VIVER URBANAMENTE

Sérgio Gollnick - Arquiteto e Urbanista - textos, fotos, comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, viver nas cidades, aspectos que contribuem para melhorar a percepção sobre a urbanidade.

27

de

outubro

VERTICALIZAR, PARA QUEM?

Um fator que pouca gente percebe e que nos últimos anos toma conta de Joinville é a pressão pela verticalização das nossas construções em bairros tradicionais, especialmente para fins de moradia de médio e alto padrões, motivadas pelo grande apelo da qualidade ambiental e urbana que estes sítios sugerem. O propósito é usar este predicado como apelo de venda para novos empreendimentos imobiliários.

 

A qualidade destes locais foi conquistada ao longo de décadas, mantendo as áreas residenciais unifamiliares com o predominío de jardins arborizados e floridos (que nos conferiram o tíltulo de "Cidade das Flores") e de uma certa vida pacata, característica dos lugares bucólicos. Se permitidas as alterações propostas, iremos transformar estes locais num amontoado de construções, sintetizadas por prédios de apartamentos que eliminarão as qualidades dos bairros mais bucólicos.

 

A cada nova construção, áreas verdes serão suprimidas, edificações antigas serão demolidas, eliminar-se-ão os jardins, as árvores, a condição de insolação e a permeabilidade do solo. Após serem ocupados e descaracterizados da qualidade que hoje dispõe, os especuladores buscarão outro  novo território, até que eles se acabem. 

 

Sem a menor cerimônia, a memória e a ambiência dos bairros residenciais de Joinville vem sendo destruídas. A preservação deste equilíbrio muito sensível entre áreas construídas, áreas verdes, áreas de passeios com sombreamento e a tranquilidade peculiar nestes sitios, são absolutamente necessários em qualquer cidade do mundo.

 

O processo de ocupação indiscrimanda de áreas residenciais para atender a interesses imobiliários fazem, há muito, Joinville perder suas referências da memória da construção urbana formadora da nossa identidade. Rapidamente, a nossa memória vai sendo demolida por conta de novas construções, num modelo de reprodução volumétrica rudimentar, carente de soluções inovadoras e sustentáveis que apenas se diferenciam  pelo revestimento externo, sem agregar valor, salvo aos que especulam. Já a questão ambiental é ainda mais preocupante, pois sem qualquer estudo que avalie os impactos deste modelo de ocupação sobre o terrítório urbano, não se o resultado, por exemplo, da mudança da dinâmica dos ventos que refrescam a cidade, da redução de insolação direta que é necessária para manter a vida.

 

O nosso modelo de ocupação urbana suprime grande parte da massa vegetal, que é praticamente toda privada, onde o poder público colabora com a supressão de árvores em vias urbanas. Adicionalmente, geramos maior aquecimento, maior poluição, provocada por uma nova horda de automóveis e, o excesso de concreto aprisiona o mormaço.

 

Este contexto segue ignorado pelo poder público, sempre muito displiscente com as nossas heranças culturais, arquitetônicas, ambientais e sociais, formadores da nossa identidade. Ao aceitar verticalizar áreas da cidade que apresentam singela harmonia entre o ambiente natural e o construído, o poder público colabora com o aumento da segregação socio-espacial, reduzindo as possibilidades de maior coesão social, característica que é relevante nos bairros residenciais unifamiliarres.

 

Dispomos de uma porção significativa do território urbano passível de verticalização, especialmente nas chamadas "áreas frias" próximas ao centro histórico e aos eixos viários, que deveriam ser ocupados, pois hoje estão em franca depreciação ou sob o domínio de especuladores. Sem políticas públicas para estes locais, geramos uma perda significativa de qualidade de vida urbana. São milhões de metros quadrados de terrenos baldios ou subutilizados, já passíveis de verticalização, que o "não-planejamento" ignora. 

 

Ao adotar o mesmo discurso  do segmento imobiliário especulativo, que ameja maiores lucros sem retribuir com qualquer medida compensatória ou mitigadoras para os grande probelmas urbanos, o poder público transparece como agente de um balcão de negócios. O modelo praticado em Joinville, sempre muito afeito a atender com extrema eficácia o poder econômico e especulativo, nos destituí de um modelo de desenvolvimento sadio e durável. Insistem em investir somente na cidade formal, na parte dita “moderna” e oficial (shoppings-centers, infra-estrutura para empreendimentos privados ou edifícios destinados às classes mais abastadas, nas vias para os automóveis, etc.) sendo ineficiente  na parte informal, que necessita de postos de saúde, escola, melhoria nas habitações, saneamento, passieos pavimentados para caminhar, arborização para se proteger, transporte eficiente e barato para se deslocar, geração de oportunidades de emprego e renda para se manter, etc.

 

Cito aqui dois exemplos explícitos: O primeiro quando o Poder Público asfaltou 2 km de vias, que a rigor já estavam pavimentadas, no entorno de um grande supermercado próximo ao cemitério municipal atendendo aos interesses do grande empreendedor e seus clientes enquanto com este mesmo recurso seria possível edificar 45 habitações dignas,  um posto de saúde ou uma nova creche. O segundo quando o mesmo poder público acelerou um porcesso de alteração de socemanto para atender um shopping center, sem estudos mais apurados e sem qualquer medida compensatória ou mitigadora.

 

Estas ações demonstram a inexistência de um planejamento reconhecido e, se suporta num discurso equivocado de que a infra-estrutura disponível (qual infra-estrutura?) é suficiente para justificar a verticalização, ignorando fatores históricos, ambientais ou padrões de ocupação urbana que deveriam pressupor maior coesão social. Seguimos apenas gerando maior segregação (separação) espacial e, a famigerada verticalização dos bairros residenciais, demonstra que não dispomos de controle da dinâmica ocupacional urbana com parâmetros de avaliação reconhecidos sobre a falta de espaços disponíveis à moradia ou aos empreendimentos comerciais. Enfim, nosso modelo de urbanismo é clientelista e enfadonho.

 

É impossível esperar que uma sociedade como a nossa, radicalmente desigual e autoritária, baseada em relações de privilégio e arbitrariedade, possa produzir cidades que não tenham essas características”. (MARICATO, 2001, p. 51)

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23

de

outubro

O BOM EXEMPLO DE BLUMENAU

Um novo jeito de enfrentar o trânsito
 
Matéria na Folha de Blumenau publicada na edição 317, no dia 24-09-2009

 A garoa fina que caiu na manhã do dia 22 de setembro não foi suficiente para cancelar a inauguração das estações de bicicletas para aluguel em Blumenau. Pouco mais de 20 ciclistas, entre eles o prefeito João Paulo Kleinübing, o vice Rufinus Seibt, vereadores e secretários municipais participaram do passeio inaugural do sistema, o primeiro instalado em uma cidade da região Sul e segundo do País – apenas o Rio de Janeiro tem o projeto, implantado em dezembro de 2008.

A data para a inauguração da locação de bicicletas foi especialmente escolhida, 22 de setembro é o “Dia Mundial Sem Carro”. O grupo de ciclistas percorreu um trecho de 6,5 quilômetros, saindo da Prefeitura, passando pelo Galegão, Furb e retornando à Prefeitura pelas ciclofaixas que integram o sistema na região central, em pouco mais de 30 minutos. Em cada ponto, parava para verificar a condição das estações.

Em meio ao percurso, uma série de acenos e palavras de incentivo. “As pessoas foram muito receptivas e mostraram simpatia à ideia. Tem tudo para dar certo”, entusiasma o prefeito, garantindo que 130 pessoas já se cadastraram para utilizar as bicicletas.

Ampliação

O secretário de Planejamento Urbano, Walfredo Balistieri, informa que o Município aguarda a liberação do empréstimo de R$ 45 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com quatro anos de carência e seis para o pagamento, destes, aproximadamente R$ 2,5 milhões serão aplicados no sistema cicloviário, que deve saltar dos 12 quilômetros integrados para pouco mais de 40 quilômetros. “Nossa intenção é chegar aos 40 quilômetros ainda no próximo ano, integrando ao atual sistema às faixas já instaladas na Vila Nova, Água Verde, Velha e demais bairros da redondeza”, revela, apostando no aumento do número de estações de bicicletas de aluguel na cidade. A expectativa da Prefeitura é concluir o traçado até 2012.

Como Funciona

Cadastro e Compra

• O cadastro deve ser preenchido no site www.mobilicidade.com.br
• Os planos e os valores dos créditos variam de diário (R$10,00), por três dias (15,00), semestral (R$ 50,00) e anual (R$ 100,00).
• A compra só pode ser feita a partir de terça-feira (2)

Uso da bicicleta

• Numa das seis estações instaladas – Terminais da Proeb e da Fonte, Shopping Neumarkt, Ginásio do Galegão, Prefeitura e Furb - o usuário deve solicitar a liberação da bicicleta escolhida, ligando do celular para o número 4052-0210.
• Após fornecer a senha cadastrada e identificar a bicicleta escolhida, o veículo é liberado.
• Os primeiros 30 minutos de uso são gratuitos. Passados 60 minutos, são descontados R$ 3,00 de crédito. Aos 90 minutos, o valor sobe para R$ 7,00. Para 120 minutos, o desconto é de R$ 11,00. Acima de 150 minutos, o custo é de R$ 15,00.
• Por meio do celular, é possível consultar o saldo e verificar a estação mais próxima a qualquer momento, ligando para 4052-0210.
• No final do processo, o usuário pode devolver a bicicleta em qualquer uma das seis estações, que vão operar das 6h às 22h.
• As bicicletas são feitas de alumínio e produzidas no Brasil. A altura do assento é ajustável e possui câmbio de seis marchas

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22

de

outubro

300 palavras

Encontrei este texto no blog http://300palavras.zip.net/, onde achei meu novo título. SEndo uma espécie de reflexão sobre a cidade de Sorocaba, percebo que a minha cidade não é a única que se enfrenta com dilemas pouco resolvidos. Não serve de consolo, mas mostra que lá, como aqui, existem aqueles que expõe seus pensamentos buscando, através de uma visão crítica, achar o caminho….

 


Terra rasgada… por buracos!

 

            Vamos falar de cidades. Grandes, pequenas ou médias; doces, amargas ou absolutamente insossas. Viver urbanamente é compartilhar um pedaço do inferno onde, vez por outra, instala-se o ar condicionado. Somos vítimas e algozes dos grandes aglomerados que tanto convidam como expulsam.

            Sorocaba é show. Tem tudo… favela, condomínio de luxo, comércio e diversão… violência, acidentes automobilísticos e administração pública voltada ao urbanismo em detrimento do social. Condicionados a um espaço, amontoamo-nos entre travestis e evangélicos, brincamos com crianças nos shoppings e deixamos largados à adoção dezenas de rostinhos meigos. Somos contradição, extremo, côncavo sem convexo. Sorocaba é linda… e feia; é agradável… muitas vezes antiquada. Somos um feudo ruralista dentro de uma urbe neurótica, moderna e áspera.

            Quer comer alguma coisa às duas da manhã? Saia às ruas. Precisa de um par de pneus novos às quatro e quinze da madrugada? Pois é só ir ao lugar certo. Quer vizinhos fofoqueiros nas janelas? Temos milhares! Temos apáticos, fervorosos e neutros. Sorocaba é plural, difícil e ardida. Alimenta sonhos e estrangula famílias.

            Entendo que toda cidade tem disso… mas a “terra rasgada” tem características próprias. Parece um oásis por alguns dias; depois transforma-se em miragem. De qualquer forma, é linda. Transmite a impressão de que é difícil deixá-la.

            Temos o Zoológico, o Campolim, os radares (malditos radares); temos bares, restaurantes e botecos, misturamos tudo, somos tudo, somos todos… e não somos ninguém. Buscar a identidade por aqui é tarefa difícil… e viver desconhecendo-se é tenebroso. A cidade é linda, tem tudo pra dar certo. Se houver mais educação, será perfeita.

            Nas mãos do governo descansa nosso veneno e nosso remédio. Dosar um ou outro é tarefa mais densa… de qualquer maneira, Sorocaba é ótima. Uma ex virgem de 350 anos. Temos feito com ela coisas que não dá nem pra publicar…

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22

de

outubro

MUDANÇA

Fiz uma mudança no título do blog de URBANIDADES para VIVER URBANAMENTE por conta de que vários blogs com o mesmo nome ou título.

O objetivo não é ser diferente, mas diferenciar para facilitar aos amigos que acessam e acompanham o blog.

Sem mudar a linha do conteúdo proposto, a mudança vem no sentido de melhorar, aperfeiçoar e facilitar a leitura e o acesso.

Sérgio Gollnick

 

21

de

outubro

YIKE BIKE - Legal Mas Precisa de Calçada.

Neste momento onde se buscam uma revolução na tecnologia para a mobilidade urbana surge a Yike Bike, um produto de design australiano movida a eletricidade que amplia as opções disponíveis para aqueles que se recusam ainda a pedalar mas que estão sensibilizados com a necessidade de descongestionar as cidades.

clique e assista o vídeo:  yikebike

 

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21

de

outubro

AEROPARK - UMA PROVOCAÇÃO SADIA

Nas décadas de oitenta e noventa, mas aindo hoje, algumas cidades alemãs projetaram complexos industriais ou de eventos em áreas onde haviam antigos e ultrapassados aeroportos. O empreendimento mais conhecido é onde hoje funciona a Messe München, ou a Feira de Munique na Baviera. Um antigo aeroporto foi transfomado num grande complexo de exposições, convenções, prestação de serviços, hotelaria de negócios e um complexo para empresas de desenvolvimento tecnológico.

MESSE MUNICH (área onde havia um aeródromo)

Inspirado nesta lembrança e nas recentes polêmicas que envolvem o aeroporto de Joinville, faço então uma provocação dentro da atual lógica presente nesta importante cidade do Nordeste de Santa Catarina, onde de alguns anos para cá reina o espírito superlativo-megalomaníaco, cuja proposta seria transformar o atual aeródromo num parque tecnológico, local onde poderia, sem muitos investimentos em aterros e infra-estrutura, ser implantado o desejado campus da UFSC, talvez também o da PUC ou ainda outros que aqui vierem a se instalar. Ali poderíamos sonhar com outras grandes obras como um complexo esportivo, uma arena (de verdade), um centro e convenções (de verdade), uma área para encubar empresas de desenvolvimento tecnológico, um moderno hospital universitário, áreas de hospedagem para estudantes e visitantes, etc., etc., etc..

Certamente deste empreendimento teríamos melhores dividendos econômicos e sociais além de transformar aquela nobre e mal aproveitada região num grande centro de inteligência acoplada ao distrito industrial, grande centro produtor, consumidor e promotor de desenvolvimento tecnológico. Como parte da recompensa não haveria a necessidade de derrubar 130 mil metros quadrados de mata nativa além de uma expressiva contribuição para reduzir o "Custo Brasil", eliminando o desperdício de recursos para manter um aeroporto que não funciona, está mal localizado dentre outros problemas.

Poderíamos em contrapartida pensar num eficiente sistema de transporte até o aeroporto de Curitiba ou mesmo Navegantes, bastando para isto perder um pouco da empáfia e do bairrismo de querer ter um aeroporto próprio quando ele se mostra desnecessário, resultado da sua inegável inoperância e falta de confiabilidade.

Hoje, as grandes e modernas metrópoles do mundo têm seus aeroportos às margens da cidade, noutros municípios, distantes cerca de trinta minutos ou uma hora, nos horários de pico. É o tempo que levamos ao aeroporto de São José dos Pinhais ou de Navegantes, quase o mesmo tempo que levam os curitibanos e blumenauenses para chegar aos mesmos aeroportos. Em contrapartida teríamos algo em que nos orgulhar, um pólo tecnológico de primeiro mundo.

Pelo sim ou pelo não, nada custa incentivar nossas mentes brihantes a conjecturar sobre esta idéia que alguns terão por piada, outros como provocação e poucos como uma conveniente possibilidade. Eis então alguns rabiscos.

AEROPORTO JOINVILLE

PROPOSTA DE OCUPAÇÃO

PARQUE TECNOLÓGICO - AEROPARK (nome de sugestão)

imaginando a proposta…

19

de

outubro

SEMAFORIZAÇÃO - JOINVILLE

SEGUINDO A LINHA DAS FANTÁSTICAS SOLUÇÕES ADOTADAS PELO IPPUJ PARA RESOLVER OS GRAVES PROBLEMAS DE MOBILIDADE URBANA, EM ESPECIAL PARA O CAÓTICO TRÂNSITO DA CIDADE DE JOINVILLE, CUJA SOLUÇÃO É SEMPRE AS FAMOSAS "SINALEIRAS" OU SEMÁFOROS, PARECE QUE FOI DESENVOLVIDA UMA NOVA TECNOLOGIA QUE DEVERÁ RESOLVER TODOS OS PROBLEMAS DO TRÂNSITO LOCAL. SE NÃO FUNCIONAR, PELO MENOS TEREMOS UMA BOA SOLUÇÃO PARA A DECORAÇÃO DE NATAL.

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16

de

outubro

JUAREZ MACHADO EM “BICICLETANDO”.

CAPTEI ESTA POSTAGEM NO BLOG AO QUAL REPRODUZO:

http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/2008/09/25/juarez-machado-apoia-a-bicicletada-de-curitiba/


O artista plástico Juarez Machado por meio de uma carta (em anexo),afirma que, se não estivesse em Paris, estaria presente à inauguração do bicicletário do Museu Oscar Niemeyer, que ocorreu no dia 27 de setembro de 2008

Carta de Juarez Machado:

“Sou completamente, de todo o meu coração, a favor da Bicicletada. (pessoalmente prefiro o nome bicicletando, mais romântico).

Nascido em Joinville, passei toda a minha infância e adolescência em cima de uma bicicleta. Foi e ainda é o grande tema de meus desenhos, pinturas e esculturas. Quando me falta inspiração, desenho uma bicicleta. Tornou-se para mim um símbolo de tempo, de prazer e de amor. Minha relação com ela é de namorado, a bicicleta para mim é feminina. Tem curvas, elegância e beleza de uma jóia no fino pescoço de uma dama.

 Depois cresci, tive vários automóveis. A maioria, conversíveis e com rodas raiadas.  Talvez tenha tentado não trair completamente a minha relação com a bicicleta em troca do carro. Porém, ao mesmo tempo tinha as minhas bicicletas tanto no Brasil como em Paris.

 Quando fiz 60 anos prometi a mim mesmo um especial presente de aniversário. Peguei as chaves do carro, fui (a pé) até a casa de um amigo e dei o carro de presente ao seu filho que faria 18 anos em alguns dias. Voltei para casa feliz e rasguei a minha carteira de motorista.

 Penso que foi uma atitude bastante sabia de um senhor de meia-idade (quantas pessoas você conhece com 120 anos?). Penso também que deveria ser lei a carteira de motorista perder a validade com 65 anos de idade. Bem como ser recolhido todo automóvel com mais de 10 anos. A fábrica que compre o ferro velho.

Agora tem a lei seca. Muito bem, mas nunca vi um bêbado a pé atropelar alguém e matá-lo. O que mata é o carro e não o bom vinho. Bem, deixa pra lá. Voltamos a falar da querida bicicleta, o máximo que pode acontecer é você cair e quebrar os dentes.

 Faz muito tempo que não tenho mais carro, já beirando os meus 68 anos de idade, tenho duas preciosidades de bicicleta. Uma que a própria Caloi desenhou para mim. Esta está no meu apto. em Copacabana. Saio com ela todos os dias.

 A outra, uma pérola, que uso em Paris. As duas só me dão alegrias. Outro dia, subi pedalando até o alto de Montmartre, Basilica de Sacre-Coeur. O ponto mais alto de Paris. Gostaria de lá ter uma placa dizendo: Aqui, em 2008, chegou pedalando o primeiro brasileiro - Juarez Machado. Dando início ao novo tempo da inteligência humana”. Falo isto porque lá já tem uma placa que diz: “Aqui, no ano de 1800 e qualquer coisa, chegou nesta colina numa máquina movida a petróleo – o Monsieur Peugeot. Dando início à indústria automobilística francesa”.

 Bem, acho que já falei o bastante da minha paixão pela bicicleta, sem falar das centenas de miniaturas que tenho em minha coleção.

 Obrigado, fica aqui o meu abraço e até breve,

Juarez Machado”.

 

14

de

outubro

PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO - LEGADO COMUM A TODOS

Reproduzo parte do Manifesto de Amsterdam (outubro de 1975) onde mil delegados de 25 Países Europeus (ministros, arquitetos, urbanistas, eleitos locais, funcionários e representantes de associações) definiram os princípios da preservação e conservação para o patrimônio arquitetônico, manifesto este que foi adotado pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa, em 26 de setembro de 1975. 

 Assim, a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu, realizado em Amsterdã, de 21 a 25 de outubro de 1975. 

Dos considerandos:

 

(…) 

 

Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico, expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia, é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete, por consequência, a solidariedade efetiva dos Estados europeus;

 

Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende, em grande parte, de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físico-territorial e nos planos urbanos

 

(…)

 

O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual, cultural, econômico e social de valores insubstituíveis

  • Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias;
  • Qualquer diminuição desse capital é, portanto, mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada, mesmo por criações de alta qualidade;
  • Por outro lado, a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade;
  • Longe de ser um luxo para a coletividade, a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias.

A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades

  • Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades;
  • No passado, eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais;
  • Podem facilitar, de novo, uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações.

O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante

  • Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações;
  • Ora, a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. Importa, portanto, conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações;
  • A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e, especialmente pelas gerações jovens, que por eles serão responsáveis no futuro.

Esse patrimônio está em perigo

  • Ele está ameaçado pela ignorância, pela antiguidade, pela degradação sob todas as formas, pelo abandono;
  • Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação;
  • A tecnologia contemporânea, mal aplicada, destrói as antigas estruturas;
  • As restaurações abusivas são nefastas;
  • Afinal e principalmente, a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. 

    Eis alguns exemplos

NORMANDIA 1944 e 2008

  


Poderíamos apreender muito com uma simples leitura deste Manifesto, que na síntese estabelece enunciados e critérios que são universais para a preservação da cultura e da história de um povo através de sua arquitetura.

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9

de

outubro

RIO OLÍMPICO - II

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