31
de
agosto
TERMINAL OU NÃO TERMINAL - EIS A QUESTÃO!
As informações que circulam sobre o terminal central estão mais para a defesa de interesses do que pensar o bem estar de Joinville. Ao longo dos últimos 10 anos nosso sistema de transporte perdeu passageiros muito acima das cidades de seu porte. “Pseudo-verdades" levadas ao público me levam a pensar que estamos no caminho da inviabilidade do sistema de transporte tendo por base os dados do número de passageiros e dos investimentos realizados nos últimos 6 anos. Sofremos do mau hábito de manipular informações que induzem usuários e comerciantes a pensarem que serão prejudicados com mudanças estruturais.
Um sistema de transporte eficiente é importante para qualquer cidade, para qualquer economia no mundo, sendo hoje uma peça chave na sustentabilidade das cidades. A eficiência de um sistema de transporte passa por um complexo planejamento de serviços, equipamentos e tecnologias que atendam aos mais diversos desejos de viagem, tipologias de passageiros e estratégias de ordenação urbana. Deve ser pensado com inteligência e de forma participativa, transformando-se num forte vetor de desenvolvimento e justiça social. No nosso modelo de transporte público passageiros não são proprietários, são servidos por terceiros, mediante concessão pública, uma concessão que deveria estar sob o atento planejamento, gestão e controle do poder público.
As controvérsias ou defesas de interesses recentes mostram que o serviço precisa urgentemente de um novo marco regulatório. Entre elas coloca-se o terminal central, edificado há mais de 30 anos que funciona como principal regulador da divisão operacional e num eficiente meio para a divisão da receita. A retirada do terminal central não visa eliminar o serviço de transporte público para esta área da cidade, ao contrário, a defesa desta proposta vem no sentido de qualificar a área central oferecendo aos usuários melhores opções de deslocamento direto e, principalmente, novas motivações para se deslocar ao centro. Sendo verdade que 60% dos usuários do terminal tem como destino o centro, é certo que eles se distribuem num raio superior a 1,5 Km, mas obrigados ao confinamento num único espaço. E como ficam os demais 40% que são forçados a passar pelo centro sem necessidade? Poderíamos reduzir os ônibus na área central em 40%? Talvez, mas é curioso como esta informação não é tratada, podendo explicar o crescimento de motos e carros de passeio na cidade.
O centro fica abandonado 12 horas ao dia por falta de atrativos qualificados. Somos induzidos a pensar que a saída do terminal irá prejudicar o comércio, o mesmo que cerra suas portas de aço após as 19 horas, tornando o espaço ainda mais inóspito. Isto é apenas a ponta deste iceberg em que os donos do pedaço resistem em debater.
Em Tempo:
Carta encaminha por mim ao Jornal Notícias do Dia - não publicada.
Centro de Joinville
Se um terminal de ônibus é o principal sustentáculo ao comércio de uma cidade, Balneário Camboriú estaria falida. Exagero? Talvez, mas façamos uma viagem até Londrina, Maringá, Blumenau, Itajaí, Florianópolis, Ribeirão Preto, Uberlândia, Jaraguá do Sul e outras cidades do porte de Joinville para saber se no centro delas o terminal determina a vitalidade ou a qualidade do comércio. Não! O sistema de transporte é um serviço urbano importante para atender os desejos de viagem, também como instrumento ao ordenamento do território, podendo ter papel qualificador. Toda área central depende do transporte público, mas nunca de um terminal de ônibus, até porque não existem pesquisas e informações, com base científica, que possam assegurar afirmações que se colocam no debate da qualificação do centro. Estas afirmações são, no mínimo, tendenciosa ou desestruturada. Passeios, iluminação, paisagismo, áreas cidadãs, prédios restaurados, salas de arte estão desconsideradas? Que tal um debate, um pouco além do monólogo!










