VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

13

de

maio

LEITURAS

transporte público joinville

13

de

maio

DO PIOR JEITO.

Como se não bastassem indícios de que o preço da passagem de ônibus coletivo praticadas em Joinville sempre foi concedida sem o controle efetivo da Prefeitura e sob a desconfiança da existência de acordos de  bastidores que emerge sempre quando falta transparência e exatidão nos propósitos…

 

Como se não bastasse que a Prefeitura não dispõe de qualquer forma de controle e fiscalização efetiva sobre o serviço e sobre o contrato de concessão do sistema público de transporte urbano, fazendo-a refém das informações prestadas unicamente pelas operadoras ferindo sua atribuição e dever legal em defesa dos interesses dos cidadãos, que são os seus patrões…

 

Como se não bastasse a desativação precoce de serviços sem qualquer debate e explicação plausível, sob a única ótica de redução de custos…

 

Como se não bastasse a mudança nos itinerários e linhas dos ônibus sem qualquer diálogo e divulgação prévia com a população, sob a única ótica de redução de custos…

 

Como se não bastasse que em nenhum momento as reduções de custos proporcionadas pelos corredores pela exclusão do Pega Fácil, das troncais e de alteração de horários e linhas alegadamente para economizar não fizeram parte das negociações e não constam da planilha tarifária ou de qualquer argumento técnico-político que minimize o impacto sobre a tarifa…

 

Como se não bastasse as penúrias da população com o caos do trânsito que transformou o sistema de transporte coletivo em Joinville num “mico”, cada vez mais desinteressante à população que depende deste serviço público…

 

Como se não bastassem as restrições das empresas, com a conivência da prefeitura, para a utilização do passe livre pelos estudantes que, deveria ser livre e subsidiado pelo erário numa justa forma de retribuição e priorização aos que estudam e desejam uma sociedade mais justa…

 

Como se não bastasse o próprio fato do controle da emissão e da utilização das gratuidades e do vale transporte estar concentrado nas mãos dos operadores sem qualquer controle da Prefeitura, especialmente sobre as conseqüências delas oriundas…

Como se não bastasse a nossa cidade, com sua características climáticas, não dispor de ônibus climatizados, que deveriam estar há muito tempo disponíveis na frota…

 

Como se não bastasse a nossa cidade não ter nenhum ônibus modernos, com piso baixo e adaptados a pessoas com mobilidade reduzida…

 

Como se não bastasse a mentirosa transparência defendida pela atual administração colocando um blog no ar (quantos usuários de ônibus tem acesso ao computador?) com um planilha indecifrável, cujos números não tem identificação de origem, sem um forma clara de interpretação, sem qualquer instrução para que os cidadãos tenham a capacidade de avaliação…

 

Como se não bastassem tantos outros argumentos que, infelizmente, não cabem neste espaço…

 

Como se não bastasse o ÓBVIO…

 

… o prefeito CARLITO MERS AUMENTOU A TARIFA DO TRANSPORTE COLETIVO EM JOINVILLE.

 

E do pior jeito possível, contrário a sua história política, a uma de suas lutas mais importantes que o fizeram chegar a ser vereador, deputado estadual, deputado federal e agora Prefeito. Sem uma justificativa descente e compreensível, sem nenhuma alternativa ou compensação, de supetão e, principalmente sem qualquer diálogo com a população, repetindo o método “esperto” usado em todos os governos anteriores assim como o fazem para aumentar o IPTU, agora neste governo o ITBI, a TLL, o ISS etc…

 

E agora???

 

O que vou dizer para os meus amigos, em especial aos meus filhos, as pessoas humildes que convivo e que acreditaram na minha capacidade de convencimento de que este governo seria, para nós joinvillenses, a grande chance de mudar, de ter a transparência que um governo popular suscita, de exercer a democracia na plenitude e, sobretudo, de ser um governo honesto.

 

Me abate uma incomensurável e inominável descrença e decepção, sinto-me, a bem da verdade, envergonhado.

 

12

de

maio

VOU VIAJAR

Amigos e zapeadores, estarei merecidamente descansando nos próximos dias. Na volta trago as novidades.

9

de

maio

DICOTOMIAS URBANAS

 

No estudo da sociologia e do urbanismo existem algumas constatações que são importantes e servem de referência para a tarefa de planejar uma cidade. O cidadão tem basicamente dois ambientes em que desenvolve a sua vida. Uma parte dela se dá no espaço público, comum a todos e a outra no espaço privado, do seu estrito domínio. A linha que separa o público do privado é muito tênue, em geral separados por linhas, muros, paredes ou barreiras. Na ótica do urbanismo, em geral, apenas a parte do espaço público é abordado de forma mais enfática, técnica e estruturantes deixando ao espaço privado apenas algumas regras de ocupação espacial.

 

O espaço público, por sua vez, apresenta uma dicotomia similar ao da vida privada ou pessoal. Um indivíduo normal tem necessidade de relações de comunicação ou interação com outros indivíduos e, outras vezes deseja o isolamento. Assim, o cidadão, no espaço público, exerce ou necessita de espaços de interação e comunicação como expressão das relações sociais e, por outro lado, deseja espaços para a tranqüilidade, o silencio, o relaxamento, o contato com a natureza que o conduz ao isolamento.

 

Quando uma cidade se torna muito compacta, densificada ou excessivamente multifuncional corre alguns riscos de cercear o cidadão destes desejos. O modelo, fruto de pressões especulativas ou de políticas mal interpretadas, pode determinar mudanças neste conceito. A tendência atual do urbanismo reavalia a dispersão da ocupação territorial urbana com propostas e estratégias novas voltadas a definir melhor as identidades de determinados sítios, oportunizando os pontos positivos destas situações fortalecendo as oportunidades das relações sociais em conjunto com a necessidade de isolamento. Por algum tempo as soluções para a ocupação urbana propunham o crescimento ocupacional em área mais ou menos centrais, com usos para atividades eminentemente terciárias, tendo como resultante uma forte migração interna na medida em que as atividades econômicas afujentam os residentes, destituindo estes lugares de suas identidades.

 

Se a cidade se produz e se sustenta de relações sócio-econômicas, se faz necessário entender melhor, no seu planejamento, como os negócios controlam o desenvolvimento territorial e impactam nas relações das pessoas entre si e com o meio em que vivem. Desta compreensão será mais fácil definir as proporções entre a edificação e o espaço público que resultem num equilíbrio para a qualidade de vida. É necessário regular ou corrigir a compactação ou a dispersão da ocupação urbana e, isto pressupõe muitas análises. Delas devem-se extrair as formulas que evitem os excessos negativos que podem gerar más disfunções ou o desvirtuamento da lógica do desenvolvimento sustentável.

 

Quais são as regras ou fórmulas para a correção das disfunções urbanas que devem ser tomadas ou ainda, onde estão os pontos de equilíbrio entre a cidade compacta e a cidade dispersa? No ambiente privado isto se reproduz entre a proporção de áreas íntimas e as áreas de lazer ou sociais. Nas cidades, esta proporção deve ser detectada segundo suas particularidades ambientais e características morfológicas adequadas ao espaço necessário para a cidade desenvolver suas atividades econômicas, às edificações e aqueles espaços ditos verdes e livres.

 

Observa-se em geral que a compactação do tecido urbano reflete em déficit de espaços verdes e livres, representados por aqueles que estão num raio não superior a 250 metros do local de moradia. Na cidade compacta os automóveis e as demandas por áreas de carga e descarga ocupam de 60 a 70% do espaço público, produzindo uma incrível dispersão de energia resultante do tráfego, poluição sonora e atmosférica, geração de acidentes e um resultado paisagístico sempre duvidoso. Percebe-se nestes lugares que o espaço urbano público passa por um profundo constrangimento produzido pelos usos e funções da compactação.

 

A especulação imobiliária, por sua vez, exerce grande responsabilidade nesta redução dos espaços de relação social e de relação com o meio ambiente. A tranqüilidade, o verde, os espaços públicos de sociabilidade dão lugar aos ambientes edificados, cada vez mais fortificados e cada vez artificiais, transbordando suas disfunções para o espaço residual que é público.

 

Se a cidade e quem nela vive deseja reconquistar seu equilíbrio e melhor relação de interação social x privacidade, deve se preocupar em produzir um modelo de reconquistar o equilíbrio dos espaços públicos e privados, num foco de ampliar o benefício social, econômico e ambiental. Deve prever a ampliação dos espaços de relações sociais, de relação com a natureza, com a tranqüilidade (segurança). Isto significa estabelecer um maior equilíbrio na relação do espaço comum com os espaços construídos e seus usos. As soluções recentes na vanguarda do urbanismo, preocupam-se com a imagem da cidade, especialmente no resgate e na definição das identidades e o modelo de cidade futura se fará, em parte, repensando os usos, qualificando as atividades econômicas para priorizar a qualificação da vida e do meio ambiente.

 

7

de

maio

LEGITIMIDADE

A Legitimidade do Estado é uma situação nunca plenamente concretizada na história, a não ser como aspiração, e que um Estado será mais ou menos legítimo na medida em que torna real o valor de um consenso livremente manifestado por parte de uma comunidade de homens autônomos e conscientes, isto é, na medida em que consegue se aproximar à idéia-limite da eliminação do poder e da ideologia nas relações sociais.

3

de

maio

REFLEXÃO

Transformar pobres em consumidores não é suficiente para mitigar a pobreza, ao contrário, pode agravá-la se o consumo não passar a oportunizar os itens fundamentais que mudarão nosso perfil no futuro: uma alimentação saudável e uma formação ética

3

de

maio

Sintonizar o Amanhã

 

No decorrer dos tempos as estruturas de organização social mudaram. A ficção científica ou os futurologistas sempre tiveram um olho no passado para imaginar o futuro. Os novos modos de vida, novas formas de resolver problemas, novas tecnologias que melhoram a vida das pessoas, bem como a apropriação adequada de soluções para a incessante demanda por mudanças devem estar constantemente no radar de quem deseja imaginar o que irá ocorrer no futuro. Elaborar soluções para quem cabe a responsabilidade de planejar e executar políticas públicas, especialmente para organizar a vida nas cidades, deve ter alguma metodologia, um olhar no passado e no presente para então nos preparar para o futuro. Isto necessita uma estratégia, análises críticas das mudanças que vem ocorrendo em diversos campos do conhecimento.

 

Mudanças têm sido menos percebidas pelos agentes públicos que, via de regra, agem na constante tentativa de resolver problemas ocorridos, com pouca capacidade de antevê-los ou preparar-se a eles. Não obstante a isto, mudanças pontuais, ignorando modelos ou regras de convivência comuns têm sido praticadas em prol de grupos econômicos e segmentos especulativos que, sem pudores, vem sendo defendidas como “o processo dinâmico da urbanização”. Isto nada mais é do que uma forma estabelecida para oferecer privilégios clientelistas. É a “expertise” cedendo espaço a esperteza. Uma estrutura despreparada para a tarefa de dar rumos a uma cidade serve muito bem a quem se sustenta de privilégios, constituindo um perigoso feudo político-econômico que deteriora a ética nas relações da sociedade.

 

Os “senhores da cidade” reforçam aquilo que denomino de “não planejamento” impregnado nas instituições políticas, não se interessando em compreender como ações clientelistas poderão impactar negativamente no futuro da cidade.  É nítido que estes grupos pensam unicamente no “imediato” e, ao longo da história, mostraram-se incapazes de levar a sociedade local para uma posição privilegiada de qualidade de vida. Ainda vivemos sob a tutela deste tipo de rede constituída por gente com a mesma formação e interesses que limitam o alcance de visão e a diversidade de pontos de vista.

 

A gestão e organização de propósitos oriundos da participação da sociedade não podem ser representadas unicamente pelo pensamento de grupos hegemônicos. Coube a eles grande responsabilidade por erros de avaliação ou por resultados equivocados. Porém, estas partes da história, sempre que possível, serão omitidas ou desvirtuadas, com praticidade muito eficaz para uma sociedade que pouco cultua sua memória, especialmente quando dela se devem retirar as lições dos equívocos. O escritor futurólogo Alvin Toffler diz que “Só a história nos permite identificar como as mudanças tecnológicas, econômicas, sociais e culturais estão entrelaçadas e se influenciam mutuamente.”

 

O escasso espaço disponível para a troca da idéias ao nível dos grandes temas da cidade deve-se unicamente ao medo dos feudos em perder o seu poder e domínio. Encontrar e debater com pessoas, com diversidade de idéias e concepções é um ótimo exercício para quem deseja antecipar demandas, conhecer tecnologias de vanguarda e novos fenômenos sociais. Em diversos ramos estratégicos de negócios este tipo de exercício é permanente, permitindo inovar para superar.

 

Há uma infinidade de experiências bem sucedidas e um fantástico arcabouço de idéias que não são consideradas nem compartilhadas. A abertura de espaços ao relacionamento político-social com diversidade de idades, profissões e histórias de vida, sem discriminações ou privilégios, abre um caminho fantástico para o acesso aos pensamentos de vanguarda.

 

Estas práticas podem nos oferecer maior habilidade para prospectar e projetar possíveis desdobramentos de um determinado fato, relacionar a outros eventos importantes, coletar alternativas, utilizar como ferramenta fundamental para quem deseja mudanças relevantes e positivas na justiça social, sustentabilidade e maior qualidade de vida. É certo que abrir um mundo de oportunidades, para dar lugar a escassez e a pobreza, se dará pela emergência de uma cultura participativa. Me parece, no entanto, que sintonizar o amanhã tem como maior obstáculo a mentalidade.

 

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