VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

29

de

julho

CONHECENDO a FICUS BENJAMINA

Ficus Benjamina ou figueira-benjamim originária da Índia, é cultivada por sua folhagem brilhante e delicada. É comum vê-la em vasos, com porte baixo e copa podada, mas sem cuidado adequado ela pode ultrapassar os 20 metros de altura e, na medida que cresce suas raízes podem destruir muros e pavimentos com facilidade. Suas raízes irão procurar água e nutrientes, com se tivessem sempre uma intensa sede e fome. Enquanto cresce, seu tronco, galhos e copa aumentam proporcionalmente. Neste momento ela estará oferecendo uma generosa sombra, densa, felicidade para o dono da casa e os motoristas que ali param. Sua sombra será disputada! A ficus benjamenina, se nõa for podada e contrlada poderá ocasionar prejuízos às tubulações de água e esgoto e, as vezes, nos pavimentos externos se não houver condições das raízes buscarem nutrientes. Por proporcionar muita sobra, muitas espe´cie não convivem no seu entorno. mas podem ser plantadas espécies que gostam de sombra e podem conviver com suas raízes.

 

Mas nem sempre esta espécie é tão danosa, pois são poucas as árvores que permitem ser controladas como o ficus, como diria o agronomo Gert Fischer, elas são "domesticáveis". Uma poda constante e o controle de seu espaço podem oferecer um agradável bem estar. Seu uso como árvore é indicado para parques e fazendas. Se quiser ter um em casa, mantenha-o em vaso . Segundo pesquisas da NASA, o fícus mantido dentro de casa filtra as toxinas do ar. Nas cercas-vivas, o mais seguro é manter um afastamento de 10 m de tubulações e construções, pois, mesmo podado, suas raízes crescem muito a procura de água. Muitas cidades, por causa da destruição que a árvore causa em tubulações, o plantio do fícus está proibido.

 

Existem, no entanto, várias espécies de ficus, alguns originários do Brasil. s fotos abaixo seguem pela ordem: Ficus Benjamina, Ficus elastica, a árvore-da-borracha, Ficus clusiifolia, F. sycomorus , Ficus religiosa.

 

Ficus1.jpg  Ficus elastica1.jpg Ficus2.jpg               Ficus sycomorus.jpg      Ficus religiosa Bo.jpg  Fonte de Consulta: wikipedia                                                       

 

 Um bom debate leva a cultura.

26

de

julho

BR101 - PEDÁGIO E DESCASO

Neste mes de julho a empresa concessionária da BR 101 - Autopista Litoras Sul - juntamente com o DNIT estão caprichando para tirar os motoristas que trafegam na BR 101 do sério, sé é que isto ainda é possível. Já sabemos que a concessionária inciou a cobrança do pedágio antes de concluir as obras que estavam nos seu contrato qu condicionavam o início da cobrança. Devem ter  como por exemplo as passarelas, os telefones, o recape da pista bem como as correções das imperfeições. Mas neste Brasil do Lula e Sarney, o que no passado era pecado, hoje vira milagre.

Então nós, cidadãos pagadores de impostos e pedágio, vamos sofrendo de bitributação (já pagamos IPVA e tantos outros impostos que deveriam manter as nossas rodovias), de desmandos, de falta de planejamento e organização. Se nos postos de pedágio tem até ar condicionado para os cobradores (e eu concordo que eles não podem passar calor) nós usuários e pagadores temos que ficar a mercê de obras inacabadas que nos põe em filas imensas torrando ao sol ou umidecendo à chuva. As imagens que seguem foram feitas em dois dias seguidos na BR 101 nas proximidades da ponte com o rio Itajaí Açu.

No dia 23 de julho, 12 quilometros de fila ocasionadas por uma obra na ponte do rio Itajaí as 14:30 hs. quando um grande fluxo de veículos trafega na rodovia. Não suficiente, o dia chuvoso fazia com que o final da fila ficasse perigoso visto que a única sinalização limitava-se a dois bandeirinhas literalmente encharcados. Tempo de espera médio para passagem: 2:30 hs.

 

 No dia 24 de julho, ás 10 hs. da manhã esta era a situação na cabeceira da ponte do rio Itajaí. Obras na pista interrompiam o tráfego na BR 101 e,não satisfeitos, fizeram ao mesmo tempo obras de reparos na BR 470 em direção a Blumenau. Resultado: CAOS. Tempo de espera: 1:10 hs. Será que algum dia seremos respeitados? SIM, quando nosso voto for escolher governantes dignos, probos e respeitadores das leis, mas acima de tudo que tenham respeito aos cidadãos.

25

de

julho

GENIALIDADE DE LINA BO BARDI

ANHANGABAÚ TOBOGÃ

Este projeto foi feito pela equipe de Lina Bo Bardi para o concurso de projetos para o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em 1981. Segue o memorial descritivo da proposta:

 J’aime mieux New York!

C’est hideux, mais c’est Ioyal,

C’est la cite du ‘hard-labour’…

 Le Corbusier - La Ville Radieuse

O vale verde do Anhangabaú pode voltar, devolvido aos homens, libertados dos “perigosos inimigos”: os carros. Os pedestres na terra, os transportes em cima. Uma grande estrutura tubular de aço protendido acompanhará o vale do começo da 9 de Julho até a Senador Queiróz, passando por cima do Viaduto do Chá e do Santa Ifigênia, Numa seqüência ondulada. Quatro pistas (sobrepostas em dois planos para carros e ônibus e duas passagens – serviços e emergências para pedestres. Largura total: 9 metros.

A estrutura seguirá como um antigo aqueduto, em baixo o rio de pedestres, as árvores, o verde. Idéia básica da estrutura: transparência e leveza – a protensão o permite. Os suportes verticais tubulares em chapa, serão como velhas árvores tropicais – árvores de aço – lembrando um “pé-de-louco”, a gameleira brava brasileira. As grandes luzes entre os suportes e a grande altura da estrutura darão, no chão, a impressão de árvores isoladas. Idéia fundamental: dar ao ferro/aço a liberdade natural e não e não-simétrica da natureza, contra o esquematismo abstrato-regular. É preciso um suporte? É um cipó, uma ancora? São raízes. É a liberdade rigosrosamente controlada e calculada da natureza, obediência absoluta às “leis que mandam”, nada de “arbitrário”, mas, como na natureza, o máximo de “fantasia”. O piso das pistas será em chapa vazada, isto é, transparente. A estrutura horizontal: treliças protendidas em alguns trechos, com grandes cabos de aço.

Liberando aos pedestres, o vale volta a viver. A passagem subterrânea (São João) será transformada em lago, lembrança do antigo rio do vale; o valho pesadelo das enchentes periódicas se transformará em alegria. Praça das Bandeiras é verde: já é parque. O correio será mantido: futuro centro de “correios populares”: (cartas, recados, dinheiro, enviados por meio de conterrâneos e parentes da Bahia. Pernambuco, Paraíba…: vai-e-vem de notícias, fora dos meios oficiais). Pontos de ônibus descentralizados: pontos de encontros de conhecidos esperando o mesmo transporte. Valorização dos “prédios”: Light, Mappin, Korngold, Palanti. Os velhos e os pequenos prédios, memórias de São Paulo, serão mantidos e recuperados, nada será destruído. No topo do enorme Zarzur, uma choperia-restaurante: um elevador externo panorâmico de vidro e aço levará os clientes até o topo. Voltará o grande Café da Esplanada do Teatro Municipal, centro de reunião ao ar livre, nas tardes ensolaradas e nas noites de concertos. Um enorme gramado, como um campo de futebol, percorrido por caminhos “naturais”, isto é, aqueles escolhidos pelos transeuntes como mais rápidos e orgânicos, chegará até os pés dos grandes prédios. Sombras de árvores frondosas: tipuanas, seringueiras… palmeiras. Nada de grupinhos baixos, “esconderijos perigosos”. Nada de paisagismo abstrato, (galerias de artes pífias, “recantos poéticos” logo transformados em “pissoirs”). Nada de “abrigos” e “taturanas” esparsas – chuva e sol. Bancos de pedras debaixo das árvores e muitos vendedores: picocas, sorvetes, churrasquinhos, livros velhos e jornais novos, cataventos, brinquedos caseiros… será permitido pisar na grama (a grama será logo reposta quando estragada). Um exército de limpadores tirará cada segunda-feira (como nas maiores cidades do mundo) os restos de pique-niques e os papéis e plásticos jogados fora.

Numa cidade que só oferece a seus habitantes que nunca tiveram “carro” ou “sítio”, como diversão aos domingos, o espetáculo de saída-chegada dos aviões em Congonhas, ou os campos do Ibirapuera, o Anhangabaú devolvido ao povo será o parque central da cidade, parque urbano, com estrutura protendida e árvores de aço. Tour Eiffel para cidadão e turistas, montanha russa para ônibus cheios de crianças. O trânsito da região será em parte desviado, há espaços “parasitas” para isto (estacionamentos a esmo, etc, etc,). O metrô, quando pronto, mudará radicalmente a atual situação viária.

É um projeto caro.

Mas os sonhos são sempre a verdadeira realidade: Central Park, Buon Retiro, Hyde Park, Villa Borghese, a Tour Eiffel, Beaubourg… e sobretudo: “o povo não suja e estraga tudo, não joga sujeira de todos os lados”. O povo respeita o que lhe pertence.”

Lina Bo Bardi e equipe (Francisco Fanucci, André Vainer, Marcelo C. Ferraz, Paulo Fecarrota, Guilherme Paoliello, Bel Paoliello, Marcelo Suzuki e Ucho Carvalho)

In Lina Bo Bardi. Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, 1993. P. 252.”

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23

de

julho

CONSTRUIR UM PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO

 

«Não me peçam para inventar uma nova arquitetura todas as quintas-feiras», dizia **James Stirling a propósito das alterações a que os seus projetos eram sistematicamente sujeitos.

 

Vertido nas exigências dos promotores e nas opiniões dos consultores, o programa tem obviamente importância para o projeto, mas se a arquitetura representa de fato «a tradução espacial da vontade de uma época», o seu desígnio ultrapassa certamente o transitório.

 

Paulo Martins Barata - Arquiteto - Portugal - FA.UTL, doutorado em arquitetura pelo Instituto Politécnico Federal de Zurique (ETH), e MBA pela Universidade de Edinburgo.

(**)Sir James Frazer Stirling formado na Royal Institute of British Architects foi premiado com a Pritzker Prize pela British Architect e considerado um dos mais importantes e influentes arquitetos da metade do século 20.

 

 

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22

de

julho

O RESGATE DA UFSC

UFSC

 

Hoje deu nos jornais que a UFSC está propondo uma nova área para a implantação do Campus Joinville. Ótimo, até porque a nova área escolhida é muito mais apropriada, não tem grandes impactos ambientais, não se encontra em área de risco e pode protagonizar uma definitiva mudança no perfil da zona sul de Joinville.

É surpreendente que tenham contratado estudos e consultorias para identificar o que já se afirmava anteriormente. Se houvesse tido um breve momento de lucidez poderia ser suficiente para economizar muito dinheiro e tempo.

Afinal, quanto custaram os estudos? Quem será responsabilizado pela escolha e pelo pagamento da desapropriação que também é alvo de investigação por superfaturamento.

Bom, acho que agora não resta dúvida que botaram dinheiro público bom em lugar ruim.

É certo que os mágicos e equilibristas farão um novo circo para apagar os erros do passado contando que a memória da platéia é curta, apagando qualquer lembrança da lambança e, principalmente, de acusações incômodas.

Para os pobres mortais cidadãos joinvillenses é melhor que tenham reconhecido o erro a tempo, do que insistir nele.

Para mim, que tenho memória de elefante, vou ficar perguntando:

O que acontecerá com o dinheiro público investido no terreno alagadiço?

Quem será responsabilizado pelos atos de improbidade na aplicação do dinheiro público?

O que dirá agora a senadora que desdenhou de muitos joinvillenses?

O que dirá o sábio ex-presidente e todo poderoso  da associação empresarial?

Acho que alguém deveria vir a público e explicar melhor este negócio. talvez até pedir desculpas a população.

Sonho meu?

 

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21

de

julho

ADOTE UMA FIGUEIRA

ADOTE UMA FIGUEIRA DA BEIRA RIO

PARA QUE ELAS NÃO SEJAM CORTADAS

 

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19

de

julho

CACHOEIRA, UM RIO TEIMOSO.

 

Para aqueles que visitam este blog, mas não conhecem Joinville, o Rio Cachoeira é o nosso Tietê, apenas um pouco menor em largura e extensão, mas absolutamente idêntico quanto à poluição das águas, que ora são negras, ora são marrons e, algumas poucas vezes esverdeadas quando a água da baía da Babitonga, pela força da maré, é empurrada rio adentro.

 

 

 

Neste domingo pela manhã fui andar pelas margens do Cachoeira para dar uma olhada nas figueiras que alguns mal intencionados tentam cortar a qualquer custo e sob justificativas absurdamente falsas, inverídicas e teatrais. Para minha surpresa descobri que mesmo moribundo o rio ainda fornece vida.

 

Ainda são muitas as espécies que habitam e retiram algo deste rio e fico a imaginar como seria espetacular se ele estivesse despoluído, com águas límpidas, sem esgotos despejados in natura, sem os milhares de litros diários de efluentes tóxicos despejado pelas indústrias. Fico a imaginar se este rio não fosse usado como o lixeiro da cidade onde toda sorte de resíduos sólidos são despejados e onde milhares de garrafas, sacos e recipientes plásticos bóiam sobre suas águas sem que ninguém faça algo no sentido de eliminar esta terrível mazela.

 

 

Hoje também conheci o famoso jacaré que habita este rio, aqui denominado de Fritz, numa alusão carinhosa aos nossos primeiros descendentes. Talvez os antepassados do Fritz de fato tivessem conhecido os primeiros migrantes.

 

  

Fico a imaginar o tamanho do susto que eles levavam ao encontrar algum jacaré por aqui. Hoje, ao contemplar o Fritz tomando banho de sol, me passa uma certa vergonha e também indignação, mesmo sabendo que ele pode ainda sobrevive solitário nestas águas podres.

 

Fiquei absolutamete admirado ao presenciar um filhote guiado por sua mãe a atravessar o fétido rio em busca de alimento. Uma inequivoca demonstração de que a natureza é capaz de regeneração mas é necessário muita determinação.

 

 

Quem sabe algum dia possamos devolver aos peixes, pássaros, répteis, crustáceos e toda sorte de fauna que aqui habitou o seu lugar nas mesmas condições que nossos antepassados o tomaram.

 

Eles os nossos antepassados e seus descendentes transformaram este rio nesta tragédia ambiental, ao qual me incluo como culpado. Deixo algumas fotos deste passeio dominical e pelo aqueles que conhecem melhor a fauna, que me ajudem a identificar a espécie ou seu nome.

 

 

 

Este rio nasce e morre dentro da cidade de Joinville e, eu diria que o Rio Cachoeira é a mais exata expressão da nossa cultura, da nossa ignorância e da nossa educação. Então precisamos urgentemente mudar nossos hábitos para mudar o rio. Se conseguirmos, seremos então dignos de títulos e merecimentos. Enquanto o Rio Cachoeira for teimoso, como o é, há chances de resgatar sua vitalidade.

 

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18

de

julho

JOINVILLE - A CIDADE DOS MEUS SONHOS…

por Sérgio Gollnick

Todo dia começo minha aventura a partir do bonde elétrico, ou o tram como dizem agora, que chega deslizando suavemente identificado por um contínuo assovio protagonizado pelas rodas sobre trilhos, mas ainda assim muito silencioso. Me sento a beira da ampla janela e vou desfrutando da viagem observando fascinado a cidade com suas ruas  arborizadas a se descortinar e o caminhar das pessoas nas amplas e bem arranjadas calçadas.

Brilham meus olhos ver os bem desenhados e cuidados jardins de flores em cada esquina, em cada rotatória, concorrendo com os jardins particulares ou das foreiras a beira das janelas nos prédios residenciais. Vez por outra me vejo no reflexo dos vidros espelhados em belos e bem projetados prédios ou lojas comerciais em constante contraste com nossa arquitetura mais tradicional e histórica, impecavelmente preservada.

Me causa especial prazer passar pela Praça da Bandeira. Não deixo de me impressionar com a nova e contemporânea arquitetura do teatro municipal, construído onde havia aquele terminal de ônibus. Ao lado percebo o antigo Cine-teatro Palácio, recentemente restaurado e transformado num amplo museu e sala de convenções, contrapondo dois momentos da nossa arquitetura e história.

Ao me aproximar do Rio Cachoeira posso recordar a minha infância revendo crianças brincarem e correrem na Praça Dario Salles que agora se transformou num bem planejado espaço multiativo. Fico satisfeito em saber que afinal fizeram os arranjos dos equipamentos, como foi debatido na última reunião comunitária. Vejo novamente o chafariz lançando jatos de águas ao vento como se cada um competisse pelo mais belo salto.

Eis que de repente sinto o corpo lançado a esquerda. É o tram fazendo a curva para seguir ao Sul pela margem do Rio Cachoeira. Não posso deixar de lembrar aquele antigo prédio que ficava ali construído, bem ao lado da antiga ponte que ligava o centro a rua Aubé. Nem parece mas já fazem cinco anos que o demoliram. Melhor assim, a cidade ficou mais ampla e o Cachoeira respira melhor.

De repente percebo uma breve corrida das tanhotinhas que saltam e nadam rapidamente pelas águas esverdeadas da baía, afinal estamos em maré alta, o rio se transforma em algo absolutamente belo e a brisa La fora levanta uma maresia quase como a beira do mar.

Desembarco na estação do Complexo de Entretenimento e Cultura do Moinho. Que lugar fantástico! Tirei o dia para uma leitura na biblioteca central da cidade. Não me canso de vir aqui. Escolho um livro dentre os 300 mil do acervo e me dirijo ao terraço para tomar um café, ler e nas pausas, admirar o verde intenso do Morro do Boa Vista contrastando com o azul do céu.

Olho em direção ao Bucarein e percebo algumas novas torres residenciais sendo construídas, criando uma harmonia singela com o skyline quase plano da zona sul, como se aquele espaço estivesse reservado à capacidade do homem de construir uma arquitetura com beleza, responsabilidade e respeito ao ambiente. Ah, os arquitetos de hoje são mais felizes, estão mais conscientes e partícipes das novas transformações que a cidade vivencia.

Fico impressionado com a quantidade de pessoas que embarcam na estação das barcas levando-os ao Boa Vista, Fátima, Espinheiros ou para São Francisco do Sul. Finalmente Joinville é um grande centro de atração de turista. Percebo no semblante que todos estão absolutamente fascinados com a qualidade de nossa infra-estrutura, da arborização intensa dos espaços públicos, do nosso transporte modelar e pelas grandes atrações na cultura, gastronomia e lazer.

Antes de retornar para casa, vou até a praça de eventos para ver quais são as atrações deste final de semana. Confesso que fiquei confuso, pois não soube escolher entre as duas peças de teatro, o extenso acervo de bons filmes no complexo de salas de imagem e som ou entre o concerto em homenagem a Mendelson pela Camerata de Laussane, que acontecerá no pequeno teatro.

Volto então à estação do tram, vejo na tela a informação de que dentro de um minuto e vinte segundos ele chEgará. Aproveito para acertar meu relógio. Incrível a pontualidade e confiabilidade que transporte atingiu. Opa! Chegou o meu tram, parece até que reservei aquele lugar à beira do amplo janelão afinal, aqui se respeita os lugares destinados aos idosos como eu.

 

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13

de

julho

PIQUENIQUE DE DOMINGO

 

autor: GERT ROLAND FISCHER

 

O domingo era de um esplendor extasiante. Depois de muitos dias de chuvas, dias escuros, frios e lúgubres - enfim - o sol aparece sorridente iluminando tudo.  O astro-Rei concedeu aquele  banho generoso de higiene, substituindo mofos, ácaros, bactérias e tudo que exalava maus odores. Recolocou nos objetos, nas pessoas e nos ambientes,  os perfumes da natureza. Seus raios múltiplos acariciaram a pele das crianças, adultos e idosos, presenteando-os com o beneficio da síntese  da vitamina C, revigorando a imunidade perdida.

 

Nesse cenário tão positivo de plena claridade ofuscante, encontrei as ruas e praças do centro de Joinville num silencio inimaginável e confortante. Nossos ouvidos massacrados – finalmente estavam saboreando o silencio. Esse MILAGRE, só foi possível pela  ausência dominical de  carros, do zumbido proposital de arrogantes motoqueiros de elite,  motos barulhentas e fumegantes, reduzido transito de  ônibus, e  - aquela gente toda  sem compromisso com tudo – deixavam de exalar os  cheiros de fumos de cigarros e perfumes contrabandeados do Paraguai.

 

O objetivo; usufruir dos prazeres e conforto dominical da Praça Nereu Ramos. Esse sonho foi alcançado. Notamos que as praças, passeios, bancos, mesas de dominó foram renovadas e tudo estava muito limpo. O espaço deixado pelo saudoso araribá que tombou por lhe terem cortado as raízes que lhe possibilitava a sustentação. A recém memória nos arremetia para seus galhos onde se prendiam orquídeas, bromélias e outras epífitas da Mata Atlântica.

 

A Praça Nereu Ramos estava lá. Livre, Só para nós. Iniciamos o piquenique. Estendemos uma manta de pano sobre o gramado. A comida colorida - previamente preparada em casa, ornamentou a paisagem do pedaço sagrado.  Sentados no chão, postura incomum para pernas e pés que  trocaram cadeiras e mesas do dia-a-dia nos rituais caseiros e dos escritórios.

 

O sol nos acariciava generosamente substituindo o calor ausente a semana inteira. O cheiro de coisa boa exalava por todos os cantos. A alegria esbanjava dos rostos. Algumas borboletas procuravam flores ausentes. Turistas curiosos e talvez até  invejosos, com os cantos dos olhos - espreitavam a  cena incomum do piquenique. A audácia de cidadão, só foi possível pela ausência  dos “donos” dessa área: pedintes profissionais, “cuidadores” de carros, flanelinhas, PMs, fiscais, assaltantes, vendedores de certames, bicheiros, drogados, traficantes de craque, etc. uma fauna incrível que o centro comporta. Não fomos multados, assaltados, enxotados, e agredidos. Por incrível que pareça, não pagamos pela ocupação do pedaço publico. Mocinhas uniformizadas mal encaradas com bloquinho nas mãos não estavam enchendo as caixas pretas de algumas instituições publicas com cara de “empresas”.  Escapou ileso da zona azul, o carro estacionado na Rua do Príncipe.  Uma felicidade total. Admirados pela paz que estávamos recebendo, fizemos até elogios ao prefeito e sua equipe. Rimos, brincamos, jogamos conversa fora e alcançamos a felicidade compactada nesses instantes de inocente laser. Nada nos agrediu. Os chatos e as “Otoridades” ausentes certamente estariam gozando do papel de cidadãos.

 

Foi um dia pleno de simplicidade, sem grandes gastos. Se a opção tivesse sido uma praia, teríamos gastos com tanque cheio, pedágios, filas, demoras, desconforto, xingações, barbeiragens, e quilômetros rodados, resultando no encontro fatal com os mesmos chatos que usam a praça de segunda a sexta feira. Recolhemos tudo, não deixamos lixo para trás e nos retiramos sem qualquer incidente.

 

Você gostaria de participar do próximo  piquenique conosco?

 

contato: gfischer.joi@terra.com.br

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12

de

julho

Circulação de Pedestres

O Departamento de Transportes dos Estados Unidos tem uma publicação muito interessante sobre o projeto de infra-estrutura para o tráfego de pedestres, levando em consideração sobretudo a segurança. Chama-se “Pedestrian Facilities Guidelines: providing safety and mobility”.

O manual, disponível em PDF, trata de muitas questões importantes para o desenho urbano, especialmente em projetos na escala do bairro ou da vizinhança, e apresenta ferramentas que podem ser classificadas em 6 grandes tipos:

  1. Desenho de infra-estrutura para pedestres, que inclui o projeto da calçada, dos canteiros, dos cruzamentos, etc;
  2. Desenho da via, que dá diretrizes sobre a como as ruas podem ser desenhadas para priorizar o tráfego de pedestres (por exemplo, inserindo ciclovias, tornando-as mais estreitas, melhorando os acessos das garagens, etc.);
  3. Desenho das interseções, que inclui ruas sem saída e barreiras posicionadas nas interseções de forma a evitar certas conversões dos motoristas;
  4. Diminuição do tráfego (traffic calming), que visa induzir os motoristas a dirigirem mais devagar, usando mecanismos tais como ilhas ou passagens elevadas para o cruzamento de pedestres, o uso de canteiros para diminuir a largura das vias em alguns pontos e o uso de vias curvas (serpentine design);
  5. Gerenciamento do tráfego, que inclui, por exemplo, o fechamento total ou parcial de vias, a adoção de calçadões, etc.;
  6. Sinalização, incluindo semáforos (com sua sincronização para induzir a velocidade do trânsito) e as placas destinadas a orientar os pedestres.

Vale consultar este material de referência.

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