VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

7

de

outubro

ENCHENTES e OLIMPÍADAS

O que as inundações em Santa Catarina têm haver com as Olimpíadas de 2016. A rigor nada! Mas leiam o que segue e reflitam. Em novembro de 2008 Santa Catarina foi atingida por uma catástrofe de grande magnitude. Chuvas intensas causaram o maior prejuízo econômico e social que Santa Catarina já experimentou em função de um desastre natural. Vidas ceifadas e os prejuízos ainda não foram devidamente mensurados, afinal governos não sabem fazer contas.

Em janeiro prefeitos foram convocados para relatarem seus prejuízos e apresentar projetos num prazo exíguo como condição à liberação de verbas. Trabalho para videntes ou mágicos, visto que muitos acabavam de assumir o mandato. Mas este foi o critério para definir os recursos quando então anunciaram 500 milhões de reais para auxílio aos municípios.

Em junho o Presidente chamou prefeitos para uma solenidade em Brasília anunciando os recursos a serem disponibilizados sem informar os obstáculos. O primeiro - Os municípios atingidos pela catástrofe foram pressionados a optar por linhas de financiamento, justificadas na indisponibilidade de recursos do OGU, visto que apenas 15% das verbas estariam disponíveis em 2009. - A burocracia dos Ministérios e da CEF ignoram a catástrofe impondo um processo moroso num labirinto de requisitos e condições desconsiderando o caráter emergencial das ações.  – Outubro chegou e, ha um mês de completar um ano da primeira catástrofe, os municípios de Santa Catarina não viram a cor dos recursos anunciados. 

As verbas liberadas em caráter emergencial ficaram sob gestão do Estado que usou e abusou do regime de dispensa de licitação, deixando muitas perguntas no ar sob a utilização destes recursos, critérios, valores de contratação dando margem para suspeitas dos objetivos, muitos indecifráveis sob uma hábil contabilidade denominada “hora máquina”. Contam que já estão pagas algumas campanhas do próximo pleito e, se assim for, converteram uma tragédia em algo abominável. 

O fato é que ninguém diz quanto e quando os recursos chegarão aos catarinenses flagelados, empresas destruídas ou aos municípios que pouco ou nada receberam diretamente. Muitos anos serão necessários para restabelecer a normalidade das famílias e cidades atingidas. Estimativas dizem que 2,5 bilhões de reais seriam os recursos necessários para Santa Catarina voltar à normalidade. Infelizmente estes recursos nunca chegarão. 

Agora as olimpíadas. Divulga-se a impressionante cifra de trinta e três bilhões de reais em investimentos para a realização das olimpíadas no Rio de Janeiro. Meio bilhão foram gastos na promoção, festa e defesa da cidade sede, dinheiro rasgado em viagens de centenas de pessoas, pré-projetos, mídia, samba na praia, fogos, uísque escocês, etc.. Como dizia um velho e sábio amigo: “alguns trabalham e sofrem para que outros possam se divertir”.

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