Park, Buon Retiro, Hyde Park, Villa Borghese, a Tour Eiffel, Beaubourg… e sobretudo: “o povo não suja e estraga tudo, não joga sujeira de todos os lados”. O povo respeita o que lhe pertence.”

Lina Bo Bardi e equipe (Francisco Fanucci, André Vainer, Marcelo C. Ferraz, Paulo Fecarrota, Guilherme Paoliello, Bel Paoliello, Marcelo Suzuki e Ucho Carvalho)

In Lina Bo Bardi. Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, 1993. P. 252.”

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23

de

julho

CONSTRUIR UM PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO

 

«Não me peçam para inventar uma nova arquitetura todas as quintas-feiras», dizia **James Stirling a propósito das alterações a que os seus projetos eram sistematicamente sujeitos.

 

Vertido nas exigências dos promotores e nas opiniões dos consultores, o programa tem obviamente importância para o projeto, mas se a arquitetura representa de fato «a tradução espacial da vontade de uma época», o seu desígnio ultrapassa certamente o transitório.

 

Paulo Martins Barata - Arquiteto - Portugal - FA.UTL, doutorado em arquitetura pelo Instituto Politécnico Federal de Zurique (ETH), e MBA pela Universidade de Edinburgo.

(**)Sir James Frazer Stirling formado na Royal Institute of British Architects foi premiado com a Pritzker Prize pela British Architect e considerado um dos mais importantes e influentes arquitetos da metade do século 20.

 

 

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4

de

junho

Olympiapark Munique - 37 Anos Depois

Parque Olímpico de Munique (Olympiapark) na Alemanha foi construído para os Jogos Olímpicos de 1972 e é constituído por um conjunto de edificações, como o Estádio Olímpico, o Hall Olímpico, a Piscina Olímpica, o Centro de Esportes de Inverno, as quadras de Tenis, a Torre e o Teatro, dentre outros ambientes que compõe a imensa área de lazer. O parque é um importante local de encontro para eventos esportivos, culturais, sociais e religiosos, assim como para admiração desta maravilhosa obra de arquitetura, administrado pela prefeitura municipal de Munique.

O escritório de arquitetura de Günther Behnisch foi contratado em 1966 e desenvolveu um plano perfeito de uso para as áreas de esportes e de recreação, as quais foram construídas entre 1968 até 1972. As estruturas tensionadas, que cobrem todo o parque, foram desenvolvidas pelo engenheiro e arquiteto alemão Frei Otto e consideradas revolucionárias para seu tempo.

Otto é considerado ainda hoje a maior autoridade em estruturas tensionadas de membranas de baixo peso, e encabeçou avanços em cálculo estrutural e engenharia civil. A carrera de Frei Otto se entrelaça com a criatividade de Richard Buckminster Fuller e ambos foram professores na Universidade de Washigton em St. Louis. Nos fins da década de 50 ambos foram responsáveis pelos projetos dos pavilhões da Feira Mundial de Montreal de 1967 onde dsenvolveram projetos que aprefeiçoam a trama de espaços com a eficiencia estrutural e experimentos com edifícios infláveis. Os tabalhos de Frei Otto são considerados muito avançados no tempo e nos métodos tradiconais de cálculo de esforços e de utilização de materiais.  

Otto fundou o famoso Instituto para Estruturas Leves na Universidade de Stuttgart em 1964 e o encabeçou até se retirrar da vida acadêmica.

 

O projeto do Parque Olímpico de Munique é fantástcio e único pelo seu arrojo e pela beleza.

A parte mais conhecida da obra são os 85.000 m² de envolventes coberturas de chapas acrílicas, estabilizadas por 436 km de cabos de aço, utilizadas em larga escala pela primeira vez. A idéia do arquiteto foi imitar a beleza e graça das montanhas dos Alpes, localizados próximos de Munique, assim como as envolventes e transparentes coberturas também serviram para simbolizar a nova, democrática e otimista Alemanha.

As chapas acrílicas utilizadas na cobertura de todas as estruturas do Parque Olímpico permitem a total transmissão da luz do sol, ao mesmo tempo que protegem os ambientes de ventos fortes, chuvas e nevascas.

Esta nova forma de estrutura rígida e flexível, utilizada no Parque Olímpico de Munique, abriu as oportunidades para novas formas e modelos que as tradicionais estruturas não podiam proporcionar. Também possibilitou uma qualidade de luminosidade que as coberturas rígidas não atingiam, trazendo luminosidade natural para o espaço abaixo com o uso de chapas acrílicas transparentes.

43 anos após sua concepção e 41 anos após o início da sua construção o Parque Olímpico de Munique mantém sua magia arquitetônica e uma invejável qualidade construtiva. Fui lá pela enésima vez, e continuo a me impressionar com esta obra.

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8

de

abril

PONTOS DE VISTA - CIDADE IDEAL

Clique abaixo

Rios de Luz

A Cidade Ideal do Ponto de Vista de Uma Cadeirante

6

de

abril

BAUHAUS - 90 ANOS

Neste ano comemoram-se os 90 anos da criação da Bauhaus. Criada em Abril de 1919 sob a liderança do arquiteto Walter Gropius, a escola nasceu no período do pós-guerra e teve como principal meta popularizar o design unificando arte e indústria. Formavam-se designers, artesãos, pintores, escultores e arquitetos e a proposta pedagógica não visava apenas a especialização mas, ao contrário, buscava uma formação integral onde o estudante pudesse aprofundar-se em sua técnica sem perder a compreensão do mundo em sua totalidade. Entre seus professores teve alguns dos mais destacados artistas da época como: Wassily Kandinski, Paul Klee, Johannes Itten e Laszló Moholy-Nagy além dos arquitetos Walter Gropius, Mies van der Rohe e Hannes Meyer. Veja reportagem no suplemento Casa & do jornal Estado de SP. Conheça mais sobre a Bauhaus e o pensamento de Gropius no livro: Bauhaus: Novarquitetura de Walter Gropius, Ed. Perspectiva, São Paulo, 1974. Conheça também:Bauhaus Archiv - Museum of Design

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19

de

março

PARA REFLETIR

 Assusta-me e aos demais cidadões de Joinville como a ACIJ tem agido destrutivamente ao Patrimônio Cultural de Joinville, já evidenciado no jornal ANOTÏCIA de 29 de julho de 2008 (caderno geral,p.14) -"Projetos vão para a geladeira: pressão de empresários faz prefeito recuar sobre proposta que mudava a lei de imóveis de valor histórico".
 
Vamos refletir um pouco retrocedendo no tempo:
 

No curso do século XV os entendimentos de cultura e história passavam por significativas modificações que repercutiam na compreensão dos bens considerados patrimoniais. A aceleração da urbanização fez que a cidade passasse a ser compreendida como um tecido vivo, composto de edificações e pessoas, congregando ambientes do passado que podem ser conservados e, ao mesmo tempo, integrados à dinâmica urbana. As políticas para salvaguardar os bens patrimoniais culturais têm início no século XVIII na Revolução Francesa, quando se desenvolveu outra sensibilidade em relação aos monumentos, a invocar a memória e impedir o esquecimento dos feitos do passado. O surgimento do urbanismo enquanto “ciência do urbano” (CHOAY) a partir dos modelos progressista e culturalista, e sendo a partir deste último a defesa pela cidade tradicional é que segundo RUSKIN o interesse que as belas cidades provocam vêm não da riqueza isolada dos seus palácios, mas… das habitações, mesmo as menores”, havendo um passo decisivo para início do processo de construção social na dimensão urbana como patrimônio.

 

Início de práticas preservacionistas, iniciadas no século XIX, pós Revolução Industrial em Paris, através do barão de Haussmann terão reflexos na segunda metade do século XX.  Com o advento do Estado Moderno (séc. XIX) o Estado em nome da sociedade propõe-se a atuar em nível de representação, na identificação de atividades coletivas, por meio da construção em um universo simbólico, da construção social do patrimônio. Estudiosos como: SITTE(1972) faz o resgate das belas cidades antigas, atentando ao progresso e à preservação entre as cidades tradicional e moderna e GIOVANNOVI (1975) confere ao conjunto urbano o caráter de bem patrimonial e atribuindo um valor de uso ou seja não mais um valor museal, de valorização do tecido urbano pré-existente. No Brasil, nos anos 30 (séc. XX) é que se dá a construção do patrimônio cultural, buscando uma identidade brasileira, enquanto construção social, se materializando em bens patrimoniais e nos anos 80 com a redemocratização, passa a se acreditar em um modelo de desenvolvimento integrado onde a cultura se apresenta como uma das principais dimensões, como um valor de desenvolvimento e diretamente entende-se que quanto maior a diversidade cultural de um povo maiores as chances de alcançar este desenvolvimento chegando aos anos 90, para o Brasil assumir e reconhecer a própria diversidade cultural passando a valorizá-la e trabalhá-la no sentido da promoção do desenvolvimento, ou seja, o desenvolvimento econômico através da cultura. A associação do patrimônio cultural com a natureza na escala internacional teve inicio em 1956, quando a UNESCO, por meio do ICCROM (Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração dos Bens Culturais), dedicou-se ao tema, seguindo a Conferência de Washington (1965), onde se criou a Fundação do Patrimônio Mundial para estimular a cooperação internacional e proteger as zonas naturais e paisagísticas maravilhosas do mundo e os sítios históricos para o presente e futuro de toda a humanidade.  Até então a cultura era considerada apenas o meio pelo qual se podia promover ou retardar o desenvolvimento econômico e através da UNESCO, a partir de 1992 com a criação da Comissão Mundial da Cultura e do Desenvolvimento, a valorização da cultura passa a ser uma das dimensões do desenvolvimento, buscando conciliar progresso e preservação associando ao planejamento urbano. Atribui valor de uso, um valor econômico ao patrimônio e aos monumentos isolados através da concepção do desenvolvimento cultural como fator de mudança social e de desenvolvimento sustentável.  

Criada em 1945, a UNESCO efetua a lista de bens móveis e imóveis (1972 a 2006), bens de valor excepcional para a humanidade, patrimônio mundial (bens arquitetônicos, urbanísticos, paisagísticos, antropológicos e sociológicos) e associa-se ao BID criando programas de caráter preservacionista (a exemplo do Projeto Monumenta). Está havendo retrocesso? Qual a visão de cultura? Qual a visão de sustentabilidade do Patrimônio Cultural de Joinville? Pasme o que se tem feito com a história de nossa cidade. Precisamos defender e proteger nossa história, nossa cultura, nosso patrimônio Cultural!

  

Rosana Barreto Martins

arquiteta e urbanista - sócia do IAB/SC 

2

de

fevereiro

Canadá tem sua primeira Comunidade 100% Sustentável

Comunidades ecológicas e sustentáveis cada vez aparecem mais pelo noss planeta, e vem do Norte, mais um bom exemplo de sustentabilidade. A Drake Landing Solar é a primeira comunidade totalmente ecológica, localizada na cidade de Okotoks no Canadá. O projeto estabelece um ótimo exemplo de como as famílias pode viver em um estilo de vida sustentável e econômico.

Na comunidade existem 800 painéis solares localizados em toda a comunidade em garagem e telhados, onde produzem 1,5 mega-watts de eletricidade e água quente para todos os seus habitantes, onde equivale a 90% de sua necessidade.

O sistema de aquecimento de água é diferenciado, onde uma solução de Glicol é aquecida pelos painéis solares, que viaja através até um permutador de calor dentro da comunidade do Centro de Energia onde é centralizada e distribuída a água para todas as casas.

Conservação da água foi um ponto obrigatório para todas as casas e materiais reciclados foram usados na construção, juntamente com materiais locais e mão de obra local também. Para finalizar todas as casas foram certificadas pela norma R-2000 Norma para eficiência energética em construções.


Um bom exemplo de construções sustentáveis para todos nós, e esperamos que muitos arquitetos e construtoras vejam este exemplo com uma forma viável de construção. Fica a dica. (fonte:  sustentopolis.blogspot.com)

 

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17

de

dezembro

VERTICALIZAR

Nesta quarta-feira, no Jornal A Notícia o arquiteto Marcel Virmond Vieira lança um tema muito controverso e polêmico que trata da verticalização para as construções em Joinville. O assunto é muito interessante e, para arquitetos ou engenheiros talvez seja mais fácil tirar conclusões sobre o que é positivo ou negativo nesta questão, pois temos a habilidade de tridimencionalizar o ambiente. No entanto para o incauto, para o espectador comum, isto não se revela de tão fácil compreensão.

 

Por isto, dando margem ao tema, fiz algumas rápidas simulações que nos permitem ter idéia do que seria verticalizar a cidade na linha de raciocínio que o arquiteto Marcel levanta, ou seja, setores do ramo imobiliário estão pretendendo mudar a legislação a ponto de permitir prédios com 30 pavimentos em Joinville. Se levarmos em conta a forma e as negociatas que tem sido levado a cabo na Prefeitura e na Câmara de Veradores nos últimos tempos, a “vaca vai pro brejo”, e meus amigos do América, Atiradores e Anita podem preparar os bronzeadores artificais porque o sol deixará de ser tão presente nas manhãs e tardes joinvillenses.

imagem área central

imagem área central simulação

 

atiradores

atiradores 30 pavtos

 Como disse, estou apenas dando esta introdução para que o tema venha a ser mais debatido e, com o tempo, vou produzir algumas outras imagens que podem nos dar a noção do que está em jogo. Vamos ao debate!

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