VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

27

de

fevereiro

SALVEMOS O PLANETA

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SALVE O PLANETA

26

de

fevereiro

O MORRO DA FRAU MERKLE

Nasci e vivi a minha infância ali na Rua Otto Boehm, bem perto da Uleica, uma usina de leite e derivados que abastecia Joinville e região numa época e que a cidade era a principal bacia leiteira do Estado. Nos fundos havia um pequeno barreiro que era explorado pela família Koentopp a mesma das concessionárias. O barreiro era um parque de diversões para a garotada do lugar cuja parte mais bacana era a densa mata que cobria  um pequeno morro onde podiam ser encontrados muitos tipos de pássaros, de tucanos a periquitos, de sabiás aos canários do reino e bonito-lindos que se revezavam em cantos e vôos. Também tinham os tatus e algumas cobras. Fazíamos trilhas por dentro da mata e, nas copas das árvores mais ramadas, construíamos nossas cabanas. Ja praticávamos o arborismo numa época em que este nome ainda sequer existia. O morro era um pequeno parque natural encravado na ainda pequena cidade de Joinville. Tínhamos como limite o ribeirão Mathias, de um lado do ribeirão o morro e de outro a cidade. O morro da Uleica se estendia até o morro da frau Merkle, embora tudo fosse uma cosia só, era assim que identificávamos o território. A Uleica não existe mais assim como a frau Merkle, que por anos cultivou e manteve um exuberante jardim de anthuruiums ainda hoje existente por debaixo das árvores, que já partiu para o seu jardim eterno.

 

Aos poucos o morro foi sendo ocupado, rasgado, quebrando seu encanto e sua magia sobre nossos olhos e nossas lembranças. Os pássaros foram rareando e nem mesmo as cigarras que anunciavam o período de Natal retornaram. A face Norte deste morro foi o que sobrou e, agora vejo-a sangrando de forma terminal suprimindo uma parte daquilo que poderia chamar de oásis da minha infância. O ribeirão Mathias foi completamente coberto pelas lajes de concreto deixando de ser a marca divisória, transformando a fonte de água dos nossos ancestrais num esgoto canalizado. O morro da Uleica foi ocupado por edifícios e o jardim da frau Merckle resiste às pressões mas não se sabe até quando. Quando,  há cerca de três anos atrás, vi as galerias de concreto sendo colocadas num grande terreno vizinho ao dos Merkles fiquei profundamente triste, não só pelas boas lembranças de infância que se iam, mas pelas garças que ali, todo dia, vinham colher seus alimentos na borda do ribeirão. Agora, sangraram mais um pouco do que resta daquele morro, cortando as árvores, expondo nossa insensata disposição de suprimir qualidade de vida. Tenho certeza que existiriam alternativas menos cruéis e mais sensatas, mas o que isto importa para quem deseja apenas extrair lucro. Certamente aqueles que pagarão milhões por alguns míseros 400 m2 de concreto e aço não tem a menor noção do valor histórico, ambiental e sentimental deste lugar. Ainda bem que a frau Merkle não vai ver isto, acho que ela não resistiria!!!

 

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26

de

fevereiro

BONS EXEMPLOS

Passo Fundo

Audiência pública debate transporte coletivo urbano (05/02/2009 - 09:34)

         A Secretaria do Transporte, Mobilidade Urbana e Segurança – STMUS coordenará, nesta quinta-feira, a audiência pública para tratar sobre o transporte coletivo urbano, tema que inclui a questão da nova tarifa. O secretário Adelar Aguiar registra que esta atividade conclui a o roteiro de debates em torno do cálculo das tarifas do transporte coletivo urbano de Passo Fundo. Toda população está convidada para a reunião desta sexta-feira, às 18 horas, no plenário da Câmara de Vereadores. A discussão não está limitada somente à majoração, “mas ao transporte coletivo urbano, como um todo”, observa o secretário Adelar Aguiar. Nesta  etapa que compete à Secretaria de Transporte, a  audiência pública será a atividade externa que conclui o processo de levantamento de dados, cálculos e opiniões sobre o aumento da passagem. Após o debate público, com registro resumido sobre as questões levantadas, e resumo da sistemática de cálculos da passagem, o processo será entregue ao prefeito Airton Dipp, a  quem cabe deliberar sobre os resultados apurados pelo Conselho Municipal de Transporte.

 

26

de

fevereiro

É POSSÍVEL - BASTA PLANEJAR E PRIORIZAR

 

Tarifa de ônibus de Fortaleza completa 4 anos sem aumento e é uma das mais baratas do Brasil.

16/02/2009

 

No dia 1º de dezembro de 2008, Fortaleza completou 4 anos sem aumento da tarifa de ônibus. Desde a implantação do Plano Real, há 14 anos, este é o maior período de congelamento da passagem dos coletivos. A estabilidade conquistada até aqui é fruto da priorização do transporte público e do acesso dos cidadãos ao sistema, que é conduzida pela Prefeitura de Fortaleza e que tem apresentado resultados positivos tanto para o sistema em si como para os usuários

*A tarifa única está em R$ 1,60 para os dias úteis e R$ 1,00 para os domingos. 
 

Um dos mais importantes ganhos tem sido a recuperação da demanda de passageiros transportados, que é o número de pessoas que utilizam os ônibus anualmente. De 2005 para cá, já houve um aumento de 20% desta demanda, contrariando a tendência de queda dos anos anteriores.

 Como a tarifa subia consecutivamente, cada vez menos pessoas andavam de ônibus. Hoje, ao contrário, somente em outubro último, 5.250.439 pessoas a mais utilizaram o transporte por ônibus, comparando-se com o mesmo período de 2004. A projeção para o ano é que 301.762.723 usuários se desloquem pelo sistema, contra os 255.915.812 de quatro anos atrás.

 Essa recuperação de demanda foi possível graças a uma política de incentivos fiscais, iniciada pela administração municipal. Em 2006, a prefeita Luizianne Lins, numa iniciativa inédita em Fortaleza, reduziu de 4% para 2% o Imposto Sobre Serviços e Mercadorias (ISSQN) que incide sobre o transporte público. O imposto é um dos componentes de repercussão no preço final da passagem de ônibus e sua redução foi fundamental para a estabilidade naquele ano e no seguinte. No primeiro semestre de 2008, foi a vez do governo estadual reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que também incide sobre o setor. Após compromisso assumido com a Prefeita de Fortaleza, o governador Cid Gomes diminuiu de 17% para 8,5% o imposto, o que foi mais um incentivo para que a tarifa permanecesse estabilizada.

O resultado é que hoje, segundo dados da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), Fortaleza é a capital com a menor tarifa de ônibus da região nordeste, ao lado de Teresina, no Piauí. No cenário nacional, Fortaleza tem a quarta menor tarifa dentre as cidades com mais de 500 mil habitantes.

 

Renovação da frota. Para acompanhar o crescimento da demanda, foram precisos investimentos na renovação da frota de ônibus. Para isso, Etufor, órgão da Prefeitura que gerencia o transporte público, estimulou as empresas de ônibus a adquirirem veículos novos como forma de oferecer mais conforto e segurança aos passageiros. De 2005 para cá, há foram incorporados à frota 815 ônibus, que substituíram veículos com idade avançada. Por causa desse investimento, hoje a frota de Fortaleza apresenta idade média de 4,8 anos, índice considerado muito bom no contexto da engenharia de transportes.

19

de

fevereiro

HISTÓRICO DA TARIFA - SEMPRE NO TOPO

18

de

fevereiro

DESAFIOS PARA A GESTÃO DA “COISA PÚBLICA”

Capacitar os gestores públicos e suas equipes é um dos mandamentos  para que uma nação chegue ao topo do desenvolvimento. Toda nação precisa de um grande dirigente, mas isto inicia-se na base, na escola, nas empresas e na administração pública municipal não poderia ser diferente. A função do gestor  público é das mais importantes: administrar o conjunto de recursos de forma a criar um ambiente de desenvolvimento equilibrado e sustentável, atendendo a saúde, a aprendizagem, a segurança pública, a mobilidade, a infra-estrutura e o meio ambiente. No Brasil a regra da gestão pública e recheada de egocentrismos, autoritarismos, fazendo com que a gestão pública seja exercida por caminhos tortuosos, com base na tentativa e erro do dia-a-dia. 

 

O alto desempenho em gestão pública é raro, quase inexistente, já que bons gestores conjugam características pessoais como a liderança,  competências técnicas e constante aperfeiçoamento. Hoje, no entanto, é necessário saber abrir o diálogo com a sociedade cuja aplicação na gestão pública requer técnica e planejamento, pois esta relação não está no âmbito da campanha política e nem pode, a legislação eleitoral impede. Para que se tenha gestores capazes é necessário, em primeiro lugar, que os eleitores tenha mais informação sobre os postulante ao cargo público, e isto significa apurar o sistema democrático de escolha dos gestores públicos.

 

Depois, o eleito necessita atrair bons profissionais fazendo uma triagem rigorosa, muito distante da distribuição de cargos negociadas a base de trocas de favores. Os gestores deveriam, nos primeiros seis meses, passar por um sistema de formação e, em muitos casos, deveriam ter o conhecimento ampliado em visitas técnicas a empresas e administrações modelares, no Brasil e no exterior. A gestão pública necessita também de prática da qualidade e da liderança, características que mais influenciam no sucesso das administrações bem sucedidas.  Todo município, todo hospital, toda escola, enfim as diversas funções da administração pública, precisam urgentemente de bons e grandes gestores para que se tenha uma mudança dos paradigmas.

 

Sempre que se inicia uma nova administração, é preciso assegurar que as pessoas certas estejam no lugar certo. Garantir isso é função de liderança do gestor e ele terá responsabilidade solidária a todos os atos de seus comandados, não podendo se furtar, no futuro, dos desvios de conduta, da sua equipe. Administrações públicas de alto desempenho no Brasil são raras, mas todas que se aplicaram a este objetivo tiveram sucesso na gestão e reconhecimento e estão associadas as seguintes premissas: atrair as melhores pessoas para a tarefa da gestão, incentivar os gestores a desenvolver habilidades de liderança e fazer com que eles dediquem a maior parte de seu tempo ao conhecimento e à formação permanente, suas e de  funcionários, em vez de se ocupar só com tarefas burocráticas ou politiqueiras. Para citar um exemplo podemos olhar para fora do país, mais precisamente Cingapura, um país que consegue conjugar essas práticas de forma quase perfeita e se posicionar como um estado de desenvolvimento permanente na quebra de seus mais dramáticos paradigmas.

 

Por conseqüência, uma gestão de resultados e qualidade faz com que o tamanho da máquina pública diminua e isto permite aos gestores e servidores o acesso à carreira de salários dignos e compatíveis com o esforço, geralmente reconhecidos pela sociedade.  A situação brasileira é uma cópia em negativo do parágrafo anterior. Para ser gestor público não existem premissas obrigatórias que o credenciem, basta saber ler e escrever.  É muito pouco em termos de gestão. Por essa razão, é comum que o gestor encontre dificuldades para as quais não se preparou.

 

Por onde começar? Para enfrentar as deficiências de formação inicial, é quase inevitável que os gestores precisem recorrer à formação continuada. Cursos presenciais de formação e especialização em gestão pública nas mais diferentes áreas de atuação (planejamento, transportes, finanças, contabilidade, saúde, educação, formação de agentes, etc.) seria a recomendação principal de especialistas desta área devendo ter como foco a aprendizagem, troca de experiências e, em especial, a relação com o cliente, o contribuinte.

Uma pratica que é pouco comum na administração pública mas recorrente nas empresas é a contratação de consultores estrategistas responsáveis pelo acompanhamento da implantação de novas práticas e que tem por função orientar mudanças junto aos agentes do processo de administração pública. Para que isto seja alcançado, deve ser o Prefeito o elemento central nessa transformação.

 

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13

de

fevereiro

É, A UFSC VAI PARA O BREJO!, por Davy Lincoln Rocha*

Reproduzo o artigo publicado hoje, 13 de fevereiro no Jornal A Notícia:

 

A falta de planejamento e o atropelo parecem ser preferência nacional quando o assunto é investimento no setor público brasileiro.

Foi assim com a Transamazônica, com a ferrovia Norte-sul e, aqui em Joinville, com o recente e desastroso caso do FlotFlux, obras que consumiram milhões de reais que, por açodamento e falta de planejamento, foram, literalmente, parar no esgoto.

O futuro campus da Universidade Federal de Santa Catarina (USFC), em Joinville, não foge à regra. Embora o município de Joinville conte com algumas dezenas de excelentes áreas capazes de abrigar um campus universitário federal, sem qualquer estudo prévio, foi escolhida uma área situada a dez quilômetros do centro de Joinville, em plena BR-101, a mais movimentada estrada do Sul do Brasil.

Com isso, nos horários de entrada e saída das aulas, a BR-101 receberá um fluxo extra de milhares de veículos entrando e saindo da futura universidade. Para piorar, os acessos estarão na perigosíssima Curva do Arroz. É a crônica de uma tragédia anunciada.

Não fosse suficiente, a UFSC será construída num terreno onde outrora plantava-se arroz, ou seja, num brejo que, sob qualquer chuvinha, alaga-se por completo. Dizem, então, as autoridades no assunto que a área será devidamente aterrada. Mas não previram nem calcularam a fortuna que custará aterrar um terrenão daqueles.

Uma vez aterrada a área, a água das chuvas escoará para a BR-101, provocando enormes alagamentos, aquaplanagens, acidentes e, provavelmente, muitas mortes. Para evitar o alagamento da BR-101, os gênios envolvidos já preveem novas obras para impedir que o escoamento das águas transforme a Curva do Arroz numa grande piscina. Para isso, mais alguns milhões de reais serão necessários.

E para evitar o caos no trânsito em plena BR, já planejam viadutos, que, igualmente, consumirão somas astronômicas do dinheiro público. Não será surpresa se, no frigir dos ovos, as obras de aterramento, escoamento e de trânsito saírem mais caras que o terreno doado pelos governos estadual e municipal.

Some-se a isso que, em 21 de janeiro último, o ex-prefeito Marco Tebaldi declarou neste jornal que o terreno comprado, com o meu, o seu, o nosso dinheiro, comporta a construção de duas UFSCs. Ora, mas vão construir só uma UFSC, então, seria necessária a compra de apenas metade do terreno, ou de um outro terreno com a metade do que foi comprado.

Quer dizer então que metade do dinheiro gasto no terreno teve o mesmo destino dos milhões que foram desperdiçados no FlotFlux? Querem mais? O terreno da UFSC será cortado, bem no meio, por uma ferrovia, que passará por um elevado, distribuindo assim, um barulho insuportável aos alunos durante as aulas… Isso se resolverá, é claro, com mais obras, para isolamento acústico, travessia etc. E, com isso, vai a UFSC e, não custa lembrar, também o meu, o seu, o nosso dinheiro, para o mesmo lugar: o brejo.

 

* Procurador da República em Joinville

faço sobre este ótimo texto o seguinte comentário:

 

O Procurador Davy Lincon Rocha fez um avaliação (artigo AN 13fev) muito precisa do quão equivocada foi a escolha do terreno para o campus da UFSC. Gostaria de acrescentar que os protagonistas desta engenhosa aquisição não dão ponto sem nó. O terreno necessita de muitos serviços a custo de milhões além daqueles já despendidos pelo erário para a aquisição. Este tipo de negócio tem um mesmo roteiro, do corretor imobiliário aos empreiteiros, fazendo supor, segundo comentários maldosos, que existem relações viciosas. Se olharmos com mais detalhes destes grandes empreendimentos públicos/privados em Joinville nos últimos anos chegaremos à conclusões esclarecedoras. Então, caro Procurador, da nova fábrica da Antártica, passando pelo Fotflux, GM até a UFSC, o que nós poderíamos achar incompetência me parece ser uma bem elaborada estratégia, onde o que importa são os meios e não os fins. Ha quem diga que existem outros ingredientes nestas estratégias, inclusive corporativas. No caso da UFSC, haveria uma disputa entre instituições de ensino superiores locais. Fica a pergunta: porque o campus da UFSC não foi locado na área prevista para o pólo tecnológico previsto no Plano Diretor? E nós é que somos os malditos!

 

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12

de

fevereiro

O CONTADOR

Acompanho pela imprensa de Joinville os problemas contábeis da Prefeitura e as diversas justificativas, de ambos os lados, da antiga administração e desta nova administração, cada qual querendo imputar culpas recíprocas. Esta questão é muito grave pois envolve responsabilidade fiscal que imputa aos ordenadores de despesas pesadas penas em caso de improbidade ou não aplicação das leis.
 
Hoje li no jornal, na coluna do Jefferson Saavreda (ANotícia), comentários sobre a saída do servidor José Marcos de Souza, o contador a Prefeitura de Joinville, que me deixou muito decepcionado. Nas duas oportunidades em que trabalhei na Prefeitura de Joinville conheci o "Zé Marcos" , como é mais habitualmente conhecido, e sempre tive dele a impressão de um funcionário público exemplar, correto e cumpridor da suas funções. Ser contador de uma Prefeitura como a de Joinville e cumprir as lcomplexas leis que ordenam juridicamente o orçamento público é um tarefa nada fácil. É neste ponto que os políticos ficam irritados, não entendem de orçamento público e pensam que gastar o dinheiro do erário é só assinar cheques. Por isto os contadores são odiados pelos políticos. Eles simplesmente negam despesas pela impropriedade ou falta de amparo legal na rotina dos gastos públicos. Leva normalmente 4 anos para um político entender o que significa "dotação orçamentária", "empenho", "repasses constitucionais" e ai por diante. Quando tem alguma noção já acabou o governo e dpai ficam outros 4 anos respondendo processos de improbidade.
 
Ao sebr da demissão do Zé Marcos, percebo que aquela parte do discurso que o candidato Carlito propagou em sua campnha está sendo rasgado, pois ele afirmava que iria privilegiar os funcionários de carreira, especialmente os mais competentes. O Zé Marcos seria talvez um dos símbolos desta promessa de campanha, pelo seu currículo, pela conduta exemplar de probidade ao longo de sua trajetória de 38 anos como servidor.
 
Os problemas da contabilidade na Prefeitura de Joinville não surgiram dele, ao contrário, é nele que os problemas desembocaram, decorrentes da irresponsabilidades da administração anterior , dos Senhores Tebaldi, Polentini e agora, do despreparo da atual administração em não entender quão complexa é a situação da Prefeitura neste momento, procurando achar um bode expiatório que justifique toda a incompetência.
 
A substituição da gestão da contabilidade pública municipal gera uma descontinuidade muito perigosa pra o próprio governo, especialmente sabendo que nesta função é imprescindível ter pessoas de boa índole, desvinculadas dos favores ou indicações políticas, que sejam de bom caráter e honestidade, predicados estes que o Zé Marcos tem de sobra. É lamentável a decisão da administração! Ou será que ela foi pensada?
 
Nestes primeiros 45 dias de governo o que mais se viu foram as negociatas de cargos por favores e apoio político e a recondução de pessoas da administração anterior a cargos relevantes da administração pública. Agora, a possibilidade de um aumento de tarifa de ônibus pelo pior caminho, por um índice, e sem o prometido debate público. O estágio probatório do governo está terminando e as mudanças de atitudes esperadas estão demorando.

 

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9

de

fevereiro

República da ITAJUBA

Vou iniciar esta sequencia de relatos sobre a praia de Itajuba (Barra Velha) com este artigo do Anselmo Moraes que além de ser meu grande amigo é um dos caras, assim como eu, que tem paixão pela Itajuba. Um lugar de muitas estórias e histórias, impares, recheadas de aventuras, curiosidades e até misticismos. Um lugar único no mundo onde um costão a beira-mar é dividido por pedras brancas e negras. A propósito, nunca nos sentimos parte de Barra Velha embora os mapas indiquem que fazemos parte daquele município.

Eis o artigo:

 

         Certa vez, acordei muito ruim….mal mesmo……..mas não tinha dor, não tava machucado, mas tava mal…sem forças….desanimado….

         Sempre passava as férias de janeiro e fevereiro em Itajuba, com a "Vellha Maria", minha vó, já que o Chico do Ernesto e a Nilza trabalhavam em Joinville e nunca tinham férias naqueles meses…


         Isto era no tempo que a estrada estadual não tinha asfalto, tinha era muito barro…. Íamos no onibus da Rápido Sul Brasileiro, tres horas e meia de viagem de Joinville, por Parati (hoje Araquari)  e pela "Estrada do Inferninho", e que quando chovia, tinha-se que esperar a água descer, na ponte baixa, de madeira……..

         Bons tempos aqueles. De infância sadia. Andar de "zorra" (carroça sem rodas e puchada por dois bois) nas arrozeras do seu Ildefonso, irmão do Pedro Pavio. O gozado é que os dois irmãos tinham plantação de arroz e cada um tinha o seu salão de baile. O do seu Ildefonso ficava onde hoje fica o bar do Renatão (em frente à rua que da no costão das pedras brancas e pretas ……..dizem que não tem outro igual no mundo…..metade do costão, de pedras brancas e a outra de pedras pretas) e o do Pedro Pavio em frente o Hotel dos Funcionários da Drogaria Catarinense ( hoje só tem o terreno…..Quem viveu Itajuba, nas décadas de 60 e 70, passou algumas tardes na “Catarinense” paquerando, namorando e curtindo o melhor picolé de coco do mundo, feito pelo Mario Ranzinza, o ecônomo).


          Não tinha luz elétrica……Luz era de "pomboca"……um lampião de lata, com um pavio de corda e como combustível, querozene…..fazia uma fumaça daquelas, mas tinha vantagem……..mosquito não chegava perto. A geladeira também era movida a querozene………depois veio o liquinho (lampião de gás, que tinha uma camisa que se iluminava ao ser acendida, e que se destruia se fosse tocada…….) foi um progresso…….


          Divertimento era pescar cará e traira, no rio do arroizal do Pedro Pavio que fica hoje no sopé do Hotel Anturium……

Sempre a Velha Maria ia junto e ainda lembro da alegria quando a rolha que servia de bóia afundava e a gente tirava um “cará tijolo”. A isca era minhoca, que a gente tirava no bananal da velha Miquelina, mãe do “João Costa” ( que nunca sabia o nome da gente e dizia “oh cacho de coco” vem cá)  e vó do “Manézinho” e do Pedro Louco (de louco só o prazer de ficar olhando as mulheres….nunca tirava a mão do bolso que diziam não ter fundo).

Mas, bom mesmo era o cará frito à noite com pirão d’água escaldado.


Itajuba tem histórias e histórias……..


           Mas volto ao meu desassossego………..

           Naquele tempo um bom “benzedor” era o que bastava pra tirar a gente de enrrascadas…..Benzia-se de “espinhela caida”, de “frieira”, de “dor nas cadeiras”, pra tirar cisco do olho, de “mal olhado” e de “encosto”……..

Pois, minha vó, crédula  na benzeção, ou na benção, como ela dizia, me levou no seu Chico Feio. Pescador, dos bons, do tempo em que as canoas “casca de amendoin” eram empurradas por velas de um mastro só, mar adentro………até se perder de vista.

Seu Chico, quando me viu amuado, não perdeu tempo……começou a me benzer….

Balbuciava algo que eu não entendia…conforme andava o benzimento ele abria a boca, bocejando e caiam-lhe lágrimas do rosto………..

Diziam que ele era centenário………

Disse que eu tava com encosto…….

Sai dali novinho….. 

           Sempre que posso vou em Itajuba…..meus filhos passaram a infancia deles la também, mas são outras épocas…..sento no costão e fico curtindo aquele mar da minha infância……..Itajuba como tudo, mudou muito………. Não tem mais arrozal, não tem mais zorra, não tem mais barro na rua, não tem mais pomboca e nem lampião de gáz, não tem mais benzimento, mas eu ainda tenho dentro de mim a alegria de ter ali passado a minha infancia, com meus irmãos e muito amigos, que permanecem até hoje………  

 Anselmo Fábio de Moraes

4

de

fevereiro

MOBILIDADE URBANA E OS STAKEHOLDERS

Considero que o desafio para agregar qualidade de vida em Joinville está associada às respostas estratégicas e integradas voltadas ao ambiente e mobilidade urbana.  Buscar soluções para a sustentabilidade no meio urbano, incluindo as várias vertentes da mobilidade e transportes, passa pela coordenação e integração de políticas públicas numa visão estratégica e sistêmica, e um planejamento que tenha em conta o território e a sua interação com o sistema de transportes.

Fica a dúvida se o gestor público está apto a planejar uma política de desenvolvimento sustentável de mobilidade urbana ou, qual pode ou deve ser o seu papel e quem deverá participar desta tarefa. Várias perguntas necessitam serem respondidas de como tornar os sistemas de mobilidade urbana sustentáveis nas vertentes, ambiental, social e econômico. Tendo por base as ações do poder público nos últimos anos, num constante distanciamento e recusa em interagir com a sociedade, as respostas a estas perguntas me parecem particularmente complexas.

Entendo que o objetivo fundamental da mobilidade urbana será ofertar novos espaços urbanos, incrementar a procura pelo transporte coletivo e dos modos não poluentes, diminuir o uso abusivo do automóvel. Apostar numa nova cultura para a mobilidade urbana é um grande desafio e aceitá-lo passa pela construção de um diálogo dos responsáveis políticos com as instituições comunitárias e demais stakeholders (interessados) na busca de uma cidade menos congestionada e poluída, com mais verdes, com meios de transportes urbanos mais seguros, inteligentes e acessíveis. Faz-se necessário melhorar o conhecimento, recolher informações, trocar experiências, adotar boas práticas, alocar recursos de forma adequada em prol daquilo que denomino: “uma nova cultura da mobilidade urbana”.

É preciso reconhecer que para resolver os impactos negativos no trânsito, no ambiente, na economia, na qualidade de vida, na saúde pública e na segurança, não existem soluções únicas, sendo necessário adotar abordagens combinadas. Estas abordagens podem oferecer melhores alternativas à decisão política. É necessário promover modos alternativos de deslocamento e do transporte público de passageiros, sem esquecer o papel da logística para a distribuição de mercadorias no meio urbano e a necessidade de sua integração na complexa equação da mobilidade urbana sustentável. Neste segmento há que se fazer uma aposta firme na eficiência sistêmica e na sustentabilidade econômica, social e ambiental. O patamar de exigência para potencializar a utilização do transporte público implica em tomadas de decisões que garantam, por um lado, a articulação do planejamento do sistema de transportes com os instrumentos de gestão territorial e a intermodalidade, aproveitando as sinergias e a eficiência máxima de todos os modos de transporte como, por exemplo, uma das nossas mais badalada característica do passado, a bicicleta.

Penso que o nosso benchmarking viria na busca pelas melhores práticas para conduzir nossa cidade à maximização do desempenho em mobilidade de forma contínua, avaliando permanentemente os propósitos e serviços em relação aos mais reconhecidos modelos ou líderes em soluções de mobilidade sustentável. (Quem tiver curiosidade em conhecer alguns modelos bem sucedidos de mobilidade urbana acesse: http://www.streetfilms.org/ ). 

 

Para que isto ocorra, muitas das decisões passam pela gestão eficaz da estrutura urbana e dos sistema de transporte, pelo uso de boas práticas, designadamente ao nível de uma estruturação de vias e corredores de transporte para as mais diversas modalidades, uma gestão eficaz do estacionamento em áreas públicas, na implantação do parqueamento para a transferência modal do transporte individual ao transporte coletivo, na gestão do sistema e no planejamento do território. Dar importância às atividades de investigação para a promoção da mobilidade sustentável irá fazer entender as demandas e os condicionantes da mobilidade urbana bem como o conhecimento de novas tecnologias e suas aplicações.

 

É necessário acreditar e apostar numa abordagem integrada e multidisciplinar, na inovação, em soluções inteligentes e na coordenação de políticas, promovendo, com a participação de todos os interessados, mudanças positivas no paradigma da mobilidade. Entretanto, é a intervenção da sociedade no domínio do transporte urbano que irá gerar uma mais-valia imprescindível, entendendo como princípio da subsidiariedade de forma dinâmica e flexível. Isto confere um suporte à atuação do poder local, de partilha de experiências, do reconhecimento de multiplicidade de soluções e até de financiamento a nível privado ainda não totalmente explorado. 

 

Todos nós, cidadãos, instituições privadas, autoridades políticas e responsáveis pelos transportes devemos tirar o melhor partido das novas oportunidades. Se adotada esta linha, poderemos ter com brevidade um plano estratégico para a mobilidade urbana de Joinville, instrumento fundamental de promoção da coesão territorial e social no espaço, bem como um passo à frente na promoção do desenvolvimento sustentável.

 

 

 

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