Vou aqui aproveitar um texto que fiz como comentário no blog Comentários de Joinville - http://comentariosdejoinville.blogspot.com/ sobre um post que tratava de custo do transporte urbano, fezendo algumas retificações.
Gostaria incialmente de expressar uma dúvida que me intriga neste momento. Se é fato que o óleo diesel baixou 10% para quem compra o produto a granel, como é o caso das nossas empresas concessionários de transporte público, porque então esta redução não foi imediatamente repassada aos usuários, como o próprio Governo Federal sugeriu quando resolveu baixar o custo deste insumo? Numa breve conta, uma redução possível de 5 centavos por passagem, representa mensalmente, em algumas cidades, milhões de reais por mês que se reverte em lucro indevido às empresas operadoras. Aí, quando leio alguns neófitos pretendentes a planejadores de transporte público se arvorando em reproduzir e analisar informações sobre políticas públicas e prioridades, ainda mais sabendo que sobre eles recae, no momento, a tarefa de implantá-las, me causa o mesmo ceticismo que me abatia após participar por quase vinte anos dos congressos da ANTP - Associação Nacional de Transportes Púbicos, que poucos resultados e avanços práticos obteve ao longo destes anos.
Política pública de transporte não é apenas custo da tarifa. Esta retórica passou a ser um viés de desculpas para a falta de competências em tratar do assunto de forma correta por muitas administrações públicas no Brasil. Há mais de 3 dezenas de anos se fala em redução da carga tributária sobre os insumos do transporte público como uma forma para redução do custo da tarifa, sem qualquer efeito. Outras despesas indiretas também fazem parte de análises econômicas ja ha muitos anos, mas de forma prática, pouco avançamos e, na minha opinião, regredimos muito em relação aos paises mais desenvolvidos na aplicação de políticas públicas voltadas a mobilidade sustentável.
Quando vejo os chassis de caminhão encarroçados para transportar pessoas, como os que hoje são utilizados nas frotas do transporte público, com a complacência dos "ceguetas" do poder concedente, não posso dar créditos aqueles que tem obrigações para com a sociedade e não as cumprem.
Curiosamente, eu tenho ainda guardada a “Carta de Belo Horizonte”, redigida em 1984, num Congresso Nacional de Transportes Públicos, onde o tema central era a redução da carga tributária. Pois bem, eu considero que este assunto é igual a questão da moradia digna, confundida com edificaççao de dimensões mínimas, imprópria e muitas vezes insalubre para uma família, porque esta moradia é vista não pelo foco de quem quem a irá utilizar, mas unicamente pelo lado do custo de produção.
É portanto necessário mudarmos a forma de ver e fazer políticas públicas, especialmente se focarmos o ser humano, cidadão que tem necessidades de espaço, conforto, ergonomia, salubtidade e também economicidade. Talvez se olharmos pelo ângulo do beneficiário final e não apenas do produtor ou do agente político, veremos então quanto tempo se perde em forjar desculpas.
O que se faz necessário são ações eficazes e com resultados apropriados e dignos aqueles que delas necessitam. Quando isto surgir, então teremos novos paradigmas a serem vencidos. No momento estamos à ré, na mentalidade, no discurso e na prática.









