27
de
janeiro
A FRASE DO DIA - RETORNANDO DE LEVE
É na comunicação humana que começa a tragédia. Não porque haja mal-entendimento das palavras, mas porque não há compreensão do silêncio”.
Thoreau, em A Week on the Concord and Merrimack Rivers.
É na comunicação humana que começa a tragédia. Não porque haja mal-entendimento das palavras, mas porque não há compreensão do silêncio”.
Thoreau, em A Week on the Concord and Merrimack Rivers.
Zapeando por aí, encontrei uma frase interessante em que, de certa foma, identifico-me, veja só:
Sou só uma pergunta que já não espera mais por resposta. Apenas desejo continuar instigando o ato alheio de duvidar. Porque duvidar é antes de tudo perceber e questionar. Meu sonho mesmo é ser uma eterna pedrinha no sapato alheio.
Daniela Yoko Taminato
A retirada do Pega Fácil no sistema de transporte coletivo urbano de Joinville é, na minha modesta opinião, o maior retrocesso dos últimos anos neste setor. Na verdade esta opção de transporte já vinha sofrendo um processo deliberado de redução de qualidade, traduzidos pela falta de investimentos em frota nova, eliminção de serviços previstos e propostos como a climatização, som ambiente, leitura de jornais, etc.
Entendo que a proposta ainda é viável e atual tendo como principal objetivo migrar o usuário do transporte individual para o sistema de massa. Para que isto ocorra há que se propor inovações a ponto de seduzir estes mal acostumados usuários do automóvel.
A minha conclusão mais imediata é que faltou competência dos gestores (se é que eles existem) e dos operadores, que sempre buscam um caminho mais fácil para ganhar seus trocados. Pior é a incrível justificativa da eliminação do serviço pelo simples argumento de que o Pega Fácil era deficitário e, portanto descartável, sem nenhuma avaliação mais profunda que permitisse ao poder público um plano B ou mesmo uma mudança de postura.
Além de haver uma deliberada perda de qualidade do serviço do Pega Fácil ao longo dos últimos 4 anos, as empresas não apresentaram nenhuma proposta alternativa para incentivar mudança de hábitos dos usuários dos carros, limitando-se a brigar com as vans pelo domínio do transporte dos passageiros trabalhadores. Sustentam-se em ações pontuais que em nada alteram o quadro de deteriorização do sistema, dentre os quais os corredores aos quais contexto na forma como forma implantados. Houve um breve período de criatividade no passado que rendeu frutos e melhoras operacionais mas, logo a ganância deu lugar ao bom senso e a falta de visão estratégica, alguns problemas de ordem interna das empresas, levaram o sistema para a vala comum, que apenas se sustenta perante a opinião pública numa ótica já cansativa e nada real de que temos um dos melhores sistemas de transporte do Brasil. Isto, neste momento, é balela.
O outro fato lamentável é a falta de planos e a subesrveniência de técnicos e gestores públicos para com os operadores. Um círculo vicioso que leva a muitas desconfianças quanto a lisura de atos e atitudes onde as últimas medidas são um indício de que há muita sujeira debaixo do tapete.
Enfim, o transporte público precisa de renovação de idéias, muita criatividade, investimentos maciços, gestão pública competente e, uma nova ordem que deveria se iniciar por um regulamento moderno de obrigações, direitos e deveres mais afinados com a realidade, menos vinculadas aos interesses dos operadores e mais vinculadas ás necessidades do usuários.
Faltou atitude imediata deste novo governo para este caso visando garantir um serviço que está fazendo falta, apesar das suas inúmeras deiciências. Relatos de ususários que utilizavam o Pega Fácil indicam que estes passageiros retornaram aos seus veículos ou motcicletas e, isto agrava e agravará ainda mais a mobilidade da cidade.
O novo governo ainda tem o seu período de isenção às críticas, mas em se tratando de mobilidade, o mês de fevereiro indica que a cidade voltará a suas atividades normais (especialmente na volta às aulas) quando então veremos uma nova etapa de transtornos.
Espera-se que a atitude enérgica a ser tomada para este assunto tenha uma contraposição às costumeiras reuniões fechadas do GTRANS ou dos donos operadores com o poder público. O tempo está correndo e as atitudes não surgem, nem sequer um pensamento que possa nos dar uma idéia do que se pretende. Estamos navegando às escuras e, me parece que sequer dispomos de um radar ou plano de vôo.
Minha opção mais imediata seria restabelecer o sistema deste transporte diferenciado por meio de uma edital público. Garanto que não falariam interessados. A questão portanto é o grau de prioridade que o atual governo dará ao assunto. Espero que não seja apenas a espera da redução dos tributos sobre o insumo, pois esta reivindicação já vem de 25 anos atrás e, até hoje, nenhum governo se propôs a implementá-la, nem mesmo o PT que tinha no passado a bandeira do transporte público estatizado. Vamos ver no que dá!
Em breve estaremos sob uma nova ordem e novos responsáveis da BR 101 por conta de uma concessão. Vamos pagar para nos deslocarmos a qualquer parte além do território do nosso município, cerceando-nos o direito de liberdade do ir e vir garantido pela Carta Magna. Deveríamos ter outra opção, mas não temos e ficaremos então reféns desta fórmula de concessão. Mas o tema a que me refiro no título não é bem sobre o concessionário que, pelo bem ou pelo mal, mostra que há uma mudança de atitudes visível quanto à manutenção da rodovia, embora o contrato preveja que para dar início ao pedágio são necessários mais investimentos, dentre os quais as passarelas, sinalização e a disposição de telefones de emergência ao longo do trecho, por exemplo.
No entanto, os donos da estrada são outros. Motoristas, especialmente dos caminhões, que trafegam nesta rodovia estão no limite do abuso elevando os riscos de acidentes que, quando acontecem, deixam poucas chances de não haverem vítimas. A recente inundação e o fechamento temporário do Porto de Itajaí levaram a uma situação ainda mais perigosa especialmente no trecho Norte da BR 101. Caminhões sem qualquer condição de tráfego, velhos, com pneus desgastados, sem sinalização adequada, fora de regulamentação, geralmente conduzidos por motoristas sem preparo nem treinamento adequado, trafegam na BR 101 sem qualquer fiscalização da Policia Rodoviária Federal.
Alguns caminhões mal chegam aos 50 km por hora e causam um tremendo rebuliço na estrada. Outros caminhões, em velocidades maiores, ultrapassam sem qualquer cuidado de aviso, sinal realizando manobras absurdamente perigosas. Não obstante a isto, motoristas muito jovens, inexperientes e abusados na forma de conduzir, fazem da estrada, muitas vezes, uma pista de corrida. Já não seria suficiente ter os motoristas de automóveis, onde muitos dirigem de forma irresponsável e perigosa. Não raramente alguns caminhões andam acima dos 120 km/h e disputam com os automóveis a pista da esquerda, levando a extensas filas que transformam-se numa bola de neve em reações de abusos na condução dos veículos. Certo dia indo à Curitiba subi praticamente todo o trecho da serra atrás de alguns caminhões que ocuparam solenemente as três faixas de subida ignorando que naquele ponto existem veículos mais leves e rápidos. É um caos coletivo levando a uma série de reações que se iniciam pela irritação e, por consequencia, ao máximo de riscos em manobras perigosas, gestos de desagravo e, não raramente, ações de retaliação quando então acontecem vários acidentes.
Outra temeridade que vem se avolumando são as travessias de pedestres, ciclistas, motoqueiros nas aberturas entre os muros que dividem as pistas. Não há como entender esta ignorância de quem faz as atravessias e das autoridades que permitem. Vão-se vidas e nenhuma atitude é tomada.
Dias destes vi um motorista apontar uma arma a outro, simplesmente porque aquele que estava na frente não cedia passagem. Para melhorar toda a situação, na estrada, permitem o uso de motocicletas de baixa cilindrada, pouco potência, frágeis diante da tipologia de tráfego e, muitos trechos da BR 101 são parte da malha urbana, onde centenas de motoqueiros transitam sem a menor cerimônia como se estivessem na cidade, sem uma necessária fiscalização, aumentando ainda mais os riscos de acidentes. O caos em que se encontram nossas estradas não é unicamente por falta de uma infra-estrutura ou de regulamentação, talvez sim pelo excesso desta última ou pela absoluta falta de fiscalização. Vez por outra surge um radar móvel para que o mínimo de recolhimento de multas seja feitas no mês, e só. Ações de prevenção e educação não existem. Policiais Rodoviários são quase inexistentes nos postos, raramente há uma blitz sobre os veículos e assim as barbaridades e o desrespeito para com a vida se avolumam.
Penso que é necessário alguma atitude das autoridades responsáveis de forma urgente. Também penso que não se poderia deixar trafegar veículos sem um mínimo de condições técnicas, com observação e fiscalização do limite de velocidade máxima assim como a velocidade mínima. Que os automóveis e caminhões tivessem espaço e fossem obrigados a uma aceleração nos acostamentos antes de adentrarem na pista dentre tantas outras ações preventivas e moralizadoras. Acho que somos um país realmente sem limites na transgressão das leis.
Meu amigo Arno Kumlehn está, segundo ele, desenvolvendo um artigo ou livro sobre planejamento, transportes e urbanidades em geral revelando-me agumas das suas iniciais considerações das quais me inspiraram a comentar, ou talvez antecipar, enunciados e observações. Certamente serei mais específico, pois faço aqui algumas comparações que nos podem levar a conclusões de que evoluimos tecnológicamente de uma forma fantástica, nos últimos 100 anos, mas retrocedemos em muitos pontos, especialmente no que se refere ao ir e vir, ao deslocar-se, ou mais modernamente, na mobilidade e nas formas as quais apropriamos a tecnologia para realizá-la.
Pois bem, levo então algumas informações sobre velocidade comercial de meios de transporte para que tenhamos alguma idéia de como as coisas evoluiram, ou não.
Por exemplo:
O detalhe é que um ônibus, hoje em dia, movido a diesel ou biodiesel, tem um motor de alta técnologia, controle de emissão de gases, câmbio eletrônico, controle de tração, pneus com componentes de alta resistência e cuja velocidade final permite andar a 160 km/h. No entanto, raramente supera 1/3 desta velocidade e, quando o faz, impacta em riscos a terceiros. Não seria então lógico repensar esta técnologia para os padrões possíveis de serem atingidos, projetando equipamentos que transitem em velocidade máxima de 50 km/h, tendo como benegfício menor custo de produção, menor custo operacional e menos peso para que esteja adaptado a condição de tráfego das nossas vias?
Quando se projeta trens de alta velocidadem que chegam a incríveis 600 km/h, existe além do equipamento propulsor toda uma infra-estrutura que permita atingir sua velocidade máxima. Quando e projeta os trens regionais, que atingem velocidades máximas de 120 km/h, a infra-estrutura está adaptada para esta velocidade comercial. Quando se projeta os bondes modernos (VLTs) estes operam com propulsores que atingem, no máximo, 60 km/h, sendo que sua velocidade comercial situa-se normalemnte entre 25 a 30 km/h.. Para que então precisamos de ônibus com motores que chegam a 160 km/h, se a sua velocidade comercial fica pouco acima dos 20 km/h. Neste patamar de velocidade, poderíamos usar carroças, cáfilas ou resgatar os bondes puxados a cavalos. É claro que esta sugestão é irônica, mas leva a uma refelexão de que muitas vezes as tecnologias e os custos não condizem com a nossa realidade.
No apagar das luzes de 2008, exatamente no dia 31 de dezembro, o Prefeito Wolney Morastoni (PT) de Itajaí concedeu aumento de 17,5% para a tarifa do transporte coletivo da cidade, passando para R$ 2,35 por passagem, lembrando que Itajaí não conta com um sistema integrado.
Sempre é bom lembrar que Itajaí foi duramente atingida pelas enchentes do ano passado paralisando o Porto, sua mais importante fonte da econômia local, deixando milhares de familias sem renda. Este presente de grego de um político irresponsável para com a população que busca sair da agonia de uma tragédia sem medidas na sua história, é um fato a se lamentar e a se condenar.
O prefeito eleito Jandir Bellini revogou hoje, 06 de janeiro, por decreto o aumento, numa medida sensata, politicamente correta e de acordo com a situação de calamidade. Parabéns ao prefeito e que fique o alerta ao prefeito Carlito Merss de Joinville para não cair no mesmo erro.
Um lugar de vida que canta as belezas de paisagens coloridas entremeadas por casas bem arranjadas, extensos gramados, jardins floridos, farta arborização, lugares destituídos de grades e muros, onde permeia a ingenuidade dos costumes, o quotidiano tranqüilo, da simplicidade do caminhar em contato com a natureza que contrastam com os sobressaltos, as inquietações, a insegurança, o cinza e o caos dos centros urbanos.
Em meio as reclamações dos usuários e as justificativas dos operados do sistema de transporte coletivo de Joinville sobre as recentes medidas tomadas que alteram os serviços ao cidadão, coloca-se a postura do gestor do sistema, a Prefeitura Municipal. Sempre é bom lembrar que o transporte coletivo é uma concessão pública que deve ter um contrato mas também um gestor e ficalizador.
Foi uma decisão acertada que resultou numa imediata recuperação e confiabilidade do sistema. Ainda tínhamos o desafio de ter um sistema não integrado, penalizando os usuários com o custo de duas passagens para atravessar a cidade, salvo para quem ganhava até dois salários cujo benefício era o Passe Trabalhador com desconto de 30%. Contratamos então o GEIPOT, que durante um ano realizou estudos no sistema apontando as diretrizes para um sistema integrado. Ao final do governo Freitag, tínhamos uma frota totalmente renovada, 132 novos ônibus estavam no sistema e a idade média passou para 4,2 anos. Recuperamos o IPK a ponto de Joinville ter uma das menores tarifas do Brasil. Fomos também pioneiros na adoção do Vale Transporte (Lei 7.418/85) cujos tickets eram adquiridos na Casa da Moeda e cuja gestão e administração eram totalmente pública, realizada pelo Núcleo de Transportes. Parte da renda do VT (saldo de aplicações financeiras e resíduos) subsidiava a manutenção da estrutura de gestão e fiscalização. Fizemos um ensaio de um sistema integrado com a utilização de um anel central, idéia que não foi implantada porque o governo estava terminando, da qual ainda sou partidário.
Junto com a bilhetagem vieram novos serviços, o Pega Fácil, a Linha Direta e o Transporte Eficiente. Novas estações de integração foram implantadas e o sistema integrou-se totalmente.
A bilhetagem serviria para oferecer informações ao gestor público, fato que nunca aconteceu por pura inépcia. Um investimento de 17 milhões de reais que, ao final, mostrou-se pouco eficaz para o usuário, já que a política de combate as vans, evasão de receitas, redução do custo de mão de obra e custo operacional foram as únicas vantagens, especialmente às empresas. Facilidade, versatilidade e fidelidade foram ignoradas e, a integração temporal, um dos grandes trunfos da bilhetagem, foi intencionalmente recusada para não comprometer a divisão da receita operacional do sistema entre as duas operadoras. Recentemente vimos algumas ações como a implantação dos corredores e, agora com a extinção do Pega Fácil e da alteração de horários e trajetos, novamente numa visão unicamente financeira, sem qualquer compromisso com o usuário, a quem o sistema deveria servir.