VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

14

de

outubro

PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO - LEGADO COMUM A TODOS

Reproduzo parte do Manifesto de Amsterdam (outubro de 1975) onde mil delegados de 25 Países Europeus (ministros, arquitetos, urbanistas, eleitos locais, funcionários e representantes de associações) definiram os princípios da preservação e conservação para o patrimônio arquitetônico, manifesto este que foi adotado pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa, em 26 de setembro de 1975. 

 Assim, a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu, realizado em Amsterdã, de 21 a 25 de outubro de 1975. 

Dos considerandos:

 

(…) 

 

Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico, expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia, é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete, por consequência, a solidariedade efetiva dos Estados europeus;

 

Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende, em grande parte, de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físico-territorial e nos planos urbanos

 

(…)

 

O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual, cultural, econômico e social de valores insubstituíveis

  • Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias;
  • Qualquer diminuição desse capital é, portanto, mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada, mesmo por criações de alta qualidade;
  • Por outro lado, a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade;
  • Longe de ser um luxo para a coletividade, a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias.

A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades

  • Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades;
  • No passado, eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais;
  • Podem facilitar, de novo, uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações.

O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante

  • Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações;
  • Ora, a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. Importa, portanto, conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações;
  • A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e, especialmente pelas gerações jovens, que por eles serão responsáveis no futuro.

Esse patrimônio está em perigo

  • Ele está ameaçado pela ignorância, pela antiguidade, pela degradação sob todas as formas, pelo abandono;
  • Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação;
  • A tecnologia contemporânea, mal aplicada, destrói as antigas estruturas;
  • As restaurações abusivas são nefastas;
  • Afinal e principalmente, a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. 

    Eis alguns exemplos

NORMANDIA 1944 e 2008

  


Poderíamos apreender muito com uma simples leitura deste Manifesto, que na síntese estabelece enunciados e critérios que são universais para a preservação da cultura e da história de um povo através de sua arquitetura.

Arquivado em: arquitetura I

3 Comentários »

  1. Comentário por seneca — quinta-feira, 15 de outubro de 2009 (15:59:52)

    Parece que a idéia aqui em Joinville é a de arrasar tudo o que forme parte de quaisquer tempo anterior e construir de forma indiscriminada e acinzentada.

    Sem deixar tijolo sobre tijolo, que possa nos lembrar, nem mesmo vagamente as origens ou o nosso passado. Voltaremos a ser sambaquianos nomades.

  2. Comentário por sergio da KGB — sexta-feira, 16 de outubro de 2009 (09:30:29)

    Joinville vive a sua própria guerra. Da ignorância, dos sequeisos aproveitadores, sejam eles políticos, empresários, ou mesmo parte da população que, sem instrução, ou melhor, sem cultura, saqueia nosso patrimônio arquitetônico, ambiental e cultural. Aquels que entendem o que estou falando sabem que somos vítimas diáriamente da especulação, a qualquer custo. Mas o triste é que o Poder Público virou o principal coadjuvante destes ataques ao patrimônio, liberando leis, adotando práticas anti-democráticas, sendo parceiro de um sem npumero de ações e atrocidades para com a memória e a história de uma cidade que já foi um lugar a se orgulhar.

    Como diria Manoel Bandeira: “Vou embora pra Pasárgada…”

  3. Comentário por josy — quarta-feira, 8 de setembro de 2010 (17:36:41)

    adorei servil para meu trabalho …
    muito obrigado pelas imformações…

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