VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

28

de

novembro

FOTOS DO PORTO DE ITAJAÍ

Como estava antes das inundações:

 

Depois da inundações (fotomontagem):

 

Fotos da situação do porto (fotos de Angelina Cavalli):

Berço 01

Berço 02 

 

  Berço 02

 

Berço 04 

 

Patio de Armazenagem

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28

de

novembro

DESASTRE ANUNCIADO - PORTO DE ITAJAÍ

Em julho de 1983, o vale do Itajaí foi assolado por uma das suas maiores enchentes em decorrência de um volume anormal de chuvas nas suas cabeceiras. Isto fez com que as águas do rio Itajaí-Açu, em direção a sua foz, viessem a aumentar descomunalmente sua vazão e, em decorrência disto, metade do cais do Porto de Itajaí foi destruído pela correnteza do rio que chegou a 12 nós ou 22,2 km/h de velocidade. 

 

A correnteza erodiu o enrrocamento que suportava a margem do porto empurrando as estacas, que tinham 13 metros de profundidade, e toda a super-estrutura de concreto armado para o fundo do rio. 350 metros de cais do porto ruiram. A profundidade do canal, no local onde havia o cais, chegou a 22 metros, ou seja 14 metros mais profunda do que o canal de navegação do rio naquela época. A outra metade do cais não foi atingida, mas sua estrutura tinha a mesma característica daquela que ruiu e, um capricho do rio a fez resistir por 25 anos e 6 meses.

 

Curioso é que um relatório apresentado pela PORTOBRÁS em 29 de junho de 1984 apontava uma série de providências que deveriam ser tomadas para reconstruir o cais do porto que havia ruído e evitar que a outra parte viesse a sofrer sua falência pela mesma causa. Em determinado trecho do relatório, onde se avaliam a hipóteses e alternativas de reconstrução e recuperação, há a seguinte análise: “Em ambas as hipóteses, é indispensável evitar erosões importantes na faixa do cais, devido a que, mesmo que as fundações sejam muito profundas, as erosões não podem tolerar-se muito abaixo do fundo dragado (-8,50 metros – que era o calado do porto na época. – hoje o canal estava em 10,50 metros de profundidade). Com efeito, uma erosão de poucos metros abaixo do fundo dragado, provocaria um descalçamento do fechamento do cais e poria em perigo o terrapleno e os próprios armazéns.”. Este relatório assinado pelo professor Antonio José da Costa Nunes foi ignorado ao longo destes 25 anos assim como muitas outras recomendações que poderiam ter evitado desastres e prejuízos tão significativos.

 

A parte nova do cais, que foi reconstruído em 1984, foi estruturada sob fundações do tipo tubulão, apoiado na cota -23,50 e, aparentemente, permanece estável mesmo agora. Neste final de novembro trágico para Santa Catarina, os antigos 350 metros do cais que foram poupados pelas enchentes de 1983 e que resistiram os últimos 25 anos às diversas cheias do rio Itajaí-Açu foram tragados pelas águas, pelas causas que foram apontadas no relatório do professor Nunes. A associação de fatores como a velocidade da correnteza (10,50 nós no pico da vazante), dragagem constante e irresponsável da faixa do cais para cotas que não estavam prevista no projeto original sem as obras de proteção, deixando as estacas do cais praticamente “sem fixa” e, a falta de obras de correção e contenção determinaram sua ruptura.

 

Curiosamente, hoje na margem do cais do Porto de Itajaí, a profundidade está em 21 metros, 10,5 metros mais profunda do que o canal de navegação, situação idêntica aquela ocorrida em 1983. Lá no fundo do canal jazem agora as duas estruturas. Quando do arrendamento de parte do Porto de Itajaí para o TECONVI, uma das obrigações impostas no contrato era a de, justamente, reconstruir a parte do cais que agora ruiu, uma obra que já devia estar concluída.

 

A atual administração do Porto de Itajaí, que felizmente está no final, deixará alguns tristes legados já noticiados pela imprensa, mas além disto, permitiu que o arrendatário não cumprisse com as suas obrigações, protelando obras necessárias e urgentes há já 3 anos, provavelmente porque estava mais preocupada e interessada em colher os “ovos do ouro” do Porto de Itajaí. Hoje uma comunidade inteira perde parte deste patrimônio público e passa a ser duplamente penalizada com a interrupção parcial das operações de um dos mais importantes portos do país que vem a se somar com o estado de calamidade resultante das inundações, fragilizando demasiadamente a auto-estima dos itajaienses.

 

Embora queiram mascarar o desastre afirmando que tudo voltará à normalidade em Janeiro, é incontestável que houve negligência para com obrigações e omissão perante os pareceres técnicos já consagrados.

 

As obras de recuperação do Porto de Itajaí levarão de 1 a 2 anos e, desde já, é necessário levar em consideração os aspectos hidráulicos e de engenharia para que um novo desastre não aconteça. Os novos administradores terão uma árdua tarefa de recuperar a infra-estrutura do porto e a imagem que foi duramente arranhada nos últimos meses. É de se esperar que o Governo do Estado venha a se comportar de forma correta e pró-ativamente com a sociedade itajaiense na oferta de ajuda, haja vista que pesa sobre o atual governador algumas rusgas do passado quando, segundo consta, postou-se contrário à municipalização. A propósito, a municipalização da gestão e operação do Porto de Itajaí é um exemplo bem sucedido de superação e, abre-se agora mais uma nova importante etapa. Conhecendo a disposição e a garra da comunidade de Itajaí, tenho muita esperança de que haverá uma grande união no sentido de resgatar rapidamente sua posição de destaque na logística e na economia do país. Afinal o Porto de Itajaí é um orgulho de todo o catarinense.

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27

de

novembro

ATÉ AGORA NADA ACONTECEU

Passadas já 24 horas da visita relâmpago (1 hora de sobrevôo sobre o vale do Itajaí) e da declaração do Presidente Lula de que seria editada uma MP para destinar recursos (segundo ele 1,6 bilhões de reais) para recuperação dos estragos resultantes das enchentes nos estados de SC, MG, ES, PR e RJ, não houve nenhum movimemto da Casa Civil no sentido do encaminhamento da Medida Provisória prometida ao Congresso. Estamos aguardando Presidente!!!

 

 

Se fosse para salvar algum banco, certamente já estaria editada. Mas vamos dar este crédito de confiança e aguardar para breve o pacote de ajuda.

 

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26

de

novembro

AGENDA DO PRESIDENTE

A agenda do Presidente Lula foi alterada, segundo informações da assessoria de comunicação da Presidência da República, depois de que ele tomou conhecimento do número de vítimas em SC. A agenda programou o seguinte:

 

12:30 - Partida para Navegantes
Aeroporto Santos Dumont – III COMAR

13:40 - Chegada a Navegantes
Navegantes/SC

13:50 - Sobrevôo às áreas atingidas por enchentes
Navegantes/SC

15:00 - Partida para Brasília
Navegantes/SC

Isto significa que o Presidente estará sobrevoando SC de helicóptero  por 1 hora.  Em tempo, isto significa sair de Navegantes, ir até Blumenau dar uma olhada e voltar. Nada de contato com os governantes nem com a população, nem com a situação real, em solo ou in loco.

 

Depois a agenda do Presdiente programou o seguinte para o resto do dia:

 

18:00 - Encerramento da reunião com movimentos sociais
Palácio do Planalto – Salão Nobre

18:30 - José Múcio Monteiro
Ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da
Presidência da República

20:00 - Jantar com centrais sindicais
Granja do Torto

 

O jantar com as centrais sindicais certamente irá noite adentro à base de vinho, champagne  e outras guloseimas. Os desabrigados de Santa Catarina estarão mais uma noite "a deriva", alguns sem teto, sem água e sem alimentos.

 

Não que o Presidente tenha qualquer culpa sobre a catástrofe, não é isto. O que me espanta é que até hoje pela manhã esta visita sequer estava na agenda. Alguém deve ter dito: Lula, se você não for a Santa Catarina, vai ficar mal!!! 

 

Eu já tenho a minha opinião sobre o assunto.

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26

de

novembro

FRASE AO PRESIDENTE

"A coragem é a primeira virtude do estadista. Sem ela, a coragem, todas as outras virtudes desaparecem na hora do perigo."

 

(Winston Churchill)

26

de

novembro

ONDE ANDA O LULA?

Santa Catarina vive a maior catástrofe da sua história. Santa Catarina é parte do Brasil, o mesmo Brasil que tem como presidente o Sr Luiz Inácio Lula da Silva. Em qualquer país descente no mundo um presidente, primeiro ministro ou mesmo um rei, estaria prontamente e diretamente ligado à tragédia, visitando as áreas atingidas, dando conforto as pessoas e coordenando as ações emergenciais. O Presidente deveria estar acompanhando de perto os trabalhos de resgate e as medidas de apoio à recuperação. No entanto, nosso presidente fica fazendo seus discursos em salas climatizadas pedindo 1 minuto de silêncio às vítimas de Santa Catarina. Não precisamos desta demagogia, precisamos de homens de coragem. Em respeito aos brasileiros e catarinenses, como cidadão de pleno direito, venho convocar o Senhor Presidente da República a se deslocar imediatamente ao nosso Estado para tomar a rédeas da situação, definir as prioridades necessárias e vir a ser, de fato, o comandante do país. É neste momento que conhecemos os homens de coragem e os covardes. Não queremos os míseros 40 milhões para recuperar nossas estradas, estes recursos nosso povo consegue sem discurso, sem demagogia, apenas com a sua exemplar e constumeira solidariedade.

 

Peço 1 minuto de silêncio ao povo de Santa Catarina como protesto pela a ausência do Presidente Lula nesta tragédia que nos abate.

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25

de

novembro

PARA NÃO SAIR DA MEMÓRIA

O clima se tornou excelente, e enquanto antes queixavamo-nos do excesso de chuvas, hoje cuidamos de preservar a vegetação dos picos dos morros, não apenas como reserva de madeira, mas principalmente para não transformar o excesso de chuva em escassez e estiagem….

 

 

Carta em gótico escrita pelos imigrantes alemães e suiços depositada na urna da pedra fundamental da Igreja da Paz, em 1 e junho de 1857.

25

de

novembro

DOAÇÕES AOS DESABRIGADOS

Doações de água potável é prioridade

Defesa Civil de SC pede que empresários e pessoas físicas doem água potável aos municípios atingidos pelas fortes chuva. O caso mais grave é no município de Itajaí. No momento, a doação deste item é prioridade. A água poderá ser entregue na Defesa Civil dos municípios, além dos órgãos de Segurança do Governo do Estado, como Polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros

 

Defesa Civil abre conta corrente para receber doações

A Defesa Civil catarinense abriu no final da tarde desta segunda-feira (24) duas contas bancárias para receber doações em dinheiro para ajudar as pessoas atingidas pelos desastres naturais. Os interessados em contribuir podem depositar qualquer quantia nas contas:

Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7; ou

Besc – Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.

Todo dinheiro arrecado será utilizado para compra de mantimentos para os desalojados.

 

(Informação postada no site da Defesa Civil de SC)

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25

de

novembro

NÚMEROS DAS INUNDAÇÕES em SC - 25/11

Segundo a Defesa Civil de SC os números abaixo foram contabilizados até as 12 hs deste dia 25 de novembro.

 

22.812 - pessoas desabrigadas

30.827 - pessoas desalojadas. 

Total - 53.639 pessoas

68 mortes confirmadas

1.500.000 o número de pessoas afetadas. 

8 municípios isolados (São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoa e Benedito Novo).

*Desabrigados: Pessoa que saíram de suas casas e foram para Abrigo montado pelo município, (ginásio, escolas, etc..)

*Desalojados: Pessoa que saíram de suas casas e foram para casa de parentes.

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25

de

novembro

HORA DA SOLIDARIEDADE

 

Estamos vivendo, em Santa Catarina, um momento de grande dificuldade, pois esta catástrofe que se abateu sobre o nosso Estado deixou muitas vítimas e cidades com sua infra-estrutura seriamente abalada. Milhares de residências foram destruídas ou atingidas, muitas ainda se encontram sob as águas, algumas isoladas.

Milhares de famílias estão desalojadas ou desabrigadas, perderam seus bens, suas casas e, em alguns casos, seus familiares. É um momento em que se faz necessário a SOLIDARIEDADE, a ajuda, o auxílio, a doação para que homens, mulheres e crianças tenham a possibilidade de reconstruir sua vida e sua dignidade.

Alimentos, remédios, roupas, colchões, cobertores, utensílios, são alguns dos itens que se fazem necessários para que nossos irmãoS e irmãs tenham como recomeçar suas vidas. Será esta solidariedade o pilar da reconstrução que fará com que possamos, com a maior brevidade, voltar à normalidade. Serão meses, talvez anos para a reconstrução, mas a nossa participação será decisiva neste momento.

Procurem os locais que recebem as doações, ofereça sua colaboração aos nossos irmãos e irmãs, que serão gratos e o seu coração ficará mais feliz.

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